"Uma Igreja em saída é uma igreja capaz de se reconhecer frágil"

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26 Outubro 2018

"Sabemos que o problema não é a mensagem, mas o mensageiro".

Reproduzimos abaixo a intervenção de Juan Bytton feita no Sínodo dos Bispos sobre os Jovens, que se conclui no próximo.domingo, publicada por Religión Digital, 24-10-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

Juan Bytton é padre jesuíta, capelão da Pontifícia Universidade Católica do Peru, participa do Sínodo dos Bispos sobre os Jovens, nomeado pelo Papa Francisco como auditor no atual Sínodo dos Bispos, cujo tema é Juventude.

Juan Bytton (Foto: PUCP)

Eis o artigo. 

Querido Santo Padre, queridos irmãos e irmãs na fé. Venho do Peru, onde acompanho jovens em idade universitária. No primeiro dia, o Santo Padre nos convidou a "falar com coragem e franqueza". Falarei do número 142 do Instrumentum laboris, onde se assinala: "a Igreja se constrói com os jovens". E faço isso seguindo os três passos do discernimento.

1. Reconhecer

Hoje, a Igreja e os jovens têm um ponto de encontro: a fragilidade. Constatamos em diversas partes do mundo o fracasso de propostas pastorais que terminam afastando muitos jovens. No entanto, sabemos que o problema não é a mensagem, mas o mensageiro. Tenhamos a coragem de dizer: "Igreja e jovem, busquemos juntos o que Deus quer que nós façamos". Já não é "eu e tu"; agora é "nós": caminhemos juntos, sem medo e desconfianças para que a primeira palavra que saia de nosso interior seja: perdão. As crises nos levam à verdade, e a verdade à liberdade (Cf. João 8,32). Começamos a conhecer Deus a partir do perdão.

2. Interpretar

Encontramos no Novo Testamento o adjetivo grego ἀσθένεια - "astenia" que significa frágil, débil. Diz o Senhor: "O Espírito está disposto, mas a carne é fraca" (Mc 14,37). E São Paulo nos mostra como fazer da fragilidade uma profunda experiência de conversão. Aos romanos ele afirma: "Não critiquem o frágil na fé, pelo contrário, apoiem-no" (Rm 14,1). Uma Igreja em saída é uma igreja capaz de se reconhecer frágil e, ao sair, se encontra com aqueles jovens que em algum momento se afastaram dela. Hoje, esse caminho está cheio de crucificados e marginalizados. Hoje, volta a ser imperativo colocar os pobres no coração da Igreja e da juventude. Quando nos colocamos a serviço dos últimos, a confiança se recupera e a fé renasce.


3. Escolher

Só se escolhe o que se conhece. Crer em Jesus é segui-lo e torná-lo conhecido, fazendo-se seu amigo. Não se trata de buscar "equilíbrios" entre doutrina e vida; entre tradição e criatividade, isso seria algo artificial. Trata-se de voltar à radicalidade do evangelho que é a radicalidade do amor e da liberdade empática. Deus não nos faz perfeitos, mas livres para amar. Façamos agradável e belo o encontro, a formação, a liturgia, a vida sacramental, o compromisso com os últimos. Façamos bela a Igreja com o esplendor do evangelho e a apaixonante amizade com Jesus.

Por isso, finalizo fazendo uma humilde proposta: Uma reforma pastoral integral e inclusiva que parta da amizade com Jesus para conhecer o Deus de Jesus. Uma reforma radical dos esquemas de catequese infantil e juvenil a partir das Conferências, Dicastérios e experiências ganhas (CELAM, etc.), guiados por uma fé vivencial e esperançosa; uma fé encarnada e "encarnante". Crianças formadas no amor serão jovens profetas capazes de erradicar a corrupção, a fome, o tráfico, os danos ambientais, tudo o que desumaniza. A atitude de conversão não põe em risco a doutrina, pelo contrário, a alimenta, a torna mais próxima e compreensível, pois as perguntas e as dúvidas também são Palavra de Deus (Cf. Mt 25,37; Mc 8, 29; Lc 1,34; Jo 6,68).

Comecei dizendo que a fragilidade é hoje o espaço de encontro entre Igreja e Juventude. Também o é, sem dúvida, a capacidade de sonhar e se renovar. A Igreja é jovem, porque Deus é sempre jovem. Se por enquanto, as fórmulas já não dizem muito, que nossas vidas sejam testemunhos da presença renovadora de Deus. Ele sonha com esta igreja sinodal em saída aberta ao Espírito do momento presente e fiel à história. Uma Igreja Mãe, Mestre... e, sobretudo, Amiga. Muito obrigado!

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