20 Mai 2026
A Fundação Contexto e Ação apoia o projeto, cujo objetivo é instalar painéis solares no Hospital Pediátrico Juan Manuel Márquez, em Havana, para evitar cortes de energia.
A informação é publicada por Ctxt, 18-05-2026.
Segundo fontes do governo, Cuba ficou sem reservas de combustível. A ilha, que está mergulhada em uma grave crise energética desde o início do ano e cuja severidade só aumenta, está perigosamente perto do colapso, com apagões que duram praticamente o dia todo.
Quando o governo Trump abalou o cenário geopolítico com sua intervenção imperialista na Venezuela, fez mais do que simplesmente sequestrar o então presidente Nicolás Maduro. Aproveitando-se da situação, os EUA intensificaram a pressão que vêm exercendo sobre Cuba há mais de 60 anos. O embargo, que sempre teve como objetivo desestabilizar o país a ponto de forçá-lo a aceitar a tutela americana, transformou-se em um estrangulamento completo com a eliminação de sua principal fonte de combustível, a Venezuela, o que resultou em isolamento absoluto quando qualquer país foi proibido de fornecer petróleo à ilha caribenha.
Cuba tem capacidade para produzir cerca de 40.000 barris de petróleo por dia, mas sua demanda chega a 100.000 barris. Assim, a combinação do bloqueio total e do esgotamento de suas reservas obriga o governo a lutar para manter em funcionamento serviços essenciais, como a saúde pública, cujo colapso teria consequências catastróficas.
Por todos esses motivos, a Fundação Contexto e Ação se une ao projeto Rumbo a Cuba, uma iniciativa contra o bloqueio desumano que coloca em risco a vida de milhares de pessoas que dependem dos recursos energéticos dos quais estão sendo privadas.
Esta ação está sendo lançada com um objetivo específico: transferir painéis solares para o Hospital Pediátrico Juan Manuel Márquez, em Havana, para que sua Unidade de Terapia Intensiva não dependa de uma rede elétrica que apresenta um risco crescente de falhas, com consequências muito graves para as crianças internadas em terapia intensiva.
Para isso, o navio Astral, pertencente à ONG Open Arms, prestará auxílio, fazendo diversas paradas em diferentes portos da Espanha antes de seguir para a ilha. Esta expedição simbólica, que teve início em 14 de maio, visa conscientizar a população sobre a campanha humanitária por meio de coletivas de imprensa e eventos de solidariedade. Seu sucesso em angariar apoio público determinará a força do esforço para romper o bloqueio, já que, além de promover a campanha, também serão arrecadados fundos para a compra, o transporte e a instalação dos painéis solares que este hospital necessita urgentemente diante do potencial colapso elétrico total que Cuba deverá sofrer nas próximas semanas. A meta inicial é arrecadar € 100.000, e doações podem ser feitas por meio deste link.
Há várias semanas, a Fundação Contexto e Ação vem denunciando a brutal intensificação do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba, um bloqueio que já dura mais de seis décadas. Esse bloqueio é expressamente concebido para infligir sofrimento aos membros mais vulneráveis da população por meio de uma punição coletiva ilegal e incompatível com os direitos humanos. Atualmente, os apagões na ilha são diários e duram entre 20 e 22 horas. Isso significa que o povo cubano tem apenas algumas horas de eletricidade por dia para realizar tarefas básicas, como cozinhar.
Muitas pessoas estão gastando grande parte de seus salários estocando lenha ou carvão para lidar com a falta de eletricidade, e a chegada do verão ameaça agravar a situação, já que a demanda na rede elétrica aumenta durante esses meses. De fato, cenas alarmantes já estão sendo presenciadas, como pessoas dormindo nos telhados de suas casas para tentar escapar das temperaturas sufocantes.
Para entender a dimensão do bloqueio, considere o seguinte: de dezembro de 2025 a abril de 2026 — quando chegou um carregamento de petróleo russo — o governo cubano informou ter recebido apenas um carregamento de combustível, enquanto o país precisa de oito carregamentos por mês para operar normalmente. O próprio presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, descreveu a situação como um “bloqueio energético genocida” devido às potenciais consequências caso não seja resolvido rapidamente.
Na quarta-feira passada, 13 de maio, o Ministro de Energia e Minas de Cuba, Vicente de la O Levy, declarou que não há "absolutamente nenhum combustível" ou "absolutamente nenhum diesel". Isso significa que a situação está em um ponto extremamente crítico para a população, especialmente entre os grupos demográficos mais vulneráveis, que vêm sofrendo com o bloqueio dos EUA há décadas. Como esperado, a intensificação atual dessa interferência criminosa por parte do governo Trump os afeta de forma mais severa.
Portanto, a Fundação Contexto e Ação não pode fazer outra coisa senão apoiar a iniciativa Rumbo a Cuba, juntamente com a Open Arms, e exigir que o governo espanhol, que até agora se manteve em silêncio, se posicione e implemente medidas para impedir essa violação dos princípios fundamentais do direito internacional. Não podemos normalizar o uso da privação de necessidades básicas para sufocar a população civil com o objetivo de subjugar um governo por razões ideológicas.
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