São os cristãos a carta do amor de Cristo: que todos a leiam

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23 Março 2020

"Fechar os locais de culto, ou pelo menos não realizar neles os encontros habituais, coloca a dura prova a missão espiritual das crenças vivas e dos cristãos. E requer a busca de novas maneiras de continuar próximos das pessoas, acompanhá-las, assisti-las com palavras e orações, confortá-las e incentivá-las. Sim, existe a Internet, existem as mensagens de vídeo, os sms, os telefonemas, as iniciativas criativas para manter o contato. Mas o testemunho que pode ser dado pessoalmente, como "carta do amor de Cristo", é outra coisa".

A opinião é do teólogo e pastor valdense Eugenio Bernardini, foi moderador da Mesa Valdense, o órgão representativo e administrativo da Igreja Valdense. O artigo foi publicado por Il Fatto Quotidiano, 22-03-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Quando foi a última vez que recebemos uma carta? Não uma carta de propaganda, nem um extrato bancário ou um cartão postal da praia enviado por amigos. Falo de uma verdadeira carta. Uma daquelas que você se senta e abre, lê e relê e depois pensa e repensa. Estou me referindo, por exemplo, a uma carta de amor entre duas pessoas. Vocês se lembram da emoção de espiar na caixa de correio à espera do carteiro chegar com a carta que talvez mudará, e talvez mudou, a nossa vida? Não um telefonema, mas um escrito preto no branco, que você pode ler repetidas vezes porque é sempre terrivelmente surpreendente. Receber um e-mail, uma mensagem, um áudio não é a mesma coisa? Não, a carta em papel tinha aquela lentidão que ajudava a refletir antes de escrever e escutar antes de receber. E sempre era uma surpresa, mesmo quando era esperada.

Eis então, de acordo com o apóstolo Paulo, que os cristãos são uma carta de amor de Deus: “Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens. Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração" (II Coríntios 3,2-3). A palavra "carne" - que normalmente indica a atitude humana em relação ao egoísmo, ao orgulho, à superioridade - é usada pela primeira vez em um significado positivo porque é contraposta a "pedra". Séculos antes, o profeta Ezequiel havia dito o seguinte: “Darei a vocês um novo coração e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra do seu corpo e dar-lhe-ei um coração de carne" (Ezequiel 36,26).

A imagem da carta é muito linda: com nossos comportamentos, não apenas com nossas ideias, somos todos, não apenas os cristãos, como uma carta aberta que todos podem ler, comparar, meditar ou até ignorar. Nestes dias difíceis da epidemia, os expoentes das várias religiões deram testemunho de sua responsabilidade concordando em suspender todas as atividades de encontro e formação, mas mantendo e, algumas vezes, aumentando aquelas de cuidado e assistência. Suspender os encontros significa tocar o coração da vida de fé, que é feita sim de leitura de textos sagrados e de orações, mas principalmente de comunidade, de sustentação recíproca, de encontro pessoal, de empatia. É verdade, os cristãos, como os membros de outras religiões, sempre enfatizaram a importância da fé pessoal, que deve ser cultivada diretamente, que não pode ser feita por meio de terceiros. Uma espécie de academia do Espírito que, como aquela para o treinamento físico, requer exercícios pessoais e diários (ou pelo menos semanais) para manter a forma. Mas a dimensão comunitária permanece fundamental: Jesus, antes de começar a pregar, constitui a comunidade dos discípulos e das discípulas à sua volta; e o significado da palavra "igreja" indica aqueles que são convocados (pelo Espírito) em assembleia. Em suma, não é um fato sociológico, mas espiritual.

Fechar os locais de culto, ou pelo menos não realizar neles os encontros habituais, coloca a dura prova a missão espiritual das crenças vivas e dos cristãos. E requer a busca de novas maneiras de continuar próximos das pessoas, acompanhá-las, assisti-las com palavras e orações, confortá-las e incentivá-las. Sim, existe a Internet, existem as mensagens de vídeo, os sms, os telefonemas, as iniciativas criativas para manter o contato. Mas o testemunho que pode ser dado pessoalmente, como "carta do amor de Cristo", é outra coisa. Sejamos confiantes de poder voltar a fazê-lo quando, finalmente, pudermos sair de casa, nos visitar e nos abraçar. Possivelmente fortalecidos por essa experiência.

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