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Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Um dos principais limites do Aceleracionismo, corrente teórica e filosófica que sugere a intensificação das lógicas capitalistas para que se acelere seu colapso e que tem entre seus principais nomes Mark Fischer e Nick Land, é seu caráter escatológico. A vertente é profícua em apontar e demonstrar os limites do capitalismo e a falta de imaginação política do presente, que parece sempre incapaz de pensar alternativas fora do sistema. Por outro lado, é precária em apontar alternativas compatíveis com os desafios contemporâneos. É aí que a dimensão amazônica entra no debate, mobilizando autores e pensamentos associados aos povos nativos do Brasil e do Sul global, que oferecem maneiras muito ricas de pensar o mundo para além do paradigma ocidental.

Giorgio Agamben e a impossibilidade de salvação da modernidade e da política moderna

Edição: 505

A imagem que ilustra a capa da revista IHU On-Line desta semana, a pintura de Charles Le Brum chamada A apoteose de Luís XIV (1677), sintetiza uma ideia central na obra de Giorgio Agamben: a modernidade nunca foi secular, mas profana. A paradoxal imagem que enaltece a força do Estado expresso na figura messiânica do rei mostra também o lado obscuro do poder, que pela força cria suas zonas de exclusão e exceção. Agamben está “convencido da impossibilidade de salvação da modernidade – e, por conseguinte, também da política moderna”, explica Patrick Baur, da Albert-Ludwigs-Universität.

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Em sua escuta na clínica psicanalítica, Sigmund Freud tinha acesso a um observatório privilegiado não apenas para estudar a psique humana, mas também para refletir acerca da “formação subjetiva do poder naquele momento de crise do mundo liberal clássico”, argumenta o psicanalista político Tales Ab’saber. Olhando para os fenômenos sociais em curso, quando escreve Psicologia de massas e análise do eu, em 1921, Freud analisava os construtos psíquicos que reverberavam em comportamentos subjetivos e também sociais, como a adesão a líderes fascistas como Hitler e Mussolini, cujo poder de hipnotismo irracional segue reverberando em pleno século XXI na personificação de presidentes como Bolsonaro, Trump e Orbán.