O Papa. Preocupam-me mais os demônios educados do que os demônios de exorcista

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Rio Grande do Norte. Seridó ameaçado

    LER MAIS
  • Arcebispo de Ribeirão Preto visita no hospital a Dom Pedro Casaldáliga, “um ícone no Brasil”

    LER MAIS
  • Francisco nomeia seis mulheres para grupo que supervisiona as finanças vaticanas

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


13 Outubro 2018

“Quando me dizem: ‘Precisamos de um exorcista, porque uma pessoa foi possuída pelo demônio’, não me preocupo tanto como quando vejo essas pessoas que abriram a porta aos demônios educados, que convencem de dentro que não são tão inimigos”. Na missa da manhã de hoje, 12 de outubro de 2018, na capela da Casa Santa Marta, Francisco disse que quando o demônio não consegue destruir uma pessoa através dos vícios, ou um povo com guerras e perseguições, ele inventa outras estratégias: trata-se dos demônios que “não fazem barulho, se fazem de amigos, convencem você”; “vivem em casa sem pagar aluguel” e, no final, “levam você para o caminho da mediocridade, fazem de você uma pessoa morna no caminho do mundanismo”. É por isso que ele nos convidou a reagir com “vigilância e calma”, porque “cada um de nós está em luta”, mesmo que não percebamos, “mas estamos em luta”.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 12-10-2018. A tradução é de André Langer.

“O demônio, quando toma posse do coração de uma pessoa permanece ali, como se fosse a sua casa e não quisesse sair”, disse o Papa, segundo indicou o Vatican News, revelando, entre outras coisas, que quando Jesus expulsa os demônios, eles tentam arruinar a pessoa, fazendo o mal “inclusive fisicamente”. A luta contra o diabo, disse Jorge Mario Bergoglio, “se dá dentro de nós. Cada um de nós está em luta”.

“A essência do diabo é destruir”, disse o Papa, “destruir a obra de Deus” e, quando “não pode destruir” face a face, porque há uma força de Deus que defende a pessoa, então, como é “mais esperto que uma raposa”, busca uma maneira de tomar posse novamente daquela pessoa.

Também quando fala, continuou Francisco, ele se apresenta educadamente, dizendo “eu saí”, quando na verdade foi expulso. Quando o diabo não pode destruir uma pessoa através dos vícios, ou um povo com as guerras e as perseguições, pensa em outra estratégia, “a estratégia que usa com todos nós”: “Nós somos cristãos, católicos, vamos à missa, rezamos... Parece tudo em ordem. Sim, temos os nossos defeitos, os nossos pecadinhos, mas parece tudo em ordem. E ele se faz ‘o educado’: vai, olha, procura uma bela quadrilha, bate à porta: ‘Dá licença? Posso entrar?’, toca a campainha”.

“E estes demônios educados – prossegue Francisco – são piores que os primeiros, porque você não se dá conta de que os tem em casa. E este é o espírito mundano, o espírito do mundo. O demônio, ou destrói diretamente com os vícios, com as guerras, com as injustiças, diretamente, ou destrói educadamente, diplomaticamente, neste modo que diz Jesus. Não fazem barulho, se fazem de amigos, convencem você (‘Não, vai, não faz tanto, não, mas... até aqui está bem’) e levam você pelo caminho da mediocridade, fazem de você uma pessoa morna no caminho do mundanismo”.

O Papa chama, então, atenção para essa “mediocridade espiritual” e convidou a não cair “neste espírito do mundo”, que “nos corrompe a partir de dentro. Tenho mais medo destes demônios do que dos primeiros. Quando me dizem: ‘nós precisamos de um exorcista, porque uma pessoa foi possuída pelo diabo’, eu não me preocupo tanto como quando vejo essas pessoas que abriram a porta aos demônios educados, para aqueles que – explica o Papa – convencem de dentro de que eles não são tão inimigos”.

Francisco ponderou: “Muitas vezes eu me pergunto: o que é pior na vida de uma pessoa? Um pecado claro ou viver no espírito do mundo, do mundanismo? Que o demônio coloque você em um pecado – também, não um, vinte, trinta pecados, mas claros, que você se envergonha – ou que o demônio esteja à mesa com você e viva, more com você e está tudo normal, mas ali, dá a você as insinuações e possui você com o espírito do mundanismo?”.

A conclusão do Papa foi de que devemos ter, em relação a esses demônios educados, “vigilância e calma”: “Diante destes demônios educados que querem entrar pela porta de casa como convidados para o casamento, dizemos: ‘vigilância e calma’. Vigilância: esta é a mensagem de Jesus, a vigilância cristã. O que acontece no meu coração? Por que sou assim medíocre? Porque sou assim morno? Quantos ‘educados’ habitam em casa sem pagar aluguel?”.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

O Papa. Preocupam-me mais os demônios educados do que os demônios de exorcista - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV