O coronavírus ataca também a luta contra a emergência climática

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04 Abril 2020

“A crise do coronavírus não deve ser uma desculpa para interromper as políticas contra a emergência climática, mas um incentivo para ser ainda mais ambiciosos e atuar com maior urgência. Por isso, esperamos que a COP26 não seja adiada para além dos primeiros meses de 2021”, escreve Juan López de Uralde, ativista e político ambientalista espanhol, em artigo publicado por Público, 03-04-2020. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Na última hora da noite de quarta-feira, ouvimos a notícia de que, devido à crise causada pelo coronavírus, foi suspensa a Cúpula do Clima (COP26). O evento seria realizado em Glasgow (Reino Unido), entre os dias 9 e 18 de novembro, mas aparentemente os organizadores preferiram adiá-lo. Isso é uma má notícia para a luta contra a emergência climática, que apenas pode ser mitigada se ocorrer na primeira metade de 2021 e, portanto, o atraso é pequeno.

É um paradoxo que a atual pandemia possa ter como um de seus impactos o enfraquecimento ainda maior dos maltratados compromissos globais de luta contra a mudança climática. Precisamente um dos impactos mais notáveis da mudança climática e da degradação dos ecossistemas é que facilitam o surgimento e a disseminação de novas doenças. Portanto, a luta climática é também contra novas pandemias.

A COP26 é uma reunião importante. Os 200 governos do mundo precisam chegar a ela com novos objetivos, mais ambiciosos do que os atuais, que permitam cumprir o objetivo de manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5 grau. Se os compromissos atuais forem mantidos, as temperaturas subiriam acima de 3 graus. No entanto, adiar a cúpula reduz a pressão sobre os governos para que aumentem seus objetivos.

Infelizmente, a profundidade e a gravidade da crise da COVID-19 podem ser utilizadas como uma desculpa para pôr em risco a ambição dos governos na luta contra a emergência climática. É evidente que agora existem emergências maiores, mas a emergência climática também continua aí, gerando impactos cada dia mais visíveis. Por esse motivo, entendemos que a saída da crise do coronavírus deva servir de impulso para um novo modelo, com a promoção de políticas verdes que geram emprego em um cenário no qual a sustentabilidade seja um objetivo prioritário.

Esta decisão ocorre também em meio a uma profunda crise da União Europeia. Seu futuro também está em jogo devido às políticas alemã e holandesa de reaplicar em 2020 as receitas que aplicaram na crise econômica de 2008. Não sabemos onde acabará a atual fratura, mas, entretanto, é desejável que a União Europeia avance em sua legislação climática, com um objetivo atualizado de redução de emissões de - 55% até 2030, antes da COP26 (seja finalmente quando for).

A crise do coronavírus não deve ser uma desculpa para interromper as políticas contra a emergência climática, mas um incentivo para ser ainda mais ambiciosos e atuar com maior urgência. Por isso, esperamos que a COP26 não seja adiada para além dos primeiros meses de 2021.

 

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