“A Igreja existe para todos, não apenas para aqueles que têm fé”. Entrevista com Tomáš Halík

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03 Junho 2020

A pandemia é um "sinal dos tempos" para a Igreja, chamada a sair de seu confinamento espiritual, de acordo com no sociólogo e teólogo tcheco. Para este padre ordenado clandestinamente sob o regime comunista, o futuro da Igreja passa pelo diálogo com a cultura contemporânea.

A entrevista com Tomas Halik é editada por Céline Hoyeau, publicada por La Croix, 30-05-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Como você viveu o confinamento e o que você tirou dessa situação pessoalmente?

Durante o período letivo universitário, minha vida é muito movimentada, entre aulas na universidade, no exterior, a direção da paróquia e a Academia Cristã Tcheca, sem esquecer a participação em projetos de pesquisa internacionais. Assim, todo verão, há vinte anos, passo um mês na floresta, em total solidão: não tenho acesso à mídia ou à internet, fico apenas meditando, estudando e escrevendo. Sem esse silêncio, eu não teria sobrevivido fisicamente, mentalmente e, acima de tudo, espiritualmente. O confinamento imediatamente me pareceu um "eremitério substituto". Na realidade, não foi nada disso: passei o tempo dando palestras on-line para estudantes e meditações para meus paroquianos. No entanto, tentei reservar tempo todos os dias para meditar serenamente e continuar o que tentei desenvolver nos últimos anos: uma "kairologia", isto é, uma interpretação teológica dos eventos sociais e culturais, uma leitura contemplativa dos "sinais dos tempos". É algo que me parece indispensável na situação atual.

Essa crise tem, para você, algo semelhante ao "confinamento" que você viveu sob o regime comunista, na Igreja clandestina?

É verdade que, em parte, me lembrou os onze anos em que servi "clandestinamente" como padre sob perseguição comunista. Também naquela época, celebrei a Páscoa em casas particulares, em uma mesa comum, sem música, órgão ou incenso. Mas a dissidência cultural e religiosa não era tão isolada na Tchecoslováquia nos anos 70-80 do século passado. Muitos filósofos e teólogos vieram a Praga oficialmente por motivos turísticos e realizaram conferências em apartamentos particulares - Paul Ricoeur, Jacques Derrida, Walter Kasper, Hans Küng ... Não era mais o terror dos anos 1950, quando a geração de nossos professores tinha conhecido na prisão e nos campos de concentração stalinistas a experiência de pequenas assembleias secretas com um pedaço de pão contrabandeado etc. Alguns interpretaram isso como uma lição de Deus para purificar a Igreja do triunfalismo do passado. Então, após sua libertação, no final dos anos 1960, eles imediatamente entenderam o espírito do Vaticano II, aquela Igreja simples, ecumênica e aberta com a qual haviam sonhado durante sua detenção ...

Você também faz parte desta herança. O que o levou à fé em um dos países mais ateus do mundo?

Eu cresci em uma família intelectual em Praga, caracterizada por um espírito de humanismo laico. Em minha casa, considerávamos o cristianismo como parte da herança cultural do passado. Nas décadas de 1950 e 1960, a Igreja havia sido expulsa da vida pública, e eu não conheci nenhum católico praticante antes da idade adulta. Minha jornada de fé passou por vários estágios. Começou com um fascínio estético pela arte, pela arquitetura eclesiástica e música espiritual. A contestação política do regime, que impôs militarmente uma ideologia ateísta, também teve um papel importante. Depois veio a inspiração intelectual através da literatura - Graham Greene, François Mauriac, Georges Bernanos, Léon Bloy, G.K. Chesterton, etc. Durante a primavera de Praga, em 1968, conheci toda uma geração de padres, teólogos e intelectuais católicos que estavam voltando da prisão. Foi então que a Igreja assumiu um rosto humano para mim. Foi também a época em que fui para o Ocidente pela primeira vez - para um intercâmbio na Holanda, depois na Grã-Bretanha, onde eu estava bem na época da ocupação da Tchecoslováquia pelo exército soviético. Era agosto de 1968. Pensei em ficar no exterior. Mas a carta de amigos que me contaram que muitos tchecos emigraram e que a oposição estava muito enfraquecida me fez voltar.

Sua fé estava intimamente ligada a esse contexto de resistência ...

Sim. Logo após meu retorno, meu colega imolou-se com o fogo para protestar contra o início da colaboração e o enfraquecimento da resistência. Fiquei muito abalado e organizei um requiem para ele. Levei sua máscara mortuária para a igreja, depois para a faculdade de arte, e foi um momento crucial para mim. Eu tive algum tipo de diálogo interior com meu colega falecido. Como se o gesto dele me lançasse um desafio ao qual eu tinha que responder. Ao que eu teria doado a minha vida? Acho que foi o começo da minha decisão de me tornar padre, mas naquela época havia apenas um seminário na Boêmia, controlado pela polícia secreta. Apenas candidatos sem formação universitária eram admitidos. Mas estava terminando meus estudos em filosofia e sociologia. Durante a entrega do diploma doutorado, em meu discurso agradeci aos professores que haviam sido expulsos da universidade por razões políticas e encerrei com uma citação de Karel Capek: "A verdade importa mais que o poder, porque é permanente".

Você sabia que isso lhe causaria problemas ...

É claro. Eu estava na lista negra do regime: até o final do comunismo, não tive permissão para ensinar na universidade, publicar ou viajar para o Ocidente, e fui submetido a vários interrogatórios pela polícia secreta. Exerci várias profissões, em particular fui psicoterapeuta de alcoolistas e dependentes químicos (de 1984 a 1990 no Centro Hospitalar de Praga, ndr). A única maneira de me tornar padre era eu estudar teologia secretamente e ser ordenado clandestinamente em Erfurt, na Alemanha Oriental. Nem minha mãe ficou sabendo. Foi pouco antes da entronização de João Paulo II, em outubro de 1978. Entrei para um conselho clandestino de padres e leigos que refletiam sobre a estratégia da Igreja naquelas condições difíceis e sobre o futuro, e me tornei um colaborador próximo ao cardeal Tomasek, que era um símbolo de resistência ao regime.

Você conheceu a dificuldade de ser cristão sob um regime abertamente ateu. As coisas se tornaram mais simples hoje, apesar da indiferença e do relativismo?

Prefiro responder com uma anedota judaica. Na sinagoga, estava escrito: "Quem entra com a cabeça descoberta, faz o mesmo que adúltero". No dia seguinte, alguém escreveu: "Experimentei ambas as coisas, mas são incomparáveis!". Eu fiz a experiência do comunismo e da democracia liberal: não há nada de comparável! Naquela época, acima de tudo, precisávamos de coragem, hoje precisamos de sabedoria, para discernir com cuidado, longe de qualquer visão maniqueísta do mundo.

O que permite que essa sabedoria cresça? Quais são seus recursos espirituais?

O principal para mim é a contemplação. Devemos acalmar nossas primeiras reações imaturas ao que está acontecendo ao nosso redor e dentro de nós. Nosso "homem exterior", nosso ego, frequentemente permanece no limiar e não quer nos deixar passar. Mas Jesus diz: "Eu sou a porta".

Acima da minha cama, há uma grande imagem moderna de Cristo ressuscitado, mostrando suas feridas.

Antes de adormecer e ao acordar, medito sobre essas feridas. As feridas de Jesus são a porta do Pai. E as feridas do nosso mundo são as feridas de Jesus: essa pandemia, a crise ecológica, a pobreza, os abusos na Igreja ... Não podemos ignorá-las, sem isso não temos o direito de dizer com o apóstolo Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!". São o lugar onde encontramos Jesus hoje. Eu não acredito em um Deus sem feridas, em uma fé sem feridas, em uma Igreja sem feridas.

Você foi psicoterapeuta por muito tempo. O que a psicologia lhe deu?

Minha formação, inspirada em particular em Jung, me ajudou na minha prática de confessor. Também me permitiu identificar diferentes tipos de religiosidade, frequentemente relacionados a diferentes bases psicológicas.

Alguns usam a religião como uma ferramenta para defender uma identidade cultural, por exemplo. Às vezes são rígidos, autoritários ... Para outros, porém, a religião é vivida por si mesma, como um caminho espiritual, e esses são mais tolerantes, sensíveis e de mente aberta. A religião pode ser um remédio, mas, também, pode ser uma arma.

Isso se relaciona com o que você escreve sobre a fé e a dúvida, que são como "irmão e irmã" ...

A sem pensamento crítico pode levar ao fanatismo e à intolerância. Até o ateísmo crítico (não estou falando de ateísmo dogmático estúpido, que é de fato uma pseudo-religião) pode ser um "servo da teologia": pode ajudar a purificar nosso pensamento de Deus da idolatria, das projeções de nossos medos e de nossos desejos. Precisamos da dialética entre fé e dúvida. Não tanto dúvidas sobre Deus, quanto dúvidas sobre nosso conceito de Deus, sobre o qual projetamos muitas expectativas ... Parece-me que não deveríamos esperar da fé que ela forneça respostas para todas as nossas perguntas. Antes, devemos encontrar nela a coragem de entrar na penumbra do mistério e levar as muitas questões abertas e os paradoxos da vida. A não deve deixar de procurar e fazer perguntas, não deve se petrificar em uma ideologia, nem abandonar sua abertura a um futuro escatológico.

Como o cristianismo ainda pode ser uma fonte para as nossas sociedades?

A época do cristianismo foi superada. Somos uma voz entre outras na sociedade civil, mas essa voz deve ser clara. Devemos entrar no debate público sobre temas sociais importantes. A metáfora do Papa Francisco sobre a Igreja, "hospital de campo", me parece muito significativa. Um ótimo hospital deve fazer um diagnóstico, terapia, cura e imunidade. Hoje existem tantas ideologias muito perigosas e precisamos de um sistema imunológico.

A crise da globalização da última década fez aflorar nacionalistas e demagogos, perigosos populistas de ambos os lados do Atlântico. E temo que as consequências econômicas e sociais da pandemia afetem o cenário político internacional. O Ocidente subestima muito a guerra híbrida travada pela Rússia de Putin. Com sua propaganda e apoio financeiro, sustenta os nacionalistas e destrói a confiança na União Europeia. Essa propaganda geralmente funciona para os católicos conservadores. A desintegração da União Europeia seria o suicídio coletivo das nações europeias. As igrejas, as universidades devem ser um antivírus contra essas doenças.

Se a Igreja deve desempenhar um papel terapêutico e ser um "hospital de campo", não pode ficar satisfeita com seu ministério pastoral clássico na paróquia e com as formas tradicionais de sua atividade missionária. Na minha opinião, em uma sociedade pluralista secularizada, deve ampliar e aprofundar radicalmente o que os capelães já fazem em hospitais, prisões, exército, sistema de ensino ... Ou seja, estar ali para todos, e não apenas para aqueles que tem fé. Oferecer a todos um acompanhamento espiritual sem proselitismo, arrogância clerical ou paternalismo, em um diálogo e parceria reais, sem se colocar unicamente na posição de quem ensina, mas também aceitar aprender com os outros. Para mim, é o modelo da futura Igreja. Se quer permanecer Igreja e não se dobrar sobre si mesma como uma seita, deve sofrer uma mudança radical em sua percepção de si mesma e de seu ministério no mundo.

Como a sua vida o trouxe a essa reflexão?

O catolicismo francês nos ajudou muito a interpretar teologicamente nossa situação durante o comunismo. Nossa experiência como padres na Igreja clandestina lembra de muitas maneiras a missão dos "padres-operários". Até hoje, permaneci fiel a essa unidade do sacerdócio e da profissão civil - sou reitor da paróquia universitária e professor de uma universidade laica. O fato de eu não ter sido formado no seminário nem ter vivido em um presbitério, mas ter passado a vida entre pessoas comuns me ensinou a conhecer os problemas, as demandas e a linguagem do mundo laico. E o que faço agora é o resultado de todos esses anos.

Você não se identifica no que é chamado de "nova evangelização"?

Parece-me que essa ideia de João Paulo II foi um pouco mal compreendida. Baseou-se no estilo das missões de evangelização estadunidenses. Eu não acredito que essa espiritualidade emocional, com o hambúrguer em uma mão e a Bíblia na outra e o Aleluia! seja a maneira mais adequada de se comunicar na Europa. Para mim, a nova evangelização consiste mais em levar a cultura contemporânea a sério e considerar os pontos de encontro reais com essa cultura. Desenvolvendo em particular uma cultura da contemplação, que não seja desconectada da ação: as pessoas têm sede e quando não a encontram na Igreja Católica, vão procurá-la em outro lugar, nas religiões orientais, no yoga etc. Mas temos isso em nossa tradição católica, Taizé me parece um bom exemplo.

Como pensar em Deus hoje e como anunciá-lo?

O maior pecado da história da teologia e da pregação da Igreja é acreditar que seja fácil falar de Deus. Essa superficialidade da devoção barata abriu caminho para um número infinito de noções ingênuas, mas também perversas e envenenadas de Deus. O teólogo Karl Rahner lembrou, felizmente, que aquele Deus do tipo que 60-80% das pessoas imaginam, não existe. Evitamos buscar Deus nas tempestades, nos terremotos e nas pandemias. Os ateus alegam, com razão, que um Deus desse tipo, que inflige castigos cruéis a seus filhos, é apenas uma projeção de nossos medos e desejos.

Como o profeta Elias no monte Horeb, temos maior probabilidade de encontrar Deus em uma brisa leve, ou nas expressões, não ostensivas, de amor e de solidariedade, e no heroísmo cotidiano gerado nas horas escuras das calamidades. E nessas expressões de amor e de serviço que restauram a esperança e a coragem de viver que a verdadeira santidade se manifesta.

Embora Deus permaneça um mistério, esse mistério nos é aberto graças à humanidade de Jesus. A humanidade de Jesus é a janela através da qual vemos Deus à obra. Está aberta não apenas a Deus, mas também a nós, seres humanos, em particular aos pobres, aos mais fracos, a todos aqueles que precisam de nosso amor e da nossa proximidade.

A pandemia nos confrontou com a questão do sentido. É uma oportunidade para o cristianismo poder dizer sua mensagem, a sua esperança?

Esse período em que as nossas igrejas ficaram fechadas é um aviso profético para mim: a menos que a Igreja empreenda a reforma solicitada pelo Papa Francisco - uma reforma não apenas estrutural, mas, acima de tudo, uma virada em profundidade, no coração do evangelho - essas igrejas vazias e trancadas não serão a exceção, mas a regra.

A crise do cristianismo eclesial não é causada principalmente por forças externas – a laicidade, o materialismo. Portanto, não pode ser detida nem pelo "catolicismo retrô" atual (essa tentativa de retornar a um mundo desaparecido), nem por uma "modernização" vazia e superficial, que simplesmente se limitaria a se conformar ao "espírito do tempo". "O espírito do tempo” não é certamente o Espírito Santo: é a língua deste mundo à qual os cristãos não deveriam se conformar, como escreveu São Paulo. Em vez disso, deveriam ouvir os "sinais dos tempos" e compreendê-los bem: são a linguagem de Deus nos eventos da história da qual fazemos parte. Reconheço que não é fácil distinguir entre o que é "humano, demasiado humano", superficial e efêmero em nossa história, e o "momento oportuno" (o kairos), que devemos aceitar e ao qual devemos responder como um desafio lançado por Deus à nossa fé.

A pandemia levantou questões espirituais tanto nas pessoas de fé, confrontadas com esse grande mal, quanto naquelas que se dizem não-crentes, que tendem a se questionar o sentido da vida. As Igrejas não deveriam se perguntar antes de tudo como reintegrar as pessoas que estão além de suas fronteiras visíveis (algo que provavelmente não é uma meta realista), mas sim pensar sobre o tipo de responsabilidade que podem exercer em relação a elas.

Como você analisa a crise pela qual o cristianismo está passando (abusos sexuais, igrejas vazias)?

O verdadeiro problema vem do fato de a Igreja não ter conseguido entender ou reagir adequadamente à revolução sexual na década de 1960. Em vez de responder, desenvolvendo uma teologia do amor e da sexualidade, baseada nas fontes profundas do misticismo cristão, tendeu a regredir em direção a uma religião de injunções e proibições. A tentativa de disciplinar a sexualidade o mais severamente possível assumiu uma dimensão tal que o sexto mandamento (Não desejar a mulher do próximo) pareceu ser o primeiro - e talvez o único. Passou a se perceber os católicos como aqueles que sempre falam sobre preservativos, aborto, uniões homossexuais ... Até que o Papa Francisco teve a coragem de denunciar essa "obsessão neurótica" e nos lembrar do que constitui o coração do cristianismo: a misericórdia, o amor compassivo e solidário com todos, especialmente com os marginalizados, a responsabilidade pelo planeta.

A reação natural do mundo laico foi: olhem o que está acontecendo em sua casa! ... Seguiu-se a isso uma onda mundial de revelações sobre os abusos sexuais. Também foi revelado que muitos dos que se manifestaram mais enfaticamente contra a homossexualidade o fizeram para mascarar seus problemas em tal contexto. Muitas vezes eram pessoas que levavam uma existência "dupla". Quando o papa começou a falar sobre a verdadeira causa de tal situação – o abuso de poder na Igreja, o clericalismo - quando, em sua exortação Amoris laetitia, tentou rever a religião dos fariseus cristãos substituindo-a por uma ética de misericórdia e da compreensão para com as pessoas em dificuldade, encorajando a confiança na voz da consciência, despertou um ódio raivoso nos fariseus e nos escribas de nosso tempo.

O período em que essas feridas ocultas começaram a ser visíveis no mundo - os últimos anos do pontificado de Bento XVI e depois no de Francisco - é outro "sinal dos tempos": coincide com um real despertar das consciências sobre a dignidade da mulher na sociedade e na Igreja. Se o ignorar, a Igreja corre o risco de perder grande parte das mulheres, como perdeu sua influência sobre a classe trabalhadora devido à sua reação tardia aos problemas sociais da revolução industrial. Devemos dar mais espaço ao seu carisma na Igreja.

O que deveria ser inventado?

Na Páscoa, critiquei a tendência dos católicos de substituir a celebração eucarística pelo consumo de missas online. A presença real de Cristo na Eucaristia requer a presença real dos fiéis ao redor do altar e a presença real dos cristãos na sociedade. No entanto, não podemos voltar com nostalgia para um mundo desaparecido que não voltará. Eu acredito que uma forma de cristianismo esteja morrendo. Mas o coração do cristianismo não é justamente a mensagem da morte que deve preceder a ressurreição? E a ressurreição não é uma reanimação, o retorno a um estado anterior. Os Evangelhos nos dizem que Jesus foi transformado, até os seus foram incapazes de reconhecê-lo à primeira vista. Ele teve que provar sua identidade com suas feridas. Eu acredito na "ressurreição" do cristianismo no futuro – na sua reforma, no seu aprofundamento e na sua transformação.

Isso dependerá de como a Igreja será capaz de se comunicar com essas pessoas em busca de sentido. A teologia deve levar a sério a experiência de pessoas que estão à margem da Igreja e além de suas fronteiras visíveis. Jesus não está apenas presente em nossa pregação, em nossos sacramentos, mas vem a nós, como fez para os discípulos de Emaús, como estrangeiro. "O Espírito sopra onde quer".

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