Populismo pós-estrutural de Laclau e Multidão de Negri-Hardt: caminhos para compreender o nosso tempo. Entrevista especial com Bruno Cava

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Por: João Vitor Santos | 14 Agosto 2017

Numa primeira incursão na teoria do argentino Ernesto Laclau, é possível associar algumas de suas perspectivas às do italiano Antonio Negri. Afinal, ambos se veem diante de movimentações políticas em que a mobilização de teorias existentes parece não dar mais conta de explicar. É uma associação possível, mas essa aproximação requer que seja feita com mais vagar, como recomenda Bruno Cava: “Máquina-Negri, Máquina-Laclau, operam diferente, fazem coisas diferentes, outros usos e funcionamentos”. Para ele, não é que não haja pontos em comum. “Em geral, dois filósofos são incompossíveis, não porque as respostas e soluções divirjam, mas porque colocam as suas perguntas de maneira diversa, têm inquietações e problemas qualitativamente diferentes”, explica.

Ao longo da entrevista abaixo, concedida por e-mail à IHU On-Line, Cava recorre a experiências políticas recentes para evidenciar por onde se movimentam tanto Laclau como Negri. Muito da similaridade que pudemos supor está entre o conceito laclauniano de Povo e o negriano de Multidão. Entretanto, segundo o professor, há distinções importantes. “A multidão é uma multiplicidade intensiva”, pontua. “A multidão não pode ser individuada, circunscrita num estado atual e delimitado”, completa. “Já Laclau pensa o povo como multiplicidade extensiva e trabalha teoricamente para reconstituir um encadeamento, sempre árduo, sempre periclitante, de identidades, demandas e particularidades dentro de um invólucro transcendental, o Povo”, destaca. 


Bruno Cava, no IHU, em 10-11-2016.
Foto: João Vitor Santos - IHU

Bruno Cava é professor de cursos livres no Rio de Janeiro, lecionando em instituições como Museu da República, Cinemateca Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM e Casa de Rui Barbosa, blogueiro do quadradodosloucos.com.br e editor da Revista Lugar Comum. Participa da rede Universidade Nômade há mais de dez anos, com quem empreende copesquisa de movimentos e lutas urbanas. Escreveu, entre outros livros, A multidão foi ao deserto (São Paulo: Annablume, 2013), traduzido ao espanhol pela ed. Quadrata e Pie de los Hechos (2016). Agora em 2017, está lançando em coautoria com Alexandre Mendes o livro A constituição do comum (Rio de Janeiro: Revan).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Que aproximações e distanciamentos podemos fazer entre as perspectivas teóricas e movimentos de Ernesto Laclau [1] e Antônio Negri [2]?

Bruno Cava – Uma diferença decisiva do modo como Laclau e Negri põem os problemas consiste na questão da unidade. Ambos reconhecem a realidade contemporânea em que predominam as multiplicidades, decorrente da virada da composição social do mundo capitalista, no final do século 20, e ambos são críticos incansáveis do reducionismo de análises do capitalismo que adotam uma relação mecânica entre classe, partido e determinação material, bem como de uma esquerda missionária que se restringe a fabricar narrativas-slogans, numa vulgar batalha ideológica.

Se Laclau escapa dos objetivismos predominantes no socialismo (real ou de oposição) através de uma recuperação bastante particular do populismo latino-americano, especialmente do peronismo argentino, associada a uma teoria neogramsciana do discurso, com pitadas de Foucault e Lacan, Negri faz o seu êxodo através da transposição política da teoria das singularidades, retraçada desde a monadologia leibniziana e a microssociologia de Gabriel Tarde, nas atualizações criativas de Bergson, Simondon e Deleuze.

Ao colocar o problema das multiplicidades, Laclau ainda persegue a formação de uma unidade do múltiplo. Essa unidade, contudo, não se dá mais de maneira dialética entre infra e superestrutura, pela via régia da economia, núcleo duro da racionalidade moderna. O pensador argentino prefere teorizar uma unidade de novo tipo, recheada de contingências e precariedades, por meio do conceito de linguística estrutural de "significante flutuante". O rendimento dessa teorização se dirige para a constituição de um novo terreno de antagonismo que leve em conta a fragmentação e a dispersão da sociedade capitalista pós-crise do fordismo. Não confundir Laclau, entretanto, com teóricos nostálgicos da comunidade perdida, pois ele reconhece que a classe trabalhadora virou suco e este é um processo irreversível. O terreno dessa recomposição laclauliana é político e é o lugar por excelência da construção do povo, mas ao mesmo tempo assimila o caráter inorgânico, dinâmico e precário dessa arquitetura, mediante o conceito de "cadeia de equivalências".

Negri, especialmente na trilogia que escreveu com Hardt [3], prefere afirmar as multiplicidades enquanto tal, como pluralismo que não admite unificação sequer à maneira mitigada de Laclau. O autor aponta em Laclau um resquício do programa da modernidade da reductio ad unum, tão presente no direito público europeu e seu princípio de soberania, ainda que nacional-popular. Isto leva o pensador argentino a sobrevalorizar a dimensão nacional da luta política, perdendo de vista que na passagem da era dos imperialismos para a do Império a dinâmica de poder no processo de globalização se alterou fundamentalmente. A questão candente para Negri consiste em pesquisar e elaborar o modo de funcionamento da multiplicidade, sem a necessidade do salto para o momento político ou de construção do povo (populismo), ou seja, a multidão, que é um processo, um fazer. Não é que instituições e multiplicidades estejam em relação de oposição dicotômica, mas sim que a construção de instituições é uma atualização, uma determinada cristalização de um campo polar de individuação, para falar com Simondon [4], que subsiste ao lado dos estados atuais (este coletivo, aquele movimento etc.). A multidão é um conjunto de singularidades nômades, ou seja, é composta por tendências não-individuadas e pré-subjetivas.

IHU On-Line – Como seus pensamentos contribuem para pensarmos a política na contemporaneidade?

Bruno Cava – De La razón populista [5] em diante, Laclau se engajou na experiência latino-americana dos governos ditos progressistas, de que a Venezuela chavista hoje configura o signo de seu total desmoronamento. Esse acoplamento teórico-político levou o autor a valorizar ainda mais a dimensão nacional de construção dos governos, inclusive na forma de lideranças carismáticas, como Chávez [6], Evo [7] ou Cristina [8], que pudessem encadear as equivalências segundo um projeto comum de poder. Nos últimos tempos, Laclau também se tornou uma referência central dos professores-dirigentes do Podemos [9] madrilenho, como Iñigo Errejón [10] e Pablo Iglesias [11]. Iñigo, por exemplo, escreveu a sua tese a partir de uma copesquisa no interior do experimento constituinte boliviano da década passada.

Ambos reconhecem a realidade contemporânea em que predominam as multiplicidades

Dessa e de outras pesquisas implicadas na construção de uma alternativa de poder na América Latina, os podemitas formularam o núcleo de sua teoria política da transição, o "populismo 2.0", que consiste na necessidade de dar o salto à política, com sua lógica própria, que os movimentos e lutas por si só não são capazes. A fim de superar os impasses da fase destituinte das lutas, impasse que pode precipitar-se numa restauração dos poderes ameaçados, é preciso elaborar um projeto propriamente político, afirmativo, de domínio das instituições para reinventá-las de dentro, o que inauguraria a fase constituinte.

Hoje, quando boa parte das conquistas dos governos progressistas foi revelada como propaganda, a sua produção de novas instituições como nulidade, quando o próprio progresso do progressismo foi posto em xeque, caberia inquirir se a teoria do discurso de Laclau, que está no centro de sua concepção de disputa política, não contribuiu para alargar o campo cego sobre os movimentos e as transformações que ocorreram nas bases sociais. Já o "populismo 2.0" errejoniano, caberia perguntar se não foi levada com demasiada literalidade, especialmente quanto ao caráter centralista da cúpula de comunicação, terminando por catalisar o processo de desaceleração e então retraimento da hipótese Podemos no cenário espanhol, depois da primeira arrancada em 2014-15.

Negri e Hardt

A trilogia de Negri e Hardt [12], sem dúvida, é o principal texto político do ciclo global de lutas alterglobalização, da insurreição zapatista em Chiapas aos dias de Ação Global (1994-2003). A debacle do bloco soviético e das grandes narrativas do socialismo no mundo inteiro não deram lugar a um horizonte sem-horizonte, o "flat horizon" do fim da história, em meio ao que só haveria condições para revoltas desconjuntadas e antipolíticas. Negri e Hardt foram os melhores intérpretes de uma nova imagem do movimento, uma nova constelação global das lutas, não mais fundada na unidade nacional, no salto político ou na representação ideológica e eleitoral. Ouvidos novos para uma música nova que já estava tocando.

O que os nostálgicos da modernidade chamam de desorganização e espontaneidade, Negri e Hardt mostraram ser multiplicidades de direito próprio, com organização de novo tipo, capacidade estratégica e criatividade institucional. Nesse escopo, Negri e Hardt se mantiveram antenados, graças a uma rede transnacional de pesquisa, com as transformações da subjetividade que aconteceram nas últimas duas décadas, inclusive quando essas transformações dinamitaram por dentro o experimento latino-americano dos governos progressistas, como no levante de junho de 2013 no Brasil.

Os novos movimentos sociais são apenas *uma* atualização de um impulso criativo maior, que não se exaure em seus resultados mais perceptíveis e delineáveis

Nos últimos anos, contudo, essa dupla de pensadores começou a dar sinais de cansaço, com concessões demais a certo afeto que clama por unidade das esquerdas contra o avanço das direitas, afeto que foi a carne do estalinismo e que provoca um entrincheiramento perigoso do pensamento. Por não encontrar estados atuais e individuados ou nomes corporeificados de movimentos, que pudéssemos identificar como filhos dos eventos constituintes do último ciclo global de lutas (no Brasil, a quimera de quem seriam os "filhos de Junho"), dá-se uma regressão desesperada de método, na direção de atores já destituídos e de espaços anacrônicos, como defesa mínima de valores ameaçados. Como não ver que tal mecanismo defensivo diante do avanço do katechon termina por secretar uma atmosfera de pânico moral (nojo disto x beijo no coração daquilo) que é o avanço conservador ele mesmo.

Isto levou Negri, por exemplo, a reaproximar-se de setores da velha esquerda welfarista europeia, como David Harvey [13] e, no Brasil, a continuar prestigiando setores socialistas do PT da grande São Paulo, como trincheira de uma possível recomposição não só na escala nacional, como continental, uma curiosa reedição escarlate da velha máxima bandeirante "primeiro em São Paulo, depois...".

IHU On-Line – Negri tem como um de seus conceitos básicos a Multidão. Já Laclau tem uma das bases do seu pensamento no conceito de Povo. Como compreende os dois conceitos?

Bruno Cava – A multidão é uma multiplicidade intensiva. Interpretar o conceito de multidão como um sujeito dado, um substrato apriorístico, uma espécie de petição de princípio, seria colher peras de um olmo. Por definição, a multidão não pode ser individuada, circunscrita num estado atual e delimitado. O conceito de multidão supriu uma deficiência notável das ciências sociais. A mais elaborada teoria dos movimentos sociais do século 20 ainda enunciava uma metafísica do século 19, enquanto a mais penetrante filosofia do século 20 ainda fazia a crítica das ciências como se na prática elas estivessem presas a uma epistemologia do século 19. Era um quiproquó.

O conceito de multidão de Negri e Hardt dota a teoria dos movimentos de uma metafísica à altura, ao mesmo tempo que faz os movimentos contemporâneos suscitarem conceitos para a filosofia. Há um paralelo no Brasil com Éder Sader [14], em seu livro que um amigo estudioso do autor, Alexandre Mendes [15], considera ser comovente. Estou falando de Quando novos personagens entram em cena [16], que ao contrário do senso comum não é um livro que descreve sociologicamente a formação dos novos movimentos sociais na crise da ditadura. Os novos movimentos sociais são apenas *uma* atualização de um impulso criativo maior, que não se exaure em seus resultados mais perceptíveis e delineáveis.

Negri e Hardt dão sinais de cansaço com concessões demais a certo afeto que clama por unidade das esquerdas contra o avanço das direitas, afeto que foi a carne do estalinismo e que provoca um entrincheiramento perigoso do pensamento

O brilhantismo de Éder consiste exatamente em ter conseguido remontar à gênese dos movimentos, movimento no sentido ontológico, como tendências internas, polares, que se espraiavam por uma sociedade brasileira em convolução, mostrando as autonomias em movimento nas mobilizações da saúde na periferia, no movimento das mulheres, na autoconstrução de moradia popular, na cauda longa de atos de insubordinação e sabotagem que propeliram as novas oposições sindicais. Já há aí, no brasileiro Éder Sader, um lampejo do conceito de multidão, que Negri irá elaborar com Hardt por outra via, a partir de Simondon [17] e Deleuze [18].

O povo, segundo Laclau

Laclau pensa o povo como multiplicidade extensiva e trabalha teoricamente para reconstituir um encadeamento, sempre árduo, sempre periclitante, de identidades, demandas e particularidades dentro de um invólucro transcendental, o Povo. É um populismo para as condições pós-modernas de fragmentação, quando a classe virou suco, um tipo de povo "pós-estrutural", povo que falta. A teoria de Laclau não reconhece as singularidades nômades de Negri, que ele trata como Kant [19] trata a coisa em-si, algo incognoscível e, em última análise, passível de metafísica dogmática.

A analogia na história da filosofia entre Negri e Laclau não seria, então, entre um idealismo pré-kantiano de metafísica dogmática e o criticismo kantiano, mas entre Kant (Laclau, ocupado com as condições de possibilidade) e Salomon Maimon [20] (Negri, elevando-se às condições da experiência). Laclau opera uma síntese transcendental que vai preencher o terreno do populismo, terreno de uma falta constitutiva ao modo lacaniano, que lembra também a parte dos sem-parte de Rancière, terreno por excelência para o antagonismo político que opõe um "nós" a um "eles", fazendo funcionar assim a cadeia de equivalências. Pode ser os pobres versus as elites, como no populismo latino-americano. Pode ser a gente versus a casta, como no Podemos espanhol.

Populismo 2.0

O "populismo 2.0", ultramidiatizado e digitalizado, do Podemos, ou do movimento 5 Stelle [21] na Itália, por exemplo, se apresentou como um populismo inorgânico, com intelectuais que mais parecem celebridades do que militantes que se embrenham na carne viva do popular, um populismo não mais assentado sobre uma forte identidade orgânica, como no caso do Partido Comunista Italiano [22], da época de Palmiro Togliatti [23], ou de uma sociedade fortemente corporativizada como nos casos de Vargas [24] ou Perón [25]. Há algo de verdade nessa formulação do populismo se pensarmos que, hoje, figuras tão díspares quanto Trump [26], Putin [27], Maduro [28], Erdogan [29], El-Sisi [30], Grillo [31], Le Pen [32], todos são classificados como líderes populistas. Porque não estamos mais falando de um populismo com forte enraizamento social e institucional de valores nacional-populares ou francamente fascistas, como na Itália de Mussolini [33].

IHU On-Line – É possível pensar na ideia de complementariedade entre um conceito e outro? Como?

Bruno Cava – Em geral, dois filósofos são incompossíveis, não porque as respostas e soluções divirjam, mas porque colocam as suas perguntas de maneira diversa, têm inquietações e problemas qualitativamente diferentes. Máquina-Negri, Máquina-Laclau, operam diferente, fazem coisas diferentes, outros usos e funcionamentos. Agora, claro que se pensarmos que para a ação precisamos dispor de uma caixa de ferramentas, as teorias de Negri (e Hardt) e Laclau (e Mouffe) têm a sua relevância relativa. Mas não sejamos salomônicos. Isto não impede de avaliarmos as conclusões políticas que um e outro tiram de acontecimentos específicos e conjunturas particulares, sem com isso validar ou invalidar a respectiva máquina de guerra conceitual.

Num artigo recente à Revista Lugar Comum [34], Roberto Andrés [35] sugere um possível acoplamento virtuoso das teorias da multidão e do populismo pós-estrutural, a Laclau. Segundo o ativista da plataforma municipalista Cidade que Queremos - CQQ [36], uma das experiências mais vibrantes no Brasil em termos de renovação da representação, o terreno do populismo deve ser encarado como o terreno da luta, no contexto de crise das mediações políticas e teóricas. Nesse embate, a rede de contrapoderes sociais assume o papel de força motriz para tensionar os mecanismos representativos, impedindo de maneira dinâmica o fechamento numa zona de conforto típica dos aparelhos partidários e de arranjos institucionais. A proposição exige-nos consideração, se pensarmos que populismo parece ser um dos nomes da crise de mediações hoje.

Em Quando a trama da terra treme [37], texto coletivo da Universidade Nômade, são postas em tensão duas linhas, uma linha de multidão e uma linha de hegemonia, exatamente para metabolizar a relação entre movimentos e governos, entre lutas e instituições, como uma relação dinâmica e em oposição polar.

Outro que, recentemente, escreveu sobre o caráter não-excludente entre as teorias de Negri e Laclau, uma "disjunção possível", foi o filósofo Rodrigo Nunes [38]. Eu diria que, concordando substancialmente com cada um, que essa tentativa de comparação é um falso problema e tende a se tornar um dilema escolástico.

IHU On-Line – Quais as divergências entre Negri e Laclau no que diz respeito ao entendimento que têm sobre o capitalismo contemporâneo? E como observam a incidência do capital do século XX e XXI no campo da política?

Bruno Cava – Não prescindir de uma análise do capitalismo em que todos estamos não é uma condição sine qua non se não quisermos incidir diretamente no risco do idealismo teórico, ou seja, de desacoplamento crônico em relação às dinâmicas reais de produção da vida e transformação do mundo. Esse é um ponto cego na teoria política de Laclau, que parece apreender a realidade dispersiva e fragmentária do pós-fordismo como dado de fato e não condição de direito. Marx [39] não faz uma análise do capitalismo meramente para interpretar leis objetivas de funcionamento do real, mas para deslindar da processualidade determinadas tendências que, tensionadas desde dentro na contingência das lutas, levam-nos para além do capitalismo, para lá de seus limites internos e externos.

Negri avança nesse programa ao concordar com o "Manifesto Comunista", de 1848, teorizando que a motricidade implícita do capital de "desmanchar tudo o que é sólido no ar" se ultimou na última virada do modo de regulação capitalista entre o fordismo e o pós-fordismo, hegemonizado (enquanto tendência) pelo trabalho imaterial, a financeirização da vida e a forma-Império da globalização. Isto implica transpor o dinamismo e a fluidez do processo para a teoria, os próprios conceitos devem repercutir o caráter aéreo ou gasoso. Podemos voltar ao exemplo de Éder Sader: quando o autor reconduz as teorias sociológicas à gênese do movimento de que certos grupos (o PT mesmo) são atualizações, ele vai estudar as transformações do capitalismo no Brasil no fracasso do último modelo nacional-desenvolvimentista e a nova fase da globalização, em meio às migrações do campo para a periferia, do norte para o sul.

Tudo isto não significa que se deva sobrevalorizar os elementos genéticos e diferenciais que dão vitalidade aos movimentos, em detrimento dos elementos atualizados e individuados que podem ser identificados numa análise restrita à conjuntura. O caso, como extensivamente alertado pelo próprio Negri, é metabolizar na teoria a dupla articulação, a pressuposição recíproca e não-dialética entre um e outro, entre potestas e potentia, o que a seu passo não exclui o fato que há uma diferença forte, de natureza, uma distinctio realis, entre o movimento enquanto tendência intensiva e o movimento enquanto estado atual, mais ou menos institucionalizado e identificável pela sociologia.

O problema é que, quando essa dupla articulação entre análise do capitalismo e análise política aparece nas análises de conjunturas entre os idealismos das esquerdas, como criticado desde os petardos de Marx contra os jovens hegelianos e os socialistas utópicos, ela é transformada na Lagosta de Mil Platôs [40], num "double bind" do tipo pinça, num duplo impasse: a crise dos sujeitos é remetida ao Capitalismo (com maiúscula), à deturpação de uma frase deleuziana de que "não pode haver governo de esquerda" (conforme Giuseppe Cocco em "A rede com 'r' minúsculo e as reformas"), enquanto a crise do Capitalismo é remetida à ascensão dos populismos, à onda fascista e outras confusões analíticas.

IHU On-Line – Antonio Gramsci [41] é lido tanto por Negri como por Laclau. Como compreender a apropriação de cada um sobre esse autor?

Bruno Cava – Paradoxalmente, Negri está mais próximo de Gramsci do que Laclau depois de Hegemonia e estratégia socialista [42], escrito com Chantal Mouffe [43]. O gramscismo de Negri, contudo, é ambíguo. Em primeiro lugar, porque Negri se criou teórica e politicamente abrindo dissidência contra o eurocomunismo do Partido Comunista Italiano, que tinha o neogramscismo como um dos principais fundamentos analíticos. Se, nos tempos da liderança de Togliatti [44], o caráter nacional-popular do projeto do PCI fosse, nas palavras de Negri, apenas um 'pecadillo', com a aliança entre o partido e a Democracia Cristã na década de 1970, o "Compromesso Historico", todo o discurso da hegemonia terminou sendo instrumentalizado para justificar a repressão daqueles movimentos que não se enquadravam numa estrita disputa político-partidária e eleitoral organizada desde cima pelos dirigentes do PCI.

O Movimento da autonomia italiana, cujo ápice foi em 1977, de que Negri era um intelectual insider, terminou esmagado pelo peso desse compromisso escandaloso com as forças oligárquicas. Gramsci, portanto, era o filósofo de cabeceira de seus inimigos, exigindo sempre a ativação de um Gramsci menor, de um Gramsci além de Gramsci. Segundo, porque a teoria negriana costura vários elementos com o estruturalismo althusseriano que não só amputa Hegel [45] em sua releitura de Marx, como procede a uma liquidação de Gramsci, o que só viria a se alterar no último Althusser, do materialismo aleatório.

A diferença decisiva na apreensão de Gramsci por Negri e Laclau está no papel da luta de classe como força dinamizadora dos conceitos. Laclau lê a virada medular da sociedade capitalista como deslocamento do discurso de classe, exigindo a reconstituição de um terreno político não mais articulado por um antagonismo de classe, mas pelo de um populismo, por assim dizer, pós-estrutural. Isto encontra ressonância com a afirmação de grupos minoritários que emergiram ao longo do ciclo anticolonial e sessentaoitista, no sentido de contestar a tentativa de unificação dos movimentos pelos partidos comunistas e operários em nome do que seria a contradição fundamental, a divisão de classe.

Negri não vai de encontro a esse alargamento de horizontes dado pelas transformações do capitalismo, mas em vez de renunciar à classe, entende que ela mudou de natureza, distribuindo-se ao longo do tecido social na mesma medida da dispersão subjetiva do pós-fordismo. Isto é, para Negri, não é que o antagonismo de classe tenha dado lugar a uma multiplicidade extensiva de identidades e demandas, que conviria à teoria populista reorganizar precariamente na forma num encadeamento de nós equivalentes, como em Laclau, mas sim que o antagonismo de classe se molecularizou junto com a relação do capital de maneira que a própria multiplicidade intensiva – a multidão – é um conceito de classe.

Hegemonia

Nessa lógica, enquanto Laclau atualiza a importância da luta contra-hegemônica, engendrada por Gramsci para as sociedades civis avançadas do americanismo fordista, para as condições pós-modernas da dissolução da classe, Negri o faz evocando uma espécie de "pós-modernismo forte", um conceito organizativo e criativo de manejar a luta por dentro dessas próprias condições. A hegemonia, em Negri, tem muito mais a ver portanto com a criatividade institucional que emerge de dentro da multiplicidade intensiva (um institucionalismo sem estado, um direito público não-estatal etc.), enquanto para Laclau, sem o mesmo grau de análise do capitalismo guiada pela força motriz da luta de classe, resta apontar para teorias do discurso, num mix fino de Foucault [46] e Lacan.

IHU On-Line – Como pensar na constituição de uma frente nacional-popular a partir de Negri?

Bruno Cava – Em Cinco lições sobre o Império [47], Negri desenvolve o método marxiano como apresentado nos "Grundrisse", em seu caderno introdutório (a Einleitung). Nesse texto formidável de Marx, ele prenuncia toda uma operação conceitual que, mais tarde, viria a ser chamada de pós-estruturalismo. Marx introduz ali, justamente, o método de reconduzir a análise à gênese do movimento real de transformação, às tendências em estado não individuado. Evidentemente Marx não poderia se exprimir com esta linguagem, tendo que falar com a língua filosófica de seu tempo, num hegelês subversivo, falando assim em abstração determinada e retorno ao concreto. O movimento do conceito em Marx para que se torne concreto passa, portanto, por três níveis.

Um primeiro nível que consiste em identificar os movimentos atuais existentes, as lutas como se apresentam, os sujeitos sociais, políticos, econômicos etc. A originalidade de Marx é neles identificar uma mistura mal analisada, um misto confuso de tendências e movimentos que são efeitos e contraefeitos de um processo maior e coexistente, o processo do capital. O método então procede à abstração, isto é, à recondução das categorias sociológicas aos elementos genéticos e diferenciais.

Qual é o "movimento dos movimentos" de Junho de 2013? Das primaveras árabes? Independente da existência de estados atualizados ou novíssimos movimentos sociais decorrentes daquele evento de eventos?

Esse campo não individuado e habitado pelas singularidades é o campo da luta de classe, onde a classe existe enquanto estado magmático, incandescente: como trabalho vivo ou "plasma criador", para usar os termos do próprio Marx. O capitalismo é um ponto de subjetivação no sentido que enquadra esse campo de plasma ativado num sujeito identificável e qualificado, isto é, como força de trabalho, incorporada assim ao metabolismo de vampirização do capital. Classe, portanto, não pode ser delimitada como classe social ou sociológica, nem como categoria da economia política. Classe é sempre pré-subjetiva e nômade, noutras palavras, é primeiro luta de classe, como teorizado por EP Thompson [48] ou Negri. Este último articula o nível da luta de classe por meio de um segundo nível, um nível intermediário, que é a análise da composição de classe, da análise do capitalismo "pelo avesso". Negri, no entanto, não pode parar por aí, tendo que avançar até o terceiro nível, o dos elementos genéticos, o do "movimento dos movimentos", isto é, um movimento que só é perceptível de direito, como tendência, como polo intensivo das transformações.

Retorno ao concreto

Então, dito isso, se poderia perguntar, como Éder perguntou na franja dos anos 1980, qual é o "movimento dos movimentos" de Junho de 2013? Das primaveras árabes? Independente da existência de estados atualizados ou novíssimos movimentos sociais decorrentes daquele evento de eventos? Aí que entra o que Marx chamava de "retorno ao concreto", função que Negri atribui à copesquisa ("conricerca", em italiano, parente da pesquisa-ação e das cartografias afetivas). Não basta elevar-se sobre o empirismo cego das conjunturas para as condições do movimento, para o campo das singularidades nômades e selvagens. É preciso fazer o caminho de volta, ou seja, as linhas de atualização que permitam deslocar os problemas, abrir os impasses e evitar os mistos mal analisados por teorias fincadas sobre os estados atualizados e individuados, digamos, subproletariado (Singer [49]), classe dos batalhadores (Jessé [50]), nova classe média (Neri [51]), nova classe trabalhadora (Pochmann [52]), a própria categoria amorfa da 'classe média', tudo isso que, no fundo, exprime uma multiplicidade de tendências, isto é, são atravessadas por singularidades que ensejam outras camadas de análise.

O evento de junho de 2013 foi um momento de emergência que disparou tendências que rotacionaram todos esses mistos, sem que a emergência tivesse se atualizado num sujeito único ou nomeável: transformou-os contudo a todos. Junho de 2013 subsiste como conjunto de efeitos sobre os sujeitos preexistentes, um imperceptível das análises que não levem em consideração o regime intensivo das singularidades, que também é real. Afinal, precisamos de soluções! Em Cinco lições do Império, Negri propõe a tarefa de elaborar uma nova Einleitung [53], uma metodologia de copesquisa que esteja à altura das transformações objetivas e subjetivas do capitalismo, da composição de classe.

Junho de 2013 subsiste como conjunto de efeitos sobre os sujeitos preexistentes

O limite da análise

É nesse aspecto, o do retorno diferenciante que cabe à pesquisa atuante, que, me parece, Negri e Hardt bateram no teto. No último livro, Assembly, ainda no prelo, os autores fazem uma leitura do último ciclo global, das primaveras árabes (2011-16?), concentrado em pontuar discordâncias em relação ao caráter horizontalista, "leaderless" e anti-institucionalista dessas lutas, como se fossem causas de sua derrota pela operação restauradora generalizada que se seguiu às acampadas e ocupas. É pouco a acrescentar, em relação à trilogia seminal já citada, e flerta com o frentismo de pensamento entrincheirado que citei.

Em vez de apontar populismos de direita e de esquerda, como repercussões de uma crise inassinalável de que se conhecem apenas os efeitos, opondo Syriza [54] e Le Pen, ou Lula e Bolsonaro [55], menos paralisante é renunciar à ideia de saída da crise (à direita ou esquerda, ou pelo projeto nacional-popular etc.), para entrar nela, entrar nos impasses. Um bom lance inicial para uma compreensão mais nuançada do ciclo de lutas pode ser encontrada no extensivo trabalho de copesquisa de Paolo Gerbaudo [56] (em "The mask and the flag", 2017), que sintetiza o movimento como o nascimento de um anarcopopulismo, um híbrido disforme entre as tendências antipolíticas e anticorrupção que opõe o cidadão à casta (do tipo Laclau) e as tendências anarquistas e autonomistas que se exprimiram nas práticas de democracia direta, ocupação constituinte e tecnopolítica (mais afeitas às teorias de Holloway [57], Negri ou Castells [58]). Daí o título do livro, que evoca a interpenetração das máscaras de Guy Fawkes [59], adotadas por black blocs e pelo grupo Anonymous [60], e das bandeiras nacionais onipresentes nas passeatas de milhões.

Mesmo assim, Gerbaudo me parece muito apressado em delinear o cidadanismo, resultante político dessa composição, como resposta contra-hegemônica ao "momento populista", faltando concluir o percurso até os elementos genéticos, de que Marx falava nos Grundrisse.

IHU On-Line – E como pensar na constituição de uma frente nacional-popular segundo Laclau?

Bruno Cava – Diferentemente de Negri, Laclau pensa do ponto de vista da recomposição de um povo enquanto momento político dos antagonismos, inclusive através da figura de um líder carismático, ou seja, pensa do ponto de vista da formação de uma nova maioria social capaz de colher a ocasião da crise e institucionalizar uma alternativa de poder, a partir de um encadeamento de identidades e demandas não-representadas na vigência estruturada. Embora nada disso se assemelhe, em sua teoria, a uma nostalgia de uma comunidade orgânica ou organização corporativa do tipo nacional-popular, cujas condições por sinal não existem mais.

Esse "salto político", apesar dos inúmeros considerandos e ressalvas, ainda permite pensar em Laclau, particularmente a partir de "La razón populista", num novo projeto progressista de governo, que venha a nascer de um novo arranjo das equivalências reunidas na unidade nacional ou de uma nova esquerda. O problema aí, me parece, não é a pretensão jurídica da teoria em reformular conceitualmente esse projeto, mas a capacidade de análise das condições de direito.

Sem um conceito de classe, sem uma teoria das singularidades, como compreender a dinâmica de poder que conferiria a tal projeto a subjetividade necessária para impulsioná-lo? Porque uma teoria do discurso sem levar em consideração a potentia que lhe animaria (conforme conceito de discurso em Foucault, indissociável das relações estratégicas de poder), corre o perigo de converter-se num videogame de narrativas, numa culture war que passa a disputar simbolicamente à revelia das transformações reais. O conceito de hegemonia aí se despe de qualquer materialidade e se torna uma mera disputa comunicativa, que passa a pressupor, de um lado, um inefável poder hegemonizador (a Globo, Hollywood, a CIA, George Soros), de outro, massas de manobra à deriva das pulsões midiáticas ou de consumo. Isto parece ser um problema grave não na teoria de Laclau, onde o caráter líquido das flutuações traça uma nova linha de firmeza teórica, mas nos atuais projetos de recomposição institucional na crise, em termos de uma nova esquerda, um novo programa ou frente nacional-popular. Como certa vez alertou Giuseppe Cocco: os neoliberais frequentemente são mais materialistas do que as esquerdas, mesmo as que invocam autores materialistas, como Marx ou Negri

Notas

[1] Ernesto Laclau (1935- 2014): foi um teórico político argentino. Pesquisador e professor da Universidade de Essex, recebeu o título de Doctor Honoris Causa de várias universidades: Universidade de Buenos Aires, Universidade Nacional de Rosário, Universidade Católica de Córdoba, Universidade Nacional de San Juan e Universidade Nacional de Córdoba. Em 10-03-2008 concedeu a entrevista 1968 e a construção de um novo discurso político à edição 250 da IHU On-Line. A edição número 508 da IHU On-Line trouxe uma reflexão sobre o conceito mais célebre do autor: o populismo. (Nota da IHU On-Line)

[2] Antonio Negri (1933): filósofo político e moral italiano. Durante a adolescência, foi militante da Juventude Italiana de Ação Católica, como Umberto Eco e outros intelectuais italianos. Em 2000, publicou o livro-manifesto Império (Rio de Janeiro: Record), com Michael Hardt. Em seguida, publicou Multidão. Guerra e democracia na era do império (Rio de Janeiro/São Paulo: Record), também com Michael Hardt – sobre esta obra, a edição 125 da IHU On-Line, de 29-11-2004, publicou um artigo de Marco Bascetta. (Nota da IHU On-Line)

[3] Michael Hardt (1960): téorico literário americano e filósofo político radicado na Universidade de Duke. Com Antonio Negri escreveu os livros internacionalmente famosos Império (5ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2003) e Multidão. Guerra e democracia na era do império (Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2005). (Nota da IHU On-Line)

[4] Gilbert Simondon (1924 –1989): foi um filósofo e tecnólogo francês com conhecimentos em mecânica, eletrônica, hidráulica e termodinâmica. Nascido em Saint-Étienne, estudou na Ecole Normale Supérieure e na Sorbonne, obtendo nessa última o doutoramento, em 1958. Foi aluno de Georges Canguilhem, Martial Guéroult e Maurice Merleau-Ponty; sua obra perpassa investigações em tecnologia, técnica, estética e individuação. Sua tese complementar de doutorado Du mode d'existence des objets techniques, publicada em 1958, teve repercussão imediata pelo caráter ousado da proposta anti-fenomenológica e não tecnofóbica, apresentada por Simondon para se pensar a gênese dos objetos técnicos, exigindo como análise destes o tratamento específico de suas realidades, de seus funcionamentos e utilizações. Conquanto a relevância de sua obra, Simondon é ainda pouco lido, embora esporadicamente citado. Sua tese principal foi dividida em duas partes para publicação: L'individu et sa gènese physico-biologique (1964) e L'individuation psychique et collective à la lumière des notions de forme, information, potentiel et metaestabilité (1989). (Nota da IHU On-Line)

[5] A obra, publicada em português tem como título A razão populista (São Paulo: Três Estrelas, 2013). (Nota da IHU On-Line)

[6] Hugo Chávez Frías (1954—2013): político e militar venezuelano, tendo sido o 56.º presidente da Venezuela, governando por 14 anos desde 1999 até sua morte em 2013. Líder da Revolução Bolivariana, Chávez advogava a doutrina bolivarianista, promovendo o que denominava de socialismo do século XXI. Chávez foi também um crítico do neoliberalismo e da política externa dos Estados Unidos. Oficial militar de carreira, Chávez fundou o Movimento Quinta República, da esquerda política, depois de capitanear um golpe de estado mal-sucedido contra o governo de Carlos Andrés Pérez, em 1992. Chávez elegeu-se presidente em 1998, encerrando os quarenta anos de vigência do Pacto de Punto Fijo (firmado em 31 de outubro de 1958, entre os três maiores partidos venezuelanos) com uma campanha centrada no combate à pobreza. Reelegeu-se, vencendo os pleitos de 2000 e 2006. Com suas políticas de inclusão social e transferência de renda obteve enorme popularidade em seu país. Durante a era Chávez, a pobreza entre os venezuelanos caiu de 49,4%, em 1999, para 27,8%, em 2010. No plano político interno, Chávez fundiu os vários partidos de esquerda no PSUV. Fortaleceu os movimentos e as organizações populares, estabelecendo uma forte aliança com as classes mais pobres. Nas várias eleições, realizadas ao longo de aproximadamente 15 anos, a oposição foi derrotada. Inconformados, os adversários de Chávez promoveram um golpe de Estado, no início de 2002, com apoio do governo dos Estados Unidos. Apesar de o governo norte-americano ter usado de sua influência para obter o reconhecimento imediato do novo governo, a comunidade internacional – inclusive o Brasil, então governado por Fernando Henrique Cardoso – condenou o golpe. Chávez acabou voltando ao poder três dias depois. (Nota da IHU On-Line)

[7] Evo Morales [Juan Evo Morales Ayma] (1959):  é o atual presidente da Bolívia. Líder sindical dos cocaleros, destacou-se ao resistir os esforços do governo dos Estados Unidos para substituição do cultivo da coca, na província de Chapare, por bananas, originárias do Brasil. De orientação socialista, o foco do seu governo tem sido a implementação da reforma agrária e a nacionalização de setores chaves da economia, contrapondo-se à influência dos Estados Unidos e das grandes corporações nas questões políticas internas da Bolívia. De etnia uru-aimará, Morales destacou-se a partir dos anos 1980, juntamente com Felipe Quispe e Sixto Jumpiri e alguns outros, na liderança do campesinato indígena do seu país. (Nota da IHU On-Line)

[8] Cristina Kirchner (1953): política e advogada argentina. Ex-senadora pela província de Buenos Aires, Cristina foi presidente de seu país entre 2007 e 2015. De 25 de maio de 2003 a 10 de dezembro de 2007 foi também primeira-dama, pois é viúva do ex-presidente Néstor Kirchner, ao qual sucedeu no governo do país latino. (Nota da IHU On-Line)

[9] Podemos: partido político espanhol que foi fundado em 2014, fortemente influenciado pelas ideias do movimento 15M. Um de seus principais representantes é Pablo Iglesias Turrión. Surge num momento de reestruturação da esquerda no mundo. Atualmente, é o favorito para eleição presidencial na Espanha. (Nota da IHU On-Line)

[10] Inigo Errejón Galván (1983 ): é um cientista político e político espanhol , deputado por Madrid no XI e XII legislaturas do Parlamento. De 18 de fevereiro de 2017 é Secretário de Análise Estratégico e Mudança Política no executivo nacional lata . De 2014 a 2017, foi secretário de Política e Área de Estratégia e Campanha Nós, cujas campanhas eleitorais abordadas. Doutor em Ciência Política, é sobre o conselho editorial da revista de análise política Viento Sur. (Nota da IHU On-Line)

[11] Pablo Iglesias (1978) [Pablo Manuel Iglesias Turrión]: professor universitário, político, escrito, apresentador e tertuliano de televisão espanhol. Em 2014 foi eleito eurodeputado pela candidatura de Podemos e é atualmente é secretário geral do partido. (Nota da IHU On-Line)

[12] A trilogia é composta pelo livros Império ( Rio de Janeiro: DP&A, 2003), Multidão. Guerra E Democracia Na Era Do Império (Rio de Janeiro: Record, 2005) e Bem-Estar Comum (Rio de Janeiro: Record, 2016). (Nota da IHU On-Line)

[13] David Harvey (1935): é um geógrafo marxista britânico, formado na Universidade de Cambridge. É professor da City University of New York e trabalha com diversas questões ligadas à geografia urbana. (Nota da IHU On-Line)

[14] Eder Sader (1941 —1988) [Eder Simão Sader]: foi um sociólogo brasileiro. Foi perseguido pela ditadura militar (Golpe de 1964) ao que exilou-se no Chile entre 1971 e 1973 e em seguida na França no período de 1974 a 1979. Ativista político, quando estudante de Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, foi um dos fundadores da facção Política Operária (POLOP), que teve como dirigente e ideólogo Michel Löwy, também formado pela USP e depois radicado na França. Foi militante político e docente na USP. Militante do MIR chileno, refugiado político na França após o golpe de Pinochet. Na França lecionou na Universidade de Paris VIII. Ao regressar ao Brasil, tornou-se docente de Sociologia na USP e foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. (Nota da IHU On-Line)

[15] Alexandre Mendes: professor da faculdade de Direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ. Foi defensor público entre 2006 e 2011. Entre suas publicações, destacamos os livros A vida dos direitos: ensaio sobre modernidade e violência em Foucault e Agamben (São Paulo: Agon, 2008), com Bruno Cava; também organizou A resistência à remoção das favelas no Rio de Janeiro (Rio de Janeiro: Revan, 2016) com Giuseppe Cocco; e O Fim da narrativa progressista na América do Sul (Juiz de Fora: Editar, 2016), com Ricardo Falbo e Michael Teixeira.  Recentemente, também em parceria com Bruno Cava, lançou A constituição do comum (Rio de Janeiro: Revan, 2017). Ele concedeu inúmeras entevistas à IHU On-Line, entre elas O desafio de superar uma institucionalidade “caduca” das democracias representativas; e Como democratizar o poder destituinte? O terreno está aberto. (Nota da IHU On-Line)

[16] O livro é de 1988, mas há uma edição mais recente, de 2007, publicado pela Paz e Terra (São Paulo). (Nota da IHU On-Line)

[17] Gilbert Simondon (1924 –1989): foi um filósofo e tecnólogo francês com conhecimentos em mecânica, eletrônica, hidráulica e termodinâmica. Nascido em Saint-Étienne, estudou na Ecole Normale Supérieure e na Sorbonne, obtendo nessa última o doutoramento, em 1958. Foi aluno de Georges Canguilhem, Martial Guéroult e Maurice Merleau-Ponty; sua obra perpassa investigações em tecnologia, técnica, estética e individuação. Sua tese complementar de doutorado Du mode d'existence des objets techniques, publicada em 1958, teve repercussão imediata pelo caráter ousado da proposta anti-fenomenológica e não tecnofóbica, apresentada por Simondon para se pensar a gênese dos objetos técnicos, exigindo como análise destes o tratamento específico de suas realidades, de seus funcionamentos e utilizações. Conquanto a relevância de sua obra, Simondon é ainda pouco lido, embora esporadicamente citado. Sua tese principal foi dividida em duas partes para publicação: L'individu et sa gènese physico-biologique (1964) e L'individuation psychique et collective à la lumière des notions de forme, information, potentiel et metaestabilité (1989). (Nota da IHU On-Line)

[18] Gilles Deleuze (1925-1995): filósofo francês. Assim como Foucault, foi um dos estudiosos de Kant, mas tem em Bérgson, Nietzsche e Espinosa, poderosas interseções. Professor da Universidade de Paris VIII, Vincennes, Deleuze atualizou ideias como as de devir, acontecimentos e singularidades. (Nota da IHU On-Line)

[19] Immanuel Kant (1724-1804): filósofo prussiano, considerado como o último grande filósofo dos princípios da era moderna, representante do Iluminismo. Kant teve um grande impacto no romantismo alemão e nas filosofias idealistas do século 19, as quais se tornaram um ponto de partida para Hegel. Kant estabeleceu uma distinção entre os fenômenos e a coisa-em-si (que chamou noumenon), isto é, entre o que nos aparece e o que existiria em si mesmo. A coisa-em-si não poderia, segundo Kant, ser objeto de conhecimento científico, como até então pretendera a metafísica clássica. A ciência se restringiria, assim, ao mundo dos fenômenos, e seria constituída pelas formas a priori da sensibilidade (espaço e tempo) e pelas categorias do entendimento. A IHU On-Line número 93, de 22-3-2004, dedicou sua matéria de capa à vida e à obra do pensador com o título Kant: razão, liberdade e ética. Também sobre Kant, foi publicado o Cadernos IHU em Formação número 2, intitulado Emmanuel Kant – Razão, liberdade, lógica e ética. Confira, ainda, a edição 417 da revista IHU On-Line, de 6-5-2013, intitulada A autonomia do sujeito, hoje. Imperativos e desafios. (Nota da IHU On-Line)

[20] Salomon ben Joshua, dito Salomon Maimon (1753 —1800): foi um filósofo polonês. Filho de um rabino pobre, recebeu sólida educação literária, teológica e filosófica, dentro da tradição do judaísmo. Diante de suas capacidades intelectuais, seu pai resolveu arranjar-lhe um casamento economicamente vantajoso. Assim, Maimon casou-se, aos doze anos de idade e tornou-se pai aos quatorze. No entanto, devido aos desentendimentos constantes com a mulher e a sogra, passou a fazer longas viagens. Em Berlim e em outros centros intelectuais, dedicou-se ao estudo do pensadores modernos, como Locke, Spinoza e Wolff. Leu também as obras da Idade Média, especialmente Ezra e Maimônides (daí o cognome Maimon). Em 1788 conheceu a Crítica da razão pura, de Kant, obra sobre a qual escreveu um importante comentário intitulado Ensaio sobre a filosofia transcendental. O escrito recebeu elogios do próprio Kant, segundo o qual Maimon havia compreendido sua obra melhor que qualquer outro. (Nota da IHU On-Line)

[21] MoVimento 5 Estrelas ou, em italiano, MoVimento 5 Stelle: é um movimento e partido político italiano surgido em 2009 pelo comediante Beppe Grillo com a finalidade de deslocar os partidos tradicionais para colocar cidadãos comuns no poder e estabelecer uma democracia direta através do uso da Internet. (Nota da IHU On-Line)

[22] Partido Comunista Italiano (PCI): Nasceu com a denominação inicial de Partido Comunista da Itália, da cisão de uma corrente de esquerda do Partido Socialista Italiano liderada por Amadeo Bordiga e Antônio Gramsci. Entre 1924 e 1926, Gramsci foi secretário do partido. (Nota da IHU On-Line)

[23] Palmiro Togliatti (1893-1964): político e dirigente do Partido Comunista da Itália. Usou o pseudônimo de Ercole Ercoli e Maria Correnti. Membro do Partido Socialista Italiano, fez parte do grupo dell’ “Ordine Nuevo” e foi um dos fundadores do Partido Comunista Italiano. Em 1921 foi eleito para o Comitê Central do Partido, e em 1924, entrou para o Comitê Executivo da Internacional Comunista, da qual foi Secretário entre 1937 e 1939, na Espanha, durante a Guerra Civil. Em 1944, Togliatti retornou à Itália, e foi eleito Secretário Geral do Partido Comunista. (Nota da IHU On-Line)

[24] Getúlio Vargas [Getúlio Dornelles Vargas] (1882-1954): político gaúcho, nascido em São Borja. Foi presidente  da República nos seguintes períodos: 1930 a 1934 (Governo Provisório), 1934 a 1937 (Governo Constitucional), 1937 a 1945 (Regime de Exceção) e de 1951 a 1954 (Governo eleito popularmente). Recentemente a IHU On-Line publicou o Dossiê Vargas, por ocasião dos 60 anos da morte do ex-presidente.  A IHU On-Line dedicou duas edições ao tema Vargas, a 111, de 16-08-2004, intitulada A Era Vargas em Questão – 1954-2004, e a 112, de 23-08-2004, chamada Getúlio. Na edição 114, de 06-09-2004, Daniel Aarão Reis Filho concedeu a entrevista O desafio da esquerda: articular os valores democráticos com a tradição estatista-desenvolvimentista, que também abordou aspectos do político gaúcho. Em 26-08-2004, Juremir Machado da Silva, da PUC-RS, apresentou o IHU Ideias Getúlio, 50 anos depois. O evento gerou a publicação do número 30 dos Cadernos IHU Ideias, chamado Getúlio, romance ou biografia?. Ainda a primeira edição dos Cadernos IHU em formação, publicada pelo IHU em 2004, era dedicada ao tema, recebendo o título Populismo e Trabalho. Getúlio Vargas e Leonel Brizola. (Nota da IHU On-Line)

[25] Juan Domingo Perón (1895-1974): militar e político argentino, presidente de seu país de 1946 a 1955 e de 1973 a 1974. Foi líder do Movimento Nacional Justicialista. Genericamente, esse Movimento é chamado peronismo. Os ideiais são baseados no pensamento de Perón. O Movimento Justicialista transformou-se, mais tarde, em Partido Justicialista, que é a força política maioritária na Argentina. Os ideais do peronismo se encontram nos diversos escritos de Perón como "La Comunidad Organizada", "Conducción Política", "Modelo Argentino para un Proyecto Nacional", entre outros, onde estão expressos a filosofia e doutrina política que continuam orientando o pensamento acadêmico e a vida política da segunda maior nação sul-americana. (Nota da IHU On-Line)

[26] Donald Trump (1946): Donald John Trump é um empresário, ex-apresentador de reality show e atual presidente dos Estados Unidos. Na eleição de 2016, Trump foi eleito o 45º presidente norte-americano pelo Partido Republicano, ao derrotar a candidata democrata Hillary Clinton no número de delegados do colégio eleitoral; no entanto, perdeu no voto popular. Entre suas bandeiras estão o protecionismo norte-americano, por onde passam questões econômicas e sociais, como a relação com imigrantes nos Estados Unidos. Trump é presidente do conglomerado The Trump Organization e fundador da Trump Entertainment Resorts. Sua carreira, exposição de marcas, vida pessoal, riqueza e modo de se pronunciar contribuíram para torná-lo famoso. (Nota da IHU On-Line)

[27] Vladimir Putin (1952): presidente da Rússia. Também é ex-agente do KGB no departamento exterior e chefe dos serviços secretos soviético e russo, KGB e FSB, respectivamente. Putin exerceu a presidência entre 2000 e 2008, além de ter sido primeiro-ministro em duas oportunidades, a primeira entre 1999 e 2000, e a segunda entre 2008 e 2012. (Nota da IHU On-Line)

[28] Nicolás Maduro Moros [Nicolás Moros] (1962): é um político venezuelano, atual presidente da República Bolivariana da Venezuela. Depois de, como vice-presidente constitucional, assumir o cargo com a morte do presidente Hugo Chávez, foi eleito em 14 de abril de 2013 para mandato como 57º presidente da Venezuela. (Nota da IHU On-Line)

[29] Recep Tayyip Erdoğan (1954): é um político turco, Presidente da Turquia desde 28 de agosto de 2014. Anteriormente, ocupou o cargo de Primeiro-ministro do país entre 14 de março de 2003 e 2014, tendo sido também Prefeito de Istambul de 1994 a 1998. Erdoğan é o fundador do Partido da Justiça e Desenvolvimento (em turco Adalet ve Kalkınma Partisi) e liderou-o em três vitórias eleitorais, a saber em 2002, 2007 e 2011 antes de sua vitória nas eleições presidenciais de 2014. Tendo iniciado sua carreira política como um islamista e democrata conservador, seu governo têm sofrido transições graduais ao conservadorismo social e também ao liberalismo econômico. (Nota da IHU On-Line)

[30] Abdel Fattah Saeed Hussein Khalil el-Sisi (1954): é o sexto e atual presidente do Egito , no cargo desde 2014. Sisi nasceu no Cairo e depois de se juntar às forças armadas, realizou um post na Arábia Saudita antes de se matricular no Colégio de Comando e Pessoal do exército egípcio. Em 1992 Sisi formou-se no Joint Services Command and Staff College no Reino Unido , e depois em 2006 treinou no norte-americano Army War College em Carlisle, Pensilvânia. Sisi serviu como um comandante de infantaria mecanizado e depois como diretor de inteligência militar . Após a revolução egípcia de 2011 e a eleição de Mohamed Morsi para a presidência egípcia, Sisi foi nomeado Ministro da Defesa por Morsi em 12 de agosto de 2012, substituindo o Hussein Tantawi da era de Mubarak. (Nota da IHU On-Line)

[31] Giuseppe Piero Grillo (1948): mais conhecido como Beppe Grillo, é um comediante, blogueiro e político italiano. Fundou em 2009 o Movimento 5 Estrelas, que se transformou na terceira maior força política italiana - e no maior partido individualmente considerado - após as eleições gerais de 24 e 25 de fevereiro de 2013. (Nota da IHU On-Line)

[32] Marion Anne Perrine Le Pen (1968): mais conhecida como Marine Le Pen, é uma advogada e política de direita da França. Deputada do Parlamento Europeu desde 2004, foi eleita presidente da Frente Nacional em 16 de janeiro de 2011, em substituição a seu pai, Jean-Marie Le Pen. É também conselheira regional de Nord-Pas-de-Calais desde março de 2010 e conselheira municipal de Hénin-Beaumont desde março de 2008. (Nota da IHU On-Line)

[33] Benito Mussolini (1883-1945): jornalista e político italino, governou a Itália com poderes ditatoriais entre 1922 e 1943, autodenominando-se Il Duce, que significa em italiano “o condutor”. Baseando-se numa filosofia política teoricamente socialista, conseguiu a adesão dos militares descontentes e de grande parte da população, alargou os quadros e a dimensão do partido. Após um período de grandes perturbações políticas e sociais, quando alcançou grande popularidade, guindou-se a chefe do partido, e em 1922 organizou a famosa marcha sobre Roma, um golpe de propaganda. Usando as suas milícias para instigar o terror e combater abertamente os socialistas, conseguiu que os poderes investidos o nomeassem para formar governo. Foi nomeado Primeiro Ministro pelo rei Vítor Manuel III, alcançando a maioria parlamentar e, consequentemente, poderes absolutos. (Nota da IHU On-Line)

[34] N.º 49, O significante vazio e a política hoje. (Nota do entrevistado)

[35] Roberto Andrés: é arquiteto e professor na UFMG. É membro daPiseagrama, revista sobre espaços públicos e editora independente, pela qual publicou o Guia Morador: Belo Horizonte (Nota da IHU On-Line).

[36] Para saber mais sobre a plataforma, acesse. (Nota da IHU On-Line)

[37] O texto também foi reproduzido na seção Notícias do Dia no sitio do Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Acesse. (Nota da IHU On-Line)

[38] No texto "Entre Negri y Laclau: los límites de la multitud". (Nota do entrevistado)

[39] O texto está disponível aqui. (Nota da IHU On-Line)

[40] DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix. Mil Platôs (volumes de 1 a 5). São Paulo: Editora 34, 2017. (Nota da IHU On-Line)

[41] Antonio Gramsci (1891-1937): foi um filósofo marxista, jornalista, crítico literário e político italiano. Escreveu sobre teoria política, sociologia, antropologia e linguística.. Com Togliatti, criou o jornal L'Ordine Nuovo, em 1919. Secretário do Partido Comunista Italiano (1924), foi preso em 1926 e só foi libertado em 1937, dias antes de falecer. Nos seus Cadernos do cárcere, substituiu o conceito da ditadura do proletariado pela "hegemonia" do proletariado, dando ênfase à direção intelectual e moral em detrimento do domínio do Estado. Sobre esse pensador, confira a edição 231 da IHU On-Line, de 13-08-2007, intitulada Gramsci, 70 anos depois. (Nota da IHU On-Line)

[42] São Paulo: Intermeios, 2015. (Nota da IHU On-Line)

[43] Chantal Mouffe: filósofa belga, autora de Dimensions of radical democracy (London: Verso, 1992) e The democratic paradox (London: Verso, 2000). Mouffe era grande parceira de Ernesto Laclau. Nesta edição da IHU On-Line, Mouffe assina um artigo. O sítio do IHU vem publicando diversos textos da e sobre a autora. Entre eles A influência de Laclau e Mouffe no Podemos: hegemonia sem revolução; “O kirchnerismo é uma fonte de inspiração”. Entrevista com Chantal Mouffe; e “Existe uma necessária dimensão populista na democracia”. Entrevista com Chatal Mouffe,  A IHU On-Line número 508 se dedica a análise do conceito de populismo, trabalho por ela e Ernesto Laclau. (Nota da IHU On-Line)

[44] Palmiro Togliatti (1893-1964): político e dirigente do Partido Comunista da Itália. Usou o pseudônimo de Ercole Ercoli e Maria Correnti. Membro do Partido Socialista Italiano, fez parte do grupo dell’ “Ordine Nuevo” e foi um dos fundadores do Partido Comunista Italiano. Em 1921 foi eleito para o Comitê Central do Partido, e em 1924, entrou para o Comitê Executivo da Internacional Comunista, da qual foi Secretário entre 1937 e 1939, na Espanha, durante a Guerra Civil. Em 1944, Togliatti retornou à Itália, e foi eleito Secretário Geral do Partido Comunista. (Nota da IHU On-Line)

[45] Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831): filósofo alemão idealista. Como Aristóteles e Santo Tomás de Aquino, desenvolveu um sistema filosófico no qual estivessem integradas todas as contribuições de seus principais predecessores. Sobre Hegel, confira a edição 217 da IHU On-Line, de 30-4-2007, intitulada Fenomenologia do espírito, de (1807-2007), em comemoração aos 200 anos de lançamento dessa obra. Veja ainda a edição 261, de 9-6-2008, Carlos Roberto Velho Cirne-Lima. Um novo modo de ler Hegel; Hegel. A tradução da história pela razão, edição 430 e Hegel. Lógica e Metafísica, edição 482. (Nota da IHU On-Line)

[46] Michel Foucault (1926-1984): filósofo francês. Suas obras, desde a História da Loucura até a História da sexualidade (a qual não pôde completar devido a sua morte), situam-se dentro de uma filosofia do conhecimento. Foucault trata principalmente do tema do poder, rompendo com as concepções clássicas do termo. Em várias edições, a IHU On-Line dedicou matéria de capa a Foucault: edição 119, de 18-10-2004; edição 203, de 6-11-2006; edição 364, de 6-6-2011, intitulada 'História da loucura' e o discurso racional em debate; edição 343, O (des)governo biopolítico da vida humana, de 13-9-2010, e edição 344, Biopolítica, estado de exceção e vida nua. Um debate. Confira ainda a edição nº 13 dos Cadernos IHU em formação, Michel Foucault – Sua Contribuição para a Educação, a Política e a Ética. (Nota da IHU On-Line)

[47] Rio de Janeiro: Lamparina, 2003. (Nota da IHU On-Line)

[48] Edward Palmer Thompson (1924 – 1993): historiador britânico marxista. Em seus estudos, analisa como as experiências de classe influênciam e determinam as relações produtivas dentro das quais os homens nascem e são inseridos de modo involuntário. Suas pesquisas se estenderam desde a história do trabalho à historia da cultura, o que o inspirou a realizar estudos sobre sindicalismo, partidos, movimentos sociais, escravidão, motins. Entre 1965 e 1971, foi docente na Universidade de Warwich. Na década de 1970, lecionou em universidades estadunidenses como Pittsburg, Rutgers, Brown e Dartmoth Colloge. Em 1980, atuou como professor no Quen’s University de Kingston, no Canadá, e, no final da década, trabalhou na Universidade de Manchester, na Inglaterra. (Nota da IHU On-Line)

[49] André Vítor Singer: jornalista e cientista político brasileiro. Foi porta-voz da Presidência da República. Filho do economista Paul Singer, é professor do departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Confira as Notícias do Dia do IHU: Raízes sociais e ideológicas do lulismo. A análise de André Singer, e PT terá que se reposicionar diante do lulismo, afirma André Singer. (Nota da IHU On-Line)

[50] Jessé José Freire de Souza (ou Jessé Souza) (1960): professor universitário e pesquisador brasileiro. Em 2 de abril de 2015 foi nomeado pela Presidência da República ao cargo de presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cargo anteriormente ocupado por Sergei Suarez Dillon Soares. Foi demitido do cargo em maio de 2016, quando Michel Temer assumiu interinamente a Presidência, depois do afastamento de Dilma Rousseff. Eles concedeu inúmeras entrevistas para IHU On-Line, entre elas Nova classe média: um discurso economicista; e Ralés, batalhadores e uma nova classe média. (Nota da IHU On-Line).

[51] Marcelo Cortês Neri (1963): é um economista brasileiro. Foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) de setembro de 2012 até maio de 2014 e foi ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República de 22 de março de 2013 a 5 de fevereiro de 2015. É Doutor PhD em economia pela Universidade de Princeton, mestre e bacharel em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). (Nota da IHU On-Line)

[52] Marcio Pochmann (1962): economista e político brasileiro. Foi pesquisador visitante em universidades da França, Itália e Inglaterra, com pós-doutorado nos temas de relações de trabalho e políticas para juventude. Também atuou como consultor no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e no Dieese. Foi também presidente Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em Brasília. O IHU vem publicando uma série de entrevistas com o professor. Entre elas Valores da periferia estão mais próximos do anarquismo do que do liberalismo. Entrevista especial com Marcio Pochmann, publicada nas Notícias do Dia de 17-4-2017. (Nota da IHU On-Line)

[53] No sentido de preambulo, introdução. (Nota da IHU On-Line)

[54] SYRIZA: (Em português, Coligação da Esquerda Radical; em grego, Συνασπισμός Ριζοσπαστικής Αριστεράς, Synaspismós Rizospastikís Aristerás, abreviado SYRIZA) é um partido político de esquerda da Grécia, surgindo num momento de reestruturação da esquerda no mundo. Foi fundado em 2004 como uma aliança eleitoral de 13 partidos e organizações de esquerda, tendo como componente principal o partido Synaspismós (Em português, Coligação de Movimentos de Esquerda e Ecológicos- SYN; em grego Συνασπισμός της Αριστεράς των Κινημάτων και της Οικολογίας, Synaspismos tis Aristerás tu Kinīmátōn kai tis Oikologías). Em maio de 2012, o SYRIZA apresentou-se como um único partido. Vitorioso na eleição de janeiro de 2015, o líder do Syriza, Alexis Tsipras, foi empossado como primeiro-ministro para dirigir o novo governo da Grécia, viabilizando um governo de coalizão com o partido nacionalista conservador, Gregos Independentes. (Nota da IHU On-Line)

[55] Jair Bolsonaro [Jair Messias Bolsonaro] (1955): militar da reserva e deputado federal brasileiro. De orientação política de direita, cumpre sua sexta legislatura na Câmara, eleito pelo Partido Progressista. Foi o deputado mais votado do estado do Rio de Janeiro nas eleições gerais de 2014. Ficou conhecido pela luta contra os direitos LGBT. (Nota da IHU On-Line)

[56] Paolo Gerbaudo: professor de Cultura e Sociedade Digitaln o Departamento de Ciências Humanas Digitais no King's College London. Anteriormente, era docente associado em jornalismo e comunicação, no departamento de mídia da Universidade Middlesex e professor adjunto de sociologia na Universidade Americana do Cairo (AUC). Além de seu trabalho acadêmico, Paolo também atuou como jornalista em áreas que abrangem movimentos sociais, assuntos políticos e questões ambientais, e como um novo artista de mídia que exibe festivais e shows de arte. Ele possui um doutorado em mídia e comunicação da Goldsmiths College. (Nota da IHU On-Line)

[57] John Holloway (1947): advogado, sociólogo e filósofo marcista, cujo trabalho está intimamente associado ao movimento zapatista no México, seu lar desde 1991. Também se ocupou com alguns intelectuais associados aos piqueteros na Argentina ; O movimento AbahlaliMjondolo na África do Sul e o Movimento anti-globalização na Europa e na América do Norte. Atualmente é professor do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Autônoma de Puebla . (Nota da IHU On-Line)

[58] Manuel Castells (1942): sociólogo espanhol. Entre 1967 e 1979 lecionou na Universidade de Paris, primeiro no campus de Nanterre e, em 1970, na "École des Hautes Études en Sciences Sociales". No livro "A sociedade em rede", o autor defende o conceito de "capitalismo informacional". Foi nomeado em 1979 professor de Sociologia e Planejamento Regional na Universidade de Berkeley, Califórnia. Em 2001, tornou-se pesquisador da Universidade Aberta da Catalunha em Barcelona. Em 2003, juntou-se à Universidade da Califórnia do Sul, como professor de Comunicação. Segundo o Social Sciences Citation Index Castells foi o quarto cientista social mais citado no mundo no período 2000-2006 e o mais citado acadêmico da área de comunicação, no mesmo período. (Nota da IHU On-Line)

[59] Conspiração da pólvora" (Gunpowder Plot) na qual se pretendia assassinar o rei protestante Jaime I da Inglaterra e os membros do Parlamento inglês durante uma sessão em 1605, para assim dar início a um levante católico. Guy Fawkes era o responsável por guardar os barris de pólvora que seriam utilizados para explodir o Parlamento durante a sessão. Porém a conspiração foi desarmada e após ser interrogado sob tortura, Fawkes foi condenado a forca por traição e tentativa de assassinato. Outros participantes da conspiração acabaram tendo o mesmo destino. Sua captura é celebrada até os dias atuais no dia 5 de novembro, na "Noite das Fogueiras" (Bonfire Night). Nas jornadas de junho de 2013 no Brasil a máscara de Fawkes era usada por integrantes do black blocs. (Nota da IHU On-Line)

[60] Anonymous (adjetivo de origem inglesa, que em português significa anônimo ou anônimos): é uma legião que se originou em 2003. Representa o conceito de muitos usuários de comunidades online existindo simultaneamente como um cérebro global. O termo Anonymous também é comum entre os membros de certas subculturas da Internet como sendo uma forma de se referir às ações de pessoas em um ambiente onde suas verdadeiras identidades são desconhecidas. (Nota da IHU On-Line

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