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Por: André | 21 Janeiro 2015

O anúncio do bispo castrense Juan Barros Madrid (foto), para a diocese de Osorno, causou imediata reação de desconforto em diversos setores do país, por se tratar de um colaborador próximo a Fernando Karadima. “É evidente que a nomeação de mons. Barros como bispo de Osorno não responde à linha de governo do Papa Francisco, concluindo-se que o papa não fora devidamente informado nem aconselhado nesta decisão, especialmente se se considera que os vínculos de mons. Barros com Fernando Karadima eram conhecidos”, afirma, em editorial, o conselho editorial da revista chilena Reflexión y Liberación, 16-01-2015. A tradução é de André Langer.

 
Fonte: http://bit.ly/1uhJVCM  

Eis o editorial.

O país tomou conhecimento da informação dada pela Sala de Imprensa do Vaticano no sábado, 10 de janeiro, na qual assinala que o Papa nomeou, para a diocese de Osorno, o bispo Juan Barros Madrid, até agora Ordinário Militar para o Chile.

O anúncio causou imediata reação de desconforto em múltiplos setores do país, por se tratar de um colaborador próximo a Fernando Karadima, condenado canonicamente por graves crimes de abuso contra menores e outras gravíssimas faltas contra o exercício do ministério sacerdotal, crimes também comprovados pela justiça penal chilena, que não pôde sancioná-los por terem prescrito.

O desconcerto e o incômodo foram expressos pelo clero, pela vida religiosa, por fiéis leigos e leigas, por cidadãos e, obviamente, pelas vítimas de Karadima. As redes sociais e a imprensa deram conta da indignação; na diocese de Osorno foi organizada uma campanha de coleta de assinaturas para protestar pela dita nomeação, reunindo, até a presente data, cerca de duas mil assinaturas.

De acordo com as vítimas, que gozam de ampla credibilidade social no país, o bispo Barros, na sua condição de discípulo incondicional de Karadima – como seminarista, sacerdote e bispo – teria exercido um papel de colaboração, cumplicidade, encobrimento e obstrução da Justiça. Entre os fatos que lhe são imputados estão: a participação em atos de conotação sexual com Karadima, incluindo toques e beijos; assédio contra seminaristas; destruição de documentação na fase de denúncia dos crimes; o envio de cartas e viagem a Roma para advogar pela inocência do sacerdote.

Atendendo à evolução dos fatos, surge como evidência uma nova deterioração da imagem social da Igreja chilena, onde a novidade consiste em que, desta vez, o dano está associado a uma decisão do Papa Francisco como responsável pela nomeação. Isso contrasta com o grande carinho e respeito que o papa desperta entre os chilenos e chilenas. Também chama a atenção porque existe certeza sobre a severidade com que o Papa Francisco enfrentou os abusadores e seus cúmplices.

Portanto, é evidente que a nomeação de mons. Barros como bispo de Osorno não responde à linha de governo do Papa Francisco, concluindo-se que o papa não fora devidamente informado nem aconselhado nesta decisão, especialmente se se considera que os vínculos de mons. Barros com Fernando Karadima eram conhecidos.

Consequentemente, muitos se perguntam: por que o papa não foi devidamente informado nem aconselhado nesta importante nomeação episcopal?

Não é fácil responder a tão delicado questionamento, especialmente quando se sabe que o bom conselho é sempre uma manifestação de amor e lealdade.

Cabe precisar que nas nomeações episcopais intervêm na formação das ternas o núncio apostólico, o presidente da Conferência Episcopal e alguma outra autoridade eclesiástica; responsabilidades que, no caso do Chile, recaem sobre dom Ivo Scapolo e o cardeal Ricardo Ezzati.

Quando o papa enfrenta em Roma e em outras partes do mundo uma crescente oposição nas estruturas da Igreja, tanto por seu espírito reformista como por sua denúncia profética da corrupção eclesial, a nomeação de um bispo que não reúne a exigência de ser “irrepreensível”, parece comunicar uma mensagem severa dos conselheiros do papa à Igreja chilena.

A severidade dessa mensagem não fere apenas a relação dos pastores com seu povo, mas, o que é mais grave, vitimiza novamente aqueles que foram violentados sexual e psicologicamente por um ministro da Igreja e pela cumplicidade de seus superiores.

Em razão disso, e somando-nos aos sentimentos de proximidade e contenção que sempre manifestou o Papa Francisco às vítimas de abusos, como membros da Igreja Povo de Deus expressamos um profundo clamor de perdão, carinho e admiração por sua coragem às vítimas inocentes de Fernando Karadima. E, em um gesto de solidariedade, acompanhamos a Igreja de Osorno em sua dor e frustração, somando-nos ao seu clamor para reverter a nomeação de Juan Barros como bispo da diocese de Osorno.

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