Celibato. Uma lei a ser mudada?

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06 Abril 2019

Não é um dogma de fé. Não está escrito nos Evangelhos, nem “sempre se fez assim”. A obrigatoriedade do celibato para os presbíteros na Igreja latina é fruto de uma tradição que se sedimentou ao longo dos séculos, com todas as suas contradições. Basta pensar que hoje já fazem parte da Igreja Católica dezenas de padres casados, católicos de rito oriental ou ex-pastores anglicanos que escolheram se mudar para a Igreja de Roma.

Recentemente, o cardeal Reinhard Marx, na reunião plenária de primavera do episcopado alemão, da qual é presidente, disse que “a Igreja Católica na Alemanha chegou a um ponto em que a abertura para fazer as coisas de uma nova maneira deve ser encorajada, incluindo um debate sério sobre o celibato sacerdotal e o papel das mulheres”.

E há algumas semanas virou notícia a existência no Vaticano de diretrizes reservadas para aqueles sacerdotes que tiveram filhos. “Um documento interno”, explicou o porta-voz da Sala de Imprensa, Alessandro Gisotti, especificando que “se pede que os padres que são pais deixem o sacerdócio para assumir a responsabilidade de progenitor, dedicando-se exclusivamente ao filho”. A notícia dessas diretrizes foi revelada por Vincent Doyle, filho de um padre que criou um grupo de apoio chamado Coping International.

Filhos à parte, no entanto, sobre o tema do celibato, Francisco foi claro e reiterou isso recentemente, retornando da Jornada Mundial da Juventude do Panamá: “Quanto ao rito latino, vem à minha mente uma frase de Montini: ‘Prefiro dar a vida antes de mudar a lei do celibato’. Pessoalmente, acho que o celibato é um dom para a Igreja e não concordo em permitir o celibato opcional”.

Na mesma ocasião, em seguida, ele abriu uma fresta, para aqueles “lugares muito distantes”, como “algo a se pensar quando há necessidade pastoral. Acho que o tema deve ser aberto nesse sentido para os lugares onde há um problema pastoral pela falta de sacerdotes”.

Em suma – é o que se dá a entender –, se isso puder ser feito, será por uma necessidade concreta, não por uma reflexão mais ampla sobre o ministério e sobre a oportunidade ou não da obrigação do celibato.

Em todo o caso, isso será discutido no próximo Sínodo sobre a Amazônia, que será realizado em outubro, a partir do tema dos viri probati, que será um dos temas quentes da cúpula. Por isso, inspirando-se no recente livro de do jornalista Enzo Romeo, “Lui, Dio e lei” [Ele, Deus e ela] (Ed. Rubbettino, 2018), a revista Jesus, n. 4, de abril de 2019, decidiu organizar um debate sobre o assunto, reunindo o autor do volume, a filósofa Maria Cristina Bartolomei, professora de Filosofia da Religião na Universidade de Milão; o teólogo Pe. Giovanni Cereti, especialista em questões ecumênicas; e Ernesto Miragoli, presbítero da Diocese de Como até cerca de 30 anos atrás e hoje felizmente casado, pai e avô, um dos fundadores da associação Vocatio, que reúne padres que deixaram o ministério.

A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o debate.

O celibato tem um fundamento bíblico neotestamentário ou se trata de uma norma eclesial, certamente digna de respeito, mas não fundamentada nas Escrituras?

Enzo Romeo – O celibato continua sendo um assunto tabu no mundo católico e não apenas na Igreja de rito latino – que, há pelo menos cinco séculos, introduziu o celibato obrigatório –, mas até mesmo nas Igrejas de rito oriental, que estão habituadas ao sacerdócio “uxorado”. É como se houvesse uma falta de serenidade em refletir e discutir sobre um tema desse tipo não apenas entre o clero, mas também entre os fiéis leigos. E isso realmente me impressionou.

Maria Cristina Bartolomei – Jesus não fazia diferença entre pessoas com base no estado civil. Como se sabe, exceto João, os apóstolos eram casados, e isso não os impediu de serem escolhidos por Jesus. O tema do celibato está ligado à tradição da pureza cultural dos sacerdotes do Antigo Testamento, que, quando estavam de turno no Templo, tinham que se abster de ter relações sexuais. O Sínodo regional de Elvira, no início do século IV, dá a entender que já havia uma práxis disciplinar que proibia que epíscopos, presbíteros e diáconos tivessem relações sexuais com suas consortes e gerassem filhos. Nesse período, sentem-se as influências do maniqueísmo e nasce o encratismo, isto é, a aversão a tudo o que é corpóreo, natural e, em particular, ao exercício da sexualidade conjugal. Com Inocêncio III – já estamos no início do segundo milênio – há a proibição geral estendida a toda a Igreja e confirmada pelo Concílio de Trento.

Em nível antropológico, o que leva à escolha do celibato?

Maria Cristina Bartolomei – Na minha opinião, a expulsão das mulheres dos ministérios eclesiásticos anda de mãos dadas com o afastamento das mulheres dos ministros ordenados. Ambas as proibições se configuraram quando se instaurou uma hierarquia totalmente masculina, ligada à arcaica oposição entre mulher e sagrado: quem está no sagrado não pode ter contato com a mulher nem as mulheres com o sagrado. Que fique claro: não se discute o carisma da eunuquia pelo Reino, que está no anúncio de Jesus e desde o começo em honra da Igreja, mas sim o fato de que os responsáveis pelas comunidades devem necessariamente ser assimilados ao gênero dos monges. Uma mudança que ocorreu apenas no segundo milênio.

Giovanni Cereti – Se quisermos nos inspirar na vida de Jesus, segundo o seu próprio testemunho contido nos Evangelhos, “o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Certamente, portanto, trata-se de um pregador que andava pelos vilarejos com a comunidade dos discípulos, mas não há referências explícitas ao casamento de Jesus ou dos discípulos no Novo Testamento. Há apenas aquela referência que se encontra em Mateus 19, 12, depois que Jesus havia afirmado que “o que Deus uniu, o homem não deve separar”, que diz: “Há alguns que se fazem eunucos pelo reino dos céus”. E, de fato, a vida religiosa se inspira nessa frase. Mas, como se trata de refletir sobre o celibato como condição prevista pelo direito canônico para ser admitido nos ministérios ordenados, parece-me importante lembrar que no Novo Testamento insiste-se no fato de não impor sacrifícios desnecessários sobre as costas dos discípulos. A palavra de Cristo nos convida a uma fé vivida no amor e na liberdade. Por isso, encontramos que o Senhor, de acordo com o Evangelho de Mateus, capítulo 23, versículo 4, diz: “Amarram pesados fardos e os colocam no ombro dos outros”. O mesmo tema é retomado em relação àquele que é chamado de Concílio de Jerusalém, em Atos 15, 10: “Então, por que vocês agora tentam a Deus, querendo impor aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós mesmos tivemos força para suportar?”. É o jugo da lei, é uma mentalidade – digamos – legalista que é condenada. Na Carta aos Gálatas, diz-se: “Cristo nos libertou para que sejamos verdadeiramente livres. Portanto, sejam firmes e não se submetam de novo ao jugo da escravidão” (Gálatas 5, 1). E um dos mais belos textos do Evangelho é aquele em que se diz: “Venham para mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes darei descanso. Carreguem o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas vidas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mateus 11, 28-30). Em suma, creio que o celibato encontra seu enraizamento no Novo Testamento, no texto relativo aos eunucos, mas deve ser vivido com grande alegria e com grande liberdade; é feito de graça e não de lei. Não podemos reproduzir um legalismo que pode fazer com que algumas pessoas sofram no curso do seu ministério e da sua vida.

Então, por que essa regra nasceu?

Giovanni Cereti – Na minha opinião, há sobretudo uma forte influência do pensamento e da filosofia estoica, que desconfiava dos atos conjugais, que pareciam fazer com que se perdesse o domínio de si, mas sobretudo porque algumas correntes, na primeira comunidade cristã, condenavam o matrimônio. A Igreja se manteve distante dessas correntes e condenou essas posições, que, no entanto, tiveram uma certa influência. A partir dos primeiros textos conciliares que conhecemos, embora já sejam do século IV, emerge que se pedia que todos os cristãos, mas acima de tudo os clérigos, se abstivessem dos gestos e dos atos da vida conjugal se tinham que celebrar ou participar da Eucaristia. Assim como havia o jejum eucarístico antes de participar da Eucaristia, havia o jejum dos atos conjugais. Na Igreja do Oriente, onde a celebração da Eucaristia está prevista especialmente aos domingos e nas festividades, o princípio da pureza ritual pôde ser superado e se conservou um clero uxorado. Na Igreja Ocidental, por outro lado, a difusão da celebração diária da Eucaristia colocou efetivamente os ministros casados em uma situação muito difícil, pedindo-lhes que se abstivessem completamente da vida conjugal. Eu acho que isso influenciou a lei do celibato, que não se fundamenta na palavra de Deus ou na Escritura, mas sim em convicções de irreconciliabilidade entre aquilo que era considerado como sagrado e o exercício da sexualidade conjugal.

Ernesto Miragoli – De um ponto de vista histórico, eu creio que o celibato começou como conselho, depois se tornou obrigação, logo depois daquele maldito abraço do Edito de Milão, quando a Igreja começou a se aliar com o poder político, até Tessalônica, com Teodósio que proclama a religião católica como religião do Império. E depois há o tema da mulher que, desde a mitologia grega, revestia-se de um valor negativo. No século passado, finalmente algo mudou em nível cultural, mas ainda é preciso trabalhar muito nisso. Como comunidade cristã, devemos reconhecer que Cristo foi um revolucionário, e todas essas coisas se tornaram ornamentos que nos fazem perder de vista o essencial.

Na opinião de vocês, o declínio das vocações também depende do celibato?

Giovanni Cereti – No século IV, em 325, ocorreu o Concílio de Niceia, onde foi proposto o celibato para os padres. De acordo com uma narrativa de historiadores gregos eclesiásticos, naquela ocasião, levantou-se um certo Pafnúcio, uma pessoa idosa e de muita autoridade na Igreja (é São Pafnúcio de Tebas, bispo), que disse: “Não devemos tentar a Deus pedindo coisas que parecem difíceis demais de observar”. Seu longo discurso foi compartilhado pelos Padres conciliares, que se recusaram a pôr esse princípio da renúncia do matrimônio e do celibato para aqueles que deviam ser ordenados padres. A lacuna entre Oriente e Ocidente começa a ocorrer nessa época, e ocorre para o Ocidente precisamente por causa da convicção de que havia uma irreconciliabilidade entre o sagrado e o exercício da sexualidade humana. No próximo Sínodo dos bispos sobre a Amazônia, diz-se que o papa pode ser orientado a conceder a ordenação de viri probati para o serviço das comunidades cristãs, seguindo o pedido recebido de vários episcopados locais. Se essa estrada for aberta, provavelmente a questão poderá se espalhar como fogo, porque o problema da insuficiência do clero e do consequente “jejum eucarístico” imposto a tantas comunidades desprovidas de padres é sentido por toda a parte.

O que se entende exatamente por viri probati?

Giovanni Cereti – Por viri probati, entendem-se pessoas que deram boa prova de si mesmas na sua família, na sua profissão, que gozam de boa estima em suas comunidades cristãs e, portanto, podem ser ordenadas ministros nos diversos graus. Isso já ocorre no diaconato, para o qual o Vaticano II havia aprovado a ordenação de homens casados, mas hoje também se pensa no presbiterado e, em conformidade com o que ocorre nas Igrejas evangélicas e na Igreja anglicana, portanto Igrejas do Ocidente, provavelmente também no episcopado. Fala-se de viri probati, mas eu acredito que um dado extremamente urgente para a Igreja Católica seria o de superar o tabu da diferença sexual, isto é, uma certa discriminação contra as mulheres, que foi condenada explicitamente no Concílio Vaticano II na Gaudium et spes, e que, na realidade, camuflada com outros termos, continua existindo na rejeição de dar à mulher o acesso ao ministério ordenado. A Igreja Católica sofre enormemente com esse fato, até porque outras Igrejas cristãs que introduziram o ministério feminino estão tendo ótimos resultados. Na minha opinião, é uma desobediência aos sinais dos tempos e é um dano muito grave para a comunidade cristã, porque haveria recursos – ouso dizer – intermináveis, uma riqueza que poderia fazer a Igreja Católica florescer novamente, não apenas nos nossos países, mas também no mundo inteiro. O crescimento da mulher é um dos sinais dos tempos que foi detectado e afirmado como fato positivo pelo Papa João XXIII na Pacem in terris. Mas esse reconhecimento não teve consequências, ou teve consequências insuficientes, na Igreja Católica.

A ideia que emerge do livro de Romeo é que o caráter facultativo do celibato poderia ser a carta na manga. Mas como chegamos a isso?

Enzo Romeo – Pessoalmente, eu não acho que se deve pôr em discussão o valor do celibato, que continua sendo uma grande oportunidade. Mas o celibato deve ser uma escolha livre, profunda, consciente. Eu acho que não há bons motivos para que essa obrigatoriedade permaneça. O fato de que há dificuldade em discutir isso, no entanto, significa que as pessoas talvez ainda não estão muito prontas. Na Paróquia de Santo Estanislau, no bairro romano de Cinecittà, confiada para os cuidados pastorais a um diácono casado, que vive com a esposa e quatro filhos na casa paroquial, eu encontrei uma grande serenidade. Não se trata de um diácono-pároco, figura que não existe na Igreja, mas eu vi uma pessoa serena, que encontra apoio na sua família, mais confiável do que tantos sacerdotes solteiros que têm dificuldade em se relacionar com a missão ministerial dos ordenados, o que pressupõe a desconstrução de uma certa visão sagrada do próprio ministério, infelizmente hoje enraizada sobretudo entre os mais jovens. Por isso, o tema da formação é decisivo. Uma das formas, embora indireta, é uma assimilação sinodal da Amoris laetitia, na qual são desintegrados alguns dos fundamentos implícitos mas profundos que levaram à desvalorização do amor conjugal, do corpo, da mulher etc. Quanto ao fato de ter paciência em relação à exclusão das mulheres de todo ministério eclesiástico, na minha humilde opinião, já tivemos até demais. É uma coisa escandalosa, em contraste com o anúncio bíblico e a dignidade humana. Eu não tenho pressa em ver uma mulher presidindo uma Eucaristia, mas não me resigno à pseudodoutrina que diz: “Se alguém conferisse a Ordenação às mulheres, esse ato não produziria nenhuma consequência, porque a natureza feminina é incapaz de receber tal sacramento”. Isso me fere profundamente e, cada vez que eu comungo, me faz sentir que a Igreja não está totalmente em comunhão comigo. Eu sonho que as mulheres católicas escolham um domingo, precisamente o último do ano litúrgico, para se abster da mesa eucarística: para indicar que não nos sentimos plenamente integradas na comunhão eclesiástica.

O que vocês pensam a respeito?

Enzo Romeo – Neste momento, eu acho que a solução não é nem a que vocês definem como o caminho indutivo, portanto os viri probati, nem a oficial, uma decisão de cima, do pontífice. Provavelmente, seria necessário um concílio, dado aquilo que esse tema move nos corações dos fiéis. Assim como em Trento se certificou o celibato obrigatório, talvez fosse necessário outro concílio que dissesse que agora podemos mudar de caminho, retornando para a tradição do primeiro milênio. Resta a possibilidade, que pode ser confiada aos bispos diocesanos e ao papa, de começar a dar sinais. Por que não pensar em todas as dioceses na presença ad experimentum de um sacerdote casado? No meu livro, eu conto a história de Carlo Travaglino, um sacerdote franciscano de Nápoles que se apaixonou pela responsável da Juventude Franciscana e por um projeto que haviam compartilhado juntos, o de ir à África, à Eritreia e trabalhar em favor dos leprosos. O arcebispo de Nápoles, o cardeal Ursi, entendeu e os ajudou a realizar esse projeto. Ele foi ao encontro do papa, contou a história, e Paulo VI concordou que, efetivamente, essa pessoa merecia continuar sendo sacerdote católico de rito latino, mesmo sendo casado. O casamento foi celebrado pelo núncio na Etiópia, com toda a oficialidade e a solenidade possíveis. Quem sabe quantos casos semelhantes poderiam ser trazidos à tona, se em cada diocese fosse admitida a presença de um padre que possa ter acesso ao ministério ordenado como homem casado.

Ernesto Miragoli – Quando minha esposa e eu decidimos nos casar, no distante 1986, eu busquei relações com Roma e tive a sorte de me encontrar com um eminente personagem eclesiástico. Escrevemo-nos, depois nos encontramos, também com a minha esposa, e eu lhe propus que nos deixassem ter uma experiência monitorada: uma paróquia em missão – eu não conhecia então o caso de Travaglino – em que se pudesse fazer tal experiência. Eu acrescento que, há 30 anos – não só –, estou buscando um diálogo com o Vaticano, através da Congregação do Clero e da Congregação dos Bispos, e com diversos bispos diocesanos italianos, para colaborar, para pôr à disposição a nossa experiência. Nada de rejeição, muita cortesia, muitas vezes até partilha das propostas da parte dos pastores, mas, quando se chega a querer construir algo, experimenta-se o nada, de fato. Estamos em exílio. No fim, com a minha esposa, dizemos a nós mesmos que somos um grãozinho dessa comunidade eclesial. Trabalhamos, esforçamo-nos o máximo que podemos, rezamos, e depois os pensamentos e os caminhos de Deus não são os nossos. Sabe-se que existimos e estamos à disposição para o debate e para colaborar. Pensemos em quanto sofreram, por exemplo, pessoas como Antonio Rosmini, Ernesto Buonaiuti, Romolo Murri, e depois, no fim, as suas ideias chegaram.

Giovanni Cereti – Em 1973, eu escrevi um livro, “Lettera a uma religiosa, ovvera dela tenerezza[Carta a uma religiosa, ou: da ternura], no qual, explorando os valores do celibato, eu dizia que é um mistério de pobreza – compartilha-se a pobreza dos últimos, daqueles que não têm um companheiro, que foram deixados de lado; é um mistério de liberdade –, somos livres para amar, para servir, para viver na Igreja. É também um mistério de caridade – no sentido de que somos chamados de alguma forma a amar todas as pessoas como se amariam as pessoas da própria família. Porém, eu acrescentava, isso demanda sacrifícios. Creio que o celibato é justo sobretudo para a vida religiosa, que é uma vida comunitária, de fraternidade, de sororidade. Os padres diocesanos hoje levam uma vida excessivamente isolada. Não existe mais aquele espírito do presbitério que existia antigamente: os padres idosos, os bispos idosos, quando devem “se aposentar”, vivem experiências dramáticas de solidão. Eis, portanto, o celibato é uma vocação muito alta que pode dar grandes alegrias, mas que deve ser sentida como um dom de Deus, uma graça de Deus, que não pode ser vivida pela lei, mas apenas pela liberdade.

Maria Cristina Bartolomei – Na minha opinião, em uma sociedade em que se aponta não para o celibato, mas para a solteirice, entendida como a liberdade absoluta em que eu sempre faço o que quero, seria um testemunho cristão muito forte mostrar que os responsáveis das nossas comunidades – exceto alguns que escolheram o caminho celibatário – têm famílias e estão prontos para assumir esses compromissos também. Eu acho que poderia ser um sinal profético.

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