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Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

“A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos” - Oswald de Andrade O excerto que abre este editorial é a primeira estrofe do Manifesto da Poesia Pau-Brasil, escrito por Oswald de Andrade e publicado no Jornal da Manhã, em 18 de março de 1924. O texto é uma verdadeira ode à cultura e arte brasileiras, que, passado mais de um século, cai como uma luva para descrever a proposta deste número da Revista IHU On-Line, que busca valorizar o Natal a partir de uma perspectiva que se distancia dos signos do colonialismo e do capitalismo. Há uma Brasil, rico e profundo, que a mística do nascimento do Menino Deus se cruza com as tradições religiosas ibérica e cosmológicas africana e indígena para celebrar o nascimento daquele que é a figura mais conhecida do Ocidente, Jesus Cristo.

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Em sua escuta na clínica psicanalítica, Sigmund Freud tinha acesso a um observatório privilegiado não apenas para estudar a psique humana, mas também para refletir acerca da “formação subjetiva do poder naquele momento de crise do mundo liberal clássico”, argumenta o psicanalista político Tales Ab’saber. Olhando para os fenômenos sociais em curso, quando escreve Psicologia de massas e análise do eu, em 1921, Freud analisava os construtos psíquicos que reverberavam em comportamentos subjetivos e também sociais, como a adesão a líderes fascistas como Hitler e Mussolini, cujo poder de hipnotismo irracional segue reverberando em pleno século XXI na personificação de presidentes como Bolsonaro, Trump e Orbán. Para que a experiência de conversão à liderança de figuras históricas nas décadas de 1930 e 1940 funcionasse, assim como em nosso tempo continue a operar com sucesso, uma tríade de elementos é crucial: mentes vazias de pensamento crítico, abandono da autonomia e abandono da razão. Em seu lugar, o superego do líder autoritário lança suas raízes e se vale do uso do ódio como categoria política, “veneno automático e infinito” do qual Freud estava muitíssimo consciente. “O fascismo operacionaliza esse uso do ódio de forma muito eficaz, a qualquer momento evocando esse arcaísmo para a produção de poder, ainda mais quando o capitalismo mantém a competitividade, a lógica do desprezo social da sociedade de classes, os átomos do ódio em movimento, como se eles tivessem sido pacificados, só que não o foram”, pondera Ab’saber.

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Em 20 de setembro passado completaram-se 190 anos do início da Guerra dos Farrapos, também conhecida por Revolução Farroupilha. O episódio que está na gênese do que se tornaria o imaginário hegemônico em torno do “gaúcho”, sobretudo associado a uma visão romântica construída pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho – MTG, mais ou menos um século depois do fim do conflito entre os dissidentes sulistas e as tropas imperiais. As contradições mais evidentes desta história são conhecidas, como, por exemplo, o Massacre dos Porongos. Mas há um outro Rio Grande do Sul, que é bastante mais diverso e rico, manifesto na produção literária gaúcha – ficcional, jornalística e documental – que traz novos contornos à história do Estado, o que inclui, por exemplo, um grupo abolicionista de meados do século XIX.