George Pell é vaiado ao negar saber das acusações de pedofilia

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03 Março 2016

Interrompido por vaias, um dos principais assessores do Papa Francisco negou a acusação de que o seu depoimento em uma investigação sobre casos de abusos sexuais estava sendo uma tentativa de tirar a culpa da Igreja Católica por transferir, de paróquia em paróquia, o pior padre pedófilo da Austrália.

A reportagem é de Rod McGuirk, publicada por Crux, 01-03-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O cardeal australiano George Pell era sacerdote na década de 1970 no município de Ballarat, onde assessorava Dom Ronald Mulkearns no tocante a transferência de padres dentro da diocese.

Pell, hoje o principal assessor papal para assuntos financeiros do Vaticano, contou à Comissão Real para Respostas Institucionais a Casos de Abuso Sexual Infantil da Austrália que não fazia ideia de que Gerald Ridsdale estava sendo deslocado, repetidas vezes, pelo bispo durante mais de uma década por causa de acusações de pedofilia.

O cardeal rejeitou uma acusação feita pela advogada que está auxiliando a Comissão, Gail Furness, segundo a qual as suas respostas estavam buscando dirimir a sua própria responsabilidade pelos crimes de Ridsdale.

“As minhas respostas foram pensadas para responder às suas perguntas de forma precisa e completa”, disse Pell aos investigadores em Sydney via videoconferência direto de um hotel em Roma.

Perguntado se aceitava alguma responsabilidade pelas repetidas transferências de Ridsdale dentro da Diocese de Ballarat, Pell declarou: “Não, não aceito”.

A Comissão Real – ou “Royal Commission” que, na Austrália, é a forma mais alta de investigação – está averiguando como Pell lidava com as acusações de abuso quando foi padre, educador e assessor de Mulkearns, assim como a maneira que a Arquidiocese de Melbourne respondeu às queixas de abuso sexual clerical, inclusive quando Pell atuava como bispo auxiliar nessa jurisdição.

Esta terça-feira foi o segundo dia de depoimentos para o clérigo de 74 anos, que, por causa de um problema no coração, não pôde viajar para a Austrália para depor pessoalmente na investigação que se debruça sobre décadas de abusos infantis no país.

Na segunda-feira, Pell chamou o tratamento dado por Mulkearns ao caso Ridsdale de uma “catástrofe para a Igreja”. Disse que Mulkearns era um forte candidato para ir ao tribunal vaticano dos bispos negligentes, embora não haja nenhum indicativo de que o religioso, já em idade avançada, venha a enfrentar algum processo.

O presidente da Comissão, Peter McClellan, perguntou a Pell na terça-feira se não era de se surpreender que ele, o cardeal, não tivesse ouvido os rumores acerca do escândalo que Ridsdale havia criado na diocese.

“Não necessariamente, dado o trabalho que eu estava realizando”, respondeu Pell. “Eu não estava trabalhando em tempo integral na diocese”.

Furness disse que, na qualidade de assessor do bispo – membro de um grupo de padres em Ballarat conhecido como “College of Consultors” –, ele deveria ter questionado por que motivo Ridsdale era frequentemente transferido.

“Fiquei satisfeito em ouvir o bispo dizer que eram apropriadas para Ridsdale estas transferências”, respondeu Pell.

“Uma linguagem educada e eufemística (...) era regularmente empregada por Mulkearns nessas ocasiões.
Assim, alguns de nós éramos mantidos na ignorância”.

Pell acompanhou Ridsdale a um tribunal em 1993 quando o pedófilo enfrentava as suas primeiras acusações por molestar crianças. O sacerdote fora condenado em 1993, 2006 e em 2013 por abusar sexualmente de mais de 50 crianças.

Pell chamou de extraordinária a recusa de Mulkearns em agir contra as acusações contra Ridsdale.

“Infelizmente, terei de dizer que não consigo lembrar de um outro bispo cujas ações são tão graves e inexplicáveis”, disse.

Pell concordou com McClellan em que, mesmo se um padre não tenha a responsabilidade legal de deter os crimes como os de Ridsdale, ele possui a responsabilidade moral em fazer o que estiver ao seu alcance para evitar os abusos.

“Acho que essa é uma proposição razoável”, Pell declarou.

Em dezembro, a Comissão Real aceitou o aconselhamento médico de que Mulkearns, de 85 anos, estava morrendo e não apto a depor. Ele foi bispo de Ballarat entre 1971 e 1997, quando se aposentou.

Um ex-assessor do bispo, o Pe. John McKinnon, contou à Comissão em dezembro que Mulkearns estava “profundamente arrependido” por realocar padres pedófilos suspeitos, mas que não mais conseguia se lembrar de detalhes.

Ballarat, cidade natal de Pell, ficou devastada com a divulgação sobre uma série de vítimas de abuso, dezenas das quais acabaram se matando em um conjunto de suicídios relacionados a abusos clericais.

Duas dúzias de sobreviventes australianos e seus companheiros viajaram até Roma para acompanhar o depoimento de Pell em uma sala de hotel, em uma demonstração significativa de responsabilização na longa saga da Igreja em torno desses abusos.

Pell disse que os padres não discutiram com ele as alegações contra Ridsdale.

O depoimento de Pell foi interrompido por vaias do público enquanto explicava o enquadramento moral na qual os padres vivem.

“Trabalhamos dentro de um enquadramento do ensino moral cristão, ou, com certeza, deveríamos trabalhar; e discutir as falhas secretas dos outros não é incentivado”, disse.

Furness falou a Pell que os crimes de Ridsdale não eram “segredos”, visto que eram de conhecimento comum nas cidades de Apollo Bay e Inglewood, onde Ridsdale havia sido pároco e a polícia havia relatado suspeitas à Igreja.

O cardeal afirmou que não sabia que os abusos sexuais eram de conhecimento comum em Inglewood.

“Não sei se era de conhecimento comum ou não. Era uma história triste e não me era de grande interesse”, disse Pell, seguindo de suspiros e vaias do público.

No lado de fora do hotel, Andrew Collins, vítima de abuso sexual em Ballarat, disse que achou “absolutamente inacreditável” o fato de Pell negar saber dos relatos de pedofilia contra Ridsdale.

“Ele sempre foi visto como um homem ambicioso, e as pessoas ambiciosas têm conhecimento. Elas anseiam por conhecimento”, disse Collins aos repórteres.

“Essas pessoas sabem de tudo o que está acontecendo, e ele não estaria no cargo que está hoje caso tivesse sido o tipo de pessoa que se senta e não presta atenção ao que se passa”, acrescentou.

Antes do depoimento na terça-feira, Pell disse aos repórteres: “Eu conto com todo o apoio do papa”.

O Vaticano disse que uma audiência privada que Pell teve com o papa na segunda-feira era um compromisso há muito tem programado, relacionado com os deveres do cardeal na qualidade de ministro de finanças da Santa Sé, nada tendo a ver com as audiências em curso.

Pell irá depor pela terceira sessão de quatro horas no fim desta terça-feira, horário de Roma.

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