Francisco. “Os hipócritas são um instrumento do diabo para destruir a Igreja”

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21 Setembro 2018

“‘Mas, olha, que escândalo! Não se pode viver assim! Perdemos os valores... Agora todos têm o direito de entrar na Igreja, até os divorciados, todos. Mas onde estamos?’” No passado e no presente são muitos os “justos” e “puros” que dizem frases deste tipo dentro e fora da Igreja. Francisco dá nome e sobrenome a estas denúncias críticas e públicas: “o escândalo dos hipócritas”, disse durante a missa matutina na Capela da Casa Santa Marta. É “a hipocrisia daqueles que se creem salvos pelos próprios méritos externos”.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 20-09-2018. A tradução é de André Langer.

O próprio Jesus tem uma atitude muito dura em relação a essas pessoas que “mostram exteriormente ‘tudo bonito’ – fala de ‘túmulos caiados’ –, mas por dentro são ‘podridão’”. “E a Igreja – insistiu o Papa – quando caminha na história, é perseguida pelos hipócritas: hipócritas de dentro e de fora. O diabo não tem chance com os pecadores arrependidos, porque olham para Deus e dizem: ‘Senhor, sou um pecador, ajuda-me’. E o diabo é impotente, mas é forte com os hipócritas. É forte e os usa para destruir, destruir as pessoas, destruir a sociedade, destruir a Igreja. O cavalo de batalha do diabo é a hipocrisia, porque ele é mentiroso: mostra-se como um príncipe poderoso e belo e por trás é um assassino”.

O testemunho dado por Jesus é completamente diferente, afirmou o Papa em sua homilia, segundo o Vatican News: um amor grande e total que olha inclusive para o “pequeno gesto de boa vontade, pega esse gesto e o leva adiante”. Como acontece com a mulher do Evangelho de Lucas de hoje, centrado nas palavras de Jesus: “Seus muitos pecados estão perdoados porque ela mostrou muito amor”.

Logo em seguida, o Pontífice aponta “três grupos de pessoas” nas leituras de hoje: Jesus e seus discípulos; Paulo e a mulher, uma daquelas cujo destino – recorda Francisco – era “ser visitada em segredo”, inclusive pelos “fariseus”, ou inclusive “ser apedrejada”; e os doutores da Lei. Francisco destaca como a mulher se fazia ver “com amor, com tanto amor por Jesus”, sem esconder “ser uma pecadora”. O mesmo ocorre com Paulo, que diz: “Com efeito, transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados”.

Ambos, portanto, buscavam a Deus “com amor, mas com amor pela metade”. Paulo, porque – explica – pensava que o amor era uma lei e seu coração estava fechado à revelação de Jesus Cristo: ele perseguia os cristãos, mas pelo zelo da lei, por esse “amor imaturo”. E a mulher buscava o amor, o “pequeno amor”. Os fariseus, então, comentam, mas Jesus explica: “A ela foi perdoado tanto porque mostrou muito amor”. Mas como amar? Estes não sabem amar. Procuram o amor. E Jesus, falando destes, disse – certa vez disse – que entrarão antes de nós no Reino dos Céus. “Mas que escândalo... – os fariseus – “mas essas pessoas!”; Jesus olha para o pequeno gesto de amor, o pequeno gesto de boa vontade, pega esse gesto e o leva adiante. Esta é a misericórdia de Jesus: ele sempre perdoa, ele sempre recebe”.

O Pontífice argentino exortou a não esquecer que Jesus perdoa, recebe, usa de misericórdia, uma “palavra tantas vezes esquecida quando fofocamos sobre os outros”. O convite é então “ser misericordiosos, como Jesus, e não condenar os outros”. “Jesus no centro”. De fato, Cristo perdoa tanto a Paulo, “um pecador, um perseguidor, mas com um amor pela metade”, assim como a mulher, “uma pecadora, também ela com um amor incompleto”. Somente assim podem encontrar o “amor verdadeiro”, que é Jesus, ao passo que os hipócritas “são incapazes de encontrar o amor, porque estão com o coração fechado”.

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