“O Papa não é liberal, é radical”, afirma cardeal Kasper

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15 Novembro 2019

A conclusão do cardeal Walter Kasper sobre o pontificado do Papa Francisco é clara. “Tanto os ultraconservadores como os progressistas mais extremos estão decepcionados”, apontou, hoje, durante sua apresentação intitulada “Mensagem da alegria”, durante o Congresso “A contribuição do Papa Francisco à teologia e à pastoral da Igreja”, que acontece no Ateneu Universitari Sant Pacià [de 12 a 14 de novembro, em Barcelona, Espanha].

A reportagem é de Rubén Cruz, publicada por Vida Nueva, 13-11-2019. A tradução é do Cepat.

“As objeções vêm de dois lados opostos. A dinâmica da mensagem do Evangelho não é boa para alguns. Confundem a novidade perene do Evangelho com a inovação, uma Igreja renovada com uma Igreja nova, uma Igreja em saída com uma Igreja em retiro. Não querem uma igreja em saída, mas uma em casa. Uma Igreja como refúgio para a segurança em um mundo que está em um movimento cada vez mais acelerado que, às vezes, parece ter se descarrilado”, ressaltou o teólogo alemão. Felizmente, “o Papa é uma pessoa que sabe sorrir de coração”.

No outro ponto, “os outros querem uma Igreja liberal: a democratização da Igreja, a abolição do celibato, a ordenação de mulheres etc. Projetam essas expectativas em Francisco. No entanto, Francisco não é um liberal, é um radical: alguém que retorna às raízes. As expectativas liberais não fazem parte da sua agenda. Movem-lhe os pobres, as críticas ao capitalismo desenfreado, o apoio aos migrantes, uma nova relação com a criação e uma nova cultura de moderação e alegria”, argumentou. Por sua vez, “para muitos, isso não se encaixa em sua concepção liberal e progressista, sempre na última moda”, enfatizou.

Anunciar a mensagem de Jesus

No entanto, o cardeal lembrou que “já o escândalo evangélico radical de Jesus escandalizou”, mas “nenhum Papa pode anunciar uma mensagem que não seja a de Jesus. Deve estar escandalizado e sempre assim procederá. Inclusive João XXIII, Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI agiram assim”, enfatizou.

Para Kasper, “o entusiasmo inicial após a Evangelii Gaudium esvaeceu. A Igreja está novamente no vale dos esforços diários e, infelizmente, também no de muitas tensões internas. Ontem como hoje, muitos dentro e fora da Igreja Católica veem o Papa como um portador de alegria e um presente do céu, dada a situação atual da Igreja. Para outros, esse Papa não traz pouca ou qualquer alegria”.

É que “na Igreja você nunca fica chateado e tudo é sempre interessante até o final. Assim como é preciso se queixar, também se deve muito mais suportar com humor”, disse. E, nesse ponto, uma sugestão com todo o senso de humor: “Talvez um dos próximos sínodos da Igreja deva reintroduzir a figura do bobo da corte que coloca um espelho na nossa frente, para que só possamos rir”.

Durante a sua intervenção, o cardeal reconheceu que a Evangelii Gaudium, a primeira exortação apostólica programática de Francisco, tornou a alegria o tema principal de seu pontificado. “A mensagem de alegria é a resposta a esta situação do mundo atual e da Igreja de nosso tempo”, e este documento magisterial “trouxe um novo alento à Igreja e ao mundo”. Na sua opinião, “o Papa sabe expressar de maneira simples conteúdos filosóficos e teológicos difíceis e complexos”.

Em continuidade com Bento XVI

Em relação à continuidade com outros pontífices, Kasper é direto: “Qualquer tentativa de contrastar o atual pontífice com seu antecessor é uma trama de política eclesiástica. Os dois papas são certamente diferentes como pessoas e em estilo, mas ambos são católicos e há continuidade entre eles”, porque “a continuidade não exclui que Francisco deva colocar novos acentos”.

“Esse novo acento é evidente na afirmação de que a alegria na fé é a alegria da eterna novidade do Evangelho. O Evangelho é sempre o mesmo, não pode haver outro ou um novo. No entanto, contém uma riqueza que deve ser redescoberta, ou melhor, contém uma riqueza na qual o espírito de Deus nos guia de uma maneira sempre nova”, acrescentou.

Em seu discurso, Kasper se deteve nos outros documentos deste pontificado. Em relação a Amoris Laetitia, esclareceu que “os Padres da Igreja, muitas vezes, falam do amor erótico e sexual de uma maneira que para nós hoje é dolorosa e depreciativa”. No entanto, “Bento XVI, na Deus caritas est, já ditou outro tom, e a “Amoris Laetitia” representa plenamente, deste ponto de vista, um ponto de inflexão libertador”, afirmou.

Em sua exortação sobre a família, o Papa “não impõe nenhuma proibição, mas nem sequer dá autorizações. Estabelece critérios que servem para discernir ao longo do caminho da vida. Em essência, trata-se claramente da espiritualidade inaciana do discernimento”. Por isso, afirmou que “reduzir toda a exortação a duas breves observações que as criticam sem considerar o contexto é contrário a qualquer regra hermenêutica”.

Da Laudato Si’ a Gaudete et Exsultate

Em relação à encíclica Laudato Si’, Kasper sustentou que Francisco convidou os teólogos a “interpretar profeticamente os sinais dos tempos em uma nova era de evangelização à luz da verdade que é Jesus Cristo e em diálogo com todos os outros homens de ciência, para superar a distância entre teologia e pastoral, fé e vida. Isso também confere a alegria do Evangelho”.

Por último, citou a Gaudete et Exsultate. “Normalmente, a alegria cristã segue acompanhada por um senso de humor, o mau humor não é um sinal de santidade”. O Papa é “novamente realista o suficiente para não acreditar que a vida cristã é um banho entusiástico de euforia mística. Também a dor e o sofrimento, a morte e o pesar são temas do Evangelho e das experiências da vida, inclusive da do Papa”, concluiu.

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