Trump, o pirata do Caribe

Foto: Daniel Torok/Flickr

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05 Janeiro 2026

O mundo conheceu, na madrugada de sábado, um novo estilo de pirataria: o ataque a uma nação soberana, sequestrando, inclusive, o seu presidente e esposa, sob o argumento de combater o narcoterrorismo. Os Estados Unidos se dão o direito de impor sua soberania e de subordinar as Américas às suas exigências de segurança, segundo da Doutrina Monroe, de 1823! Foi isso que resultou da “Operação Resolução Absoluta”. Em nenhum momento a Venezuela foi uma ameaça, como nação-Estado, à segurança do “pirata tio Sam”.

A reportagem é de Edelberto Behs

Trump classificou a operação de “um sucesso extraordinário”. Mencionou que os Estados Unidos “eliminaram 97% (sem qualquer comprovação) das drogas que entram no país via marítima”. Também informou que “vamos governar o país até que possamos fazer uma transposição segura, adequada, criteriosa”. Também na infraestrutura petrolífera, que está “em péssimo estado”, e “começar a gerar lucro para o país”. Qual dos dois países? E o que farão da vice-presidente executiva da Venezuela, Delcy Rodríguez? Também vão sequestrá-la, eliminá-la?

O Secretário da Guerra estadunidense, Pete Hegseth, declarou que o presidente Trump “está falando muito sério sobre impedir o fluxo de gangues e violência para o nosso país”, “muito a sério sobre recuperar o petróleo que nos foi roubado e está falando muito sério sobre restabelecer a dissuasão e a dominância americanas no Hemisfério Ocidental”. Petróleo roubado? Quando isso? Está sendo roubado agora, do povo venezuelano.

Que os seus secretários puxem o saco de Trump é mais do que compreensível. Agora, ter líderes evangélicos aplaudindo a ação do governo dos Estados Unidos sem questionamentos é uma safadeza e uso do seu poder narrativo para persuadir suas ovelhas.

Do exílio na Flórida, o fundador da Marcha para Jesus na VenezuelaAristóteles López, descreveu a captura de Maduro como uma intervenção divina. Deus demonstrou que “nunca se esqueceu da Venezuela”, declarou ao The Christian Post. Pediu orações ao “povo remanescente” para que permaneça em oração contínua para consolidar essa vitória.

O presidente da Associação Evangelística Billy Graham definiu Trump como um líder que “cumpre o que promete”. Ativista conservador da Carolina do Norte, o pastor John Amanchukwu descreveu o presidente Maduro como “o monstro” e concluiu que sua captura salvou vidas. Jack Graham, um batista do Sul, elogiou Trump por fazer “justiça aos malfeitores em todo o mundo” e descreveu a operação como um exemplo da “paz através da força”. O pastor egípcio-americano, fundador da Igreja dos Apóstolos em Atlanta, Michael Youssef, disse que Trump “renovou as esperanças de milhões de pessoas oprimidas em todo o mundo”. Inclusive os imigrantes nos Estados Unidos? Também alertou que a ação do presidente estadunidense é uma mensagem global para governos autoritários  em todo o mundo.

Recorrendo ao Salmo 34, versículo 14 - Afasta-te do mal e faze o bem; busca a paz e segue-a – o secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas, Dr. Jerry Pillay, em contraponto, definiu o ataque dos Estados Unidos à Venezuela como “violações flagrantes do direito internacional”. Essas ações, prosseguiu, “estabelecem um precedente perigoso e um exemplo para outros que buscam ignorar  todas as restrições ao uso da agressão armada e da força bruta para atingir objetivos políticos”. Pediu ações imediatas da ONU e da OEA para que tomem medidas rápidas e assim “garantir que todos os membros respeitem as cartas e convenções relevantes”.

Principalmente os Estados Unidos, que tem algo como 76 instalações de uso militar de algum tipo espalhadas pelas Américas. Há povo nas ruas de Caracas comemorando a prisão de seu presidente. Mas não se dão conta do que isso significa em termos de soberania. Venezuelanos devem resolver os problemas de venezuelanos.

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