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22 Agosto 2019

O superior geral jesuíta Padre Arturo Sosa no encontro de Rimini: "Mudou a relação entre lei e poder". Precisamos de direitos para os mais fracos e mais interesse pelo bem comum: "A política deve retornar ao serviço da justiça".

A reportagem é de Paolo Viana, publicada por Avvenire, 21-08-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

O tema escolhido pelo Encontro de Rimini para dialogar com o Superior Geral da Companhia de Jesus, padre Arturo Sosa - "aprender a olhar o mundo através dos olhos do pontificado de Francisco" - colocou no centro o que parece óbvio, mas que óbvio não é. Aprender a olhar significa saber realmente decodificar, superando os preconceitos. Tomemos como exemplo o coração do ensinamento inaciano, o discernimento: "Não deve ser mal interpretado - apontou Sosa em sua palestra - no sentido de ‘fazer o que eu quero’ e justificá-lo. Algumas tendências das culturas contemporâneas parecem esvaziar o discernimento do seu significado antropológico, isto é, do sentido de obrigação para com os imperativos da consciência, da responsabilidade em prol dos pobres que sofrem, da obediência à vontade de Deus".

Transferida para o plano político, a dificuldade não consiste em entender, mas sim em querer entender. E pode se tornar um obstáculo intransponível quando se analisa o pontificado de Bergoglio em chave eclesiológica. Santo Inácio afirmava que "aos novos problemas da Igreja e do mundo não se podem dar velhas respostas"; portanto, "para reformar as instituições, é necessário reformar os corações daqueles que as governam", disse o “geral" dos jesuítas. Enfatizando que "em mudanças de época como a nossa, toda reforma interna à Igreja começa com a recuperação da relação consigo mesmo em relação a Cristo, em comunhão com o sucessor de Pedro".

Essa atitude permite ler corretamente as preferências apostólicas da Companhia de Jesus, aprovadas pelo Papa, mas vai muito além da dinâmica da Companhia de Jesus: "Todos os gestos, palavras e escolhas do pontificado de Francisco devem ser lidos com esta perspectiva universal, que recompõe as tensões, os mal-entendidos e os interesses específicos".

Inclusive o magistério social do Papa Francisco é inspirado por essa reforma do coração e o próprio emblema da justiça social não pode ser reduzido à frequente leitura politiqueira de um papado "de esquerda", já que "a justiça pode ser nutrida pela raiz da vingança ou pela raiz de reconciliação. A justiça, como fruto da reconciliação - lembrou Sosa - é restaurar as relações construídas sobre bases equivocadas, aquelas entre as pessoas, entre os povos e as suas culturas, com a natureza e com Deus”.

Considerado que o discernimento não tem nada de oportunista, até mesmo um coração reformado sente a necessidade de agir para alcançar a justiça: "A dimensão política continua sendo de primordial importância para promover a justiça e a reconciliação - explicou ele - e um mundo justo e governado democraticamente exige que se seja autenticamente cidadãos; investir na formação da cidadania nos ajudará a fortalecer a democracia política, a promover as organizações sociais comprometidas com a busca do bem comum e a conter as nefastas consequências das diversas formas do ‘neoliberalismo’, do fundamentalismo e do populismo”.

O raciocínio culmina em um apelo: "São necessárias pessoas que governam colocando o bem comum acima dos interesses particulares, mesmo que legítimos. Do ponto de vista cristão, tornar-se político significa ouvir e responder a um chamado do Senhor. Faz parte da missão de reconciliação e justiça descobrir, promover e formar vocações para o serviço público. Esta é a política com o ‘P maiúsculo’ da qual fala Francisco".

Uma política que, como também acontece no Encontro de Rimini, busca os fatores unificadores. É a força subterrânea do discernimento que "ajuda na construção do bem comum: quem o realiza recebe como dom coragem, força, consolos e paz - como escreve Inácio Loyola. Através do discernimento, não mais nos dividimos entre crentes e não-crentes, mas entre homens morais e não-morais, entre aqueles que promovem o bem de todos e aqueles que semeiam o medo e a divisão. No discernimento comunitário, aliás, os limites das crises pessoais e sociais podem dar lugar à vida que nasce depois da morte e aos novos sinais dos tempos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um exemplo de como os povos e as nações fizeram um discernimento maduro, colocando no centro a dignidade da pessoa. Infelizmente, nos últimos anos estamos assistindo a uma contração da universalidade dos direitos humanos, vemos mudar a relação entre lei e poder".

Do México ao Mediterrâneo, o resto é crônica.

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