Cardeal Pell é interrogado sobre a transferência de um padre pederasta que abusava de crianças em série

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Por: André | 02 Março 2016

O cardeal George Pell foi interrogado sobre a transferência de uma paróquia para outra de um padre pederasta serial, Gerald Risdale, durante a época em que o atual prefeito da Secretaria para a Economia, do Vaticano, era vigário episcopal para a educação na diocese de Ballarat.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada por Vatican Insider, 01-03-2016. A tradução é de André Langer.

Durante a segunda audiência na Royal Commission into Institucional Responses to Child Sexual Abuse australiana, o cardeal Pell respondeu, no domingo à noite, em Roma, através de uma videoconferência. O cardeal disse que não sabia que o padre era pederasta, apesar de que fosse do conhecimento de duas paróquias e de diferentes personalidades da diocese, e afirmou que o então bispo dessa época, dom Ronald Mulkearns, lhe havia mentido deliberadamente.

“Eu não sabia nada sobre sua pederastia. Sabia que era uma pessoa difícil em certos aspectos e, obviamente, que tinha sido transferido com frequência”, disse Pell, que destacou que essas transferências “não eram comuns”, mas que também podiam depender de diferentes fatores. Pell indicou que depois da prisão do padre, em 1993, a decisão de transferi-lo era “inaceitável” e disse concordar com a afirmação de que a Igreja não foi capaz de proteger as crianças de Ballarat. “Claro, foi um gigantesco fracasso”.

Os comissários recordaram que nessa época, entre 1977 e 1979, havia provas de que o bispo, vários de seus colaboradores (a começar por D. Leo Fiscalini) e duas paróquias estavam a par das acusações de pederastia que circulavam contra o padre, Pell insistiu em que ninguém compartilhou com ele esta informação e destacou que na época não existia a mesma difusão de notícias que existe hoje, que ele não estava presente todo o tempo na organização diocesana e que ele pessoalmente não estava interessado nos rumores (“gossip”).

O cardeal, que nessa época trabalhava em uma diocese que se encontrava distante da de Ridsdale, disse, suscitando reações entre os presentes à audiência na Austrália, que os rumores sobre os abusos do padre eram “uma história triste, mas com pouco interesse para mim”, e acrescentou que “eu não tinha razões para dirigir minha mente para o mal que Ridsdale praticava”.

As perguntas dos comissários Gail Furness e Peter McClellan concentraram-se particularmente sobre um encontro de 1982, do qual Pell participou com outros dois assessores, durante o qual o bispo Mulkearns decidiu transferir Ridsdale de Mortlake para Sidney. “Por parte do bispo não houve nenhuma referência à pederastia de Gerald Ridsdale nesse encontro”, afirmou, acusando o bispo de comportamento “grave e inexplicável”, porque o teria enganado com uma “mentira”.

A explicação que Pell deu sobre esta atitude que atribuiu ao bispo foi que “queria evitar que eu compartilhasse sua culpa” e “não queria que eu e outras pessoas fizéssemos perguntas a este respeito”. “Se chegássemos à conclusão de que você sabia, também você seria culpado?”, perguntou McClellan. “Exato”, respondeu o cardeal, que também afirmou que o Pe. Henry Nolan, vigário-geral e seu primo, não lhe disse nada sobre suas perplexidades em relação à convivência de Ridsdale com um adolescente de 14 anos que sofreu abusos por parte do padre.

Estavam presentes no Hotel Quirinale, em Roma, onde aconteceu a videoconferência, 15 pessoas que sofreram abusos por parte de padres australianos quando eram menores de idade. Puderam viajar a Roma graças a uma campanha para angariar fundos. Entre elas estava o sobrinho de Ridsdale, David, que também sofreu abusos de seu tio. O cardeal Pell, ao chegar, no domingo à noite ao hotel, disse que tinha todo o apoio do Papa.

Na noite da terça-feira houve nova audiência. E, caso for necessário, haverá uma nova audiência nesta quarta-feira à noite.

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