Igreja no Chile. Na encruzilhada ou a crise dos pastores

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Por: André | 29 Outubro 2013

A Igreja no Chile vive tempos difíceis. Desacreditada e desanimada em decorrência de vários escândalos públicos, enfrenta uma grave crise de bispos. 20% do episcopado espera uma mudança urgente, mas o núncio apostólico encontrou enormes problemas para indicar novos pastores. Além disso, o Vaticano estava com tudo pronto para iniciar auditorias em duas dioceses, mas as mesmas foram sustadas no último momento.

 
Fonte: http://bit.ly/18uPIsm  

A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez e publicada no sítio Vatican Insider, 28-10-2013. A tradução é de André Langer.

O Chile é um país pequeno, situado na vasta região sul-americana do “fim do mundo” da qual procede o Papa Francisco. Conta com apenas 30 bispos em exercício. Embora seis destes devam ser substituídos em breve, o núncio Ivo Scapolo parece não ter pressa. E sua lentidão já despertou preocupações.

Desde a sua nomeação como embaixador vaticano, em 15 de julho de 2011, Scapolo conseguiu encaminhar a nomeação de apenas dois bispos: o auxiliar de Santiago, Pedro Ossandón Buljevic (10-07-2012) e do titular de Temuco, Héctor Vargas Bastidas (14-05-2013). Nada se sabe, ao contrário, sobre possíveis candidatos para ocuparem outras duas sedes que permanecem vacantes há meses: San Marcos de Arica e Iquique.

Esta última diocese sofreu o escândalo de seu bispo anterior, Marco Antonio Órdenes, que a abandonou repentinamente em meio a um nebuloso escândalo sexual. O núncio Scapolo teve que investigar o caso e, inclusive, viu-se obrigado a ir buscar o pastor no outro lado da fronteira com o Peru, onde havia se refugiado.

Além das sedes vacantes, outros quatro bispos já apresentaram suas renúncias obrigatórias, após terem completado a idade de 75 anos. Mas nem falar em substituí-los, embora três deles já tenham ultrapassado os 77 anos. Manuel Donoso, de La Serena e seu auxiliar, Luis Gleisner Wobbe, assim como Gaspar Quintana, de Copiapó. Completa a lista Enrique Troncoso, de Melipilla.

À lentidão nas substituições somam-se outros problemas. Quatro bispos na ativa (o auxiliar de Santiago, Andrés Arteaga Manieu, o castrense Juan Barros Madrid, o de Linares, Tomislav Koljatic Maroevic, e o de Talca, Horacio Valenzuela Abarca) são discípulos de Fernando Karadima, o poderoso sacerdote condenado pela Santa Sé após acusações de abusos sexuais contra menores.

Na época, eles defenderam a ferro e fogo o seu mentor, inclusive já quando o Vaticano havia dado a sentença definitiva. Por todos os meios tentaram desacreditar as vítimas. Há algumas semanas, o escândalo se reavivou depois que vazaram à imprensa cartas com férreas defesas de sacerdotes, dirigidas a Roma e assinadas por eles.

A queda de Karadima significou uma forte estremecida para a Conferência dos Bispos do Chile, cuja Comissão Permanente obrigou esses quatro bispos a pedirem perdão por terem apoiado o seu outrora guia espiritual. Eles o fizeram, mas bem contrariados e em meio a uma situação muito tensa.

Como se tudo isso fosse pouco, outras dioceses encontram-se sob suspeita. Por exemplo, San Felipe, cujo responsável, Cristián Contreras Molina, foi alvo de graves acusações de tipo moral. Embora as denúncias sejam fruto de uma briga interna entre sacerdotes, a Nunciatura Apostólica está realizando uma série de pesquisas a este respeito.

A demarcação eclesiástica de Valparaíso também passa por momentos complicados depois que Mauricio Pulgar e Sebastián del Río, ambos expulsos do seminário, levantaram o dedo contra o regime imperante nessa casa de estudos.

Estes últimos dois casos alcançaram tal magnitude que motivaram um estudo especial por parte da Santa Sé, em cujos escritórios chegou-se a autorizar a realização de duas visitas apostólicas, ou seja, profundas auditorias. Tudo estava pronto para o seu início até que, em junho, o núncio Ivo Scapolo viajou a Roma. Bastou uma série de reuniões do embaixador com os chefes de alguns ministérios vaticanos para que as visitas ficassem suspensas até novo comunicado. Sem dar explicações.

De qualquer maneira, as dificuldades permanecem. Como confessou preocupado ao Vatican Insider um conhecedor sacerdote chileno: “Temos o episcopado mais fraco da nossa história, com bispos que não falam, que não batem na mesa, ‘cachorros calados’, diria o profeta, ninguém se arrisca por ninguém; vê-se que estão assustados e fracos. Há um ambiente de muita desolação”.

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