A Doutrina Social e o magistério apresentam indicações concretas do Papa para a economia e as finanças

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30 Abril 2018

Uma Fundação que recebe seu nome a partir da encíclica de Pio XIQuadragesimo Anno" e vai dedicar-se à criação de um sistema de certificação dos investimentos em conformidade com a Doutrina Social da Igreja: este é o projeto que será apresentado em 3 de maio na Pontifícia Universidade Lateranense, durante uma conferência intitulada "Investir para o bem comum. O ‘rating católico’ dos investimentos" organizada pelo Valore srl em colaboração com o Vatican Insider e com a Core Values (para informação Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.).

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 28-04-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

“É coisa manifesta, como nos nossos tempos não só se amontoam riquezas, mas acumula-se um poder imenso e um verdadeiro despotismo econômico nas mãos de poucos, que as mais das vezes não são senhores, mas simples depositários e administradores de capitais alheios, com que negociam a seu talante. Este despotismo torna-se intolerável naqueles que, tendo nas suas mãos o dinheiro, são também senhores absolutos do crédito e por isso dispõem do sangue de que vive toda a economia, e manipulam de tal maneira a alma da mesma, que não pode respirar sem sua licença."

Estas são as palavras da encíclica Quadragesimo Anno, o documento de Pio XI redigido em 1931, após a crise de Wall Street. O Papa Ratti, nesse texto esquecido, observava profeticamente que "Este acumular de poderio e recursos, nota característica da economia atual, é consequência lógica da concorrência desenfreada, à qual só podem sobreviver os mais fortes, isto é, ordinariamente os mais violentos competidores e que menos sofrem de escrúpulos de consciência".

Essas palavras, relidas depois de quase 90 anos mostram excepcional caráter profético. O Pontífice havia indicado os processos de transformação econômica e das finanças então em vigor, cujas consequências estão agora sob os olhos de todos. Mesmo os Pontífices sucessores de Pio XI enfrentaram em suas encíclicas temas sociais e hoje o Papa Francisco, com o seu magistério social, está redescobrindo páginas esquecidas da Doutrina Social da Igreja (SDC). Desde o início de seu pontificado, com a exortação Evangelii gaudium, levantou a questão de uma economia "que mata", sugerindo uma mudança estrutural de ritmo.

Levando a sério essas suas indicações, com o incentivo do próprio Pontífice, foi criada nas últimas semanas, a Comissão Organizadora que em breve criará a Fundação "Quadragesimo Anno”, órgão sem fins lucrativos, que - graças à contribuição de acadêmicos, especialistas, estudiosos de diferentes disciplinas e profissionais de todo o mundo - contribuirá para a elaboração de rotas operacionais para "eliminar as causas estruturais das disfunções da economia global" e para "objetivar a alteração das regras do sistema econômico-social" repensando os modelos de desenvolvimento de acordo com os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja e do magistério do Papa Francisco. O principal objetivo da Fundação, como sintetizou o Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin, em uma carta de 5 de novembro de 2017, é "tentar traduzir os conteúdos da Doutrina Social da Igreja em sinais concretos para o mundo das finanças."

Já deram o seu apoio à iniciativa – e ao trabalho que é proposto –, além de alguns bancos e instituições financeiras, o estadunidense Jeffrey Sachs, diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia; os acadêmicos e economistas italianos Stefano Zamagni, professor de economia política na Universidade de Bolonha; Leonardo Becchetti, professor de Economia política na Universidade de Roma Tor Vergata e Mauro Magatti, professor de Sociologia da Universidade Católica de Milão. O presidente honorário do comitê e da futura Fundação é o cardeal Antonio Maria Vegliò, ex-núncio apostólico e presidente do Conselho Pontifício para os Migrantes. Enquanto do mundo dos bancos de crédito cooperativo aderiu o gerente geral da Federcasse, Sergio Gatti.

A ideia na base do projeto - informam os promotores - é "levar a sério as indicações da Doutrina Social da Igreja, o magistério de Francisco e seu pedido de repensar o sistema econômico e financeiro. Não é mais possível fingir de não ver, de fato, como o sistema econômico atual seja agora tão pouco ‘liberal’, uma vez que as alavancas do poder estão cada vez mais ligadas a poucas pessoas. Ao mesmo tempo, o acesso ao crédito é garantido apenas para aqueles que já têm bastante, o que torna difícil e muitas vezes impossível obter empréstimo de dinheiro para aqueles que não o tem”. Como traduzir as palavras da Doutrina Social em indicações concretas a respeito - por exemplo - dos investimentos financeiros? Como incidir no sistema, oferecendo cursos para aqueles que desejam investir levando em conta a ética e um sistema de valores que derivam da visão cristã da realidade? Que indicações podem ser dadas para ajudar a transformação do sistema econômico, promovendo as boas práticas, a sustentabilidade e o impacto social?

A essas perguntas pretende responder o trabalho da Fundação "atuando de forma concreta, com avaliações que envolvem a adesão ou não às várias iniciativas financeiras, econômicas, do mundo do trabalho, aos princípios da Doutrina Social. A empresa não é fácil - reconhecem os promotores da iniciativa - porque é mais fácil enunciar os princípios do que se traduzi-los em realidade, mas vamos tentar fazer isso, cientes da dificuldade, com a graça de Deus e a cooperação de todos".

A Fundação "Quadragesimo Anno”, portanto, pretende tornar-se "um ponto de referência para todos aqueles que investem e operam no mundo econômico, e têm a intenção de agir levando em conta a Doutrina Social e o magistério do Papa chegando a criar um sistema de certificação em conformidade com a Doutrina Social da Igreja (SDC compliant) voltada ao sistema financeiro e econômico em geral".

Os promotores estão convencidos de que um resultado inicial ”possa ser alcançado colocando em discussão essa exigência, que até hoje não encontrou respostas adequadas, estabelecendo-se como um ponto de referência para o mundo católico a partir de todas as organizações sociais, econômicas e financeiras que veem na Doutrina Social da Igreja uma sua referência e um valor a ser preservado e estimulado." Para isso uma seção especial do Vatican Insider, o site da Imprensa dedicado à informação religiosa, será usado como um fórum permanente de discussão dos resultados da Fundação, de apresentação das iniciativas mais interessantes que transitam na galáxia das finanças éticas e cooperativas e da economia social, buscando promover o encontro e o debate entre os crentes e os não-crentes que trabalham no âmbito econômico e financeiro.

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