A ‘maldição’ das matérias-primas que condena a América Latina

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30 Outubro 2019

Os milhares de jovens chilenos urbanos que protagonizam os protestos nas ruas de Santiago vivem longe das megaminas de cobre no alto deserto de Atacama. Os indígenas andinos que lideraram os protestos em Quito não conhecem as terras de petróleo abaixo na Amazônia equatoriana. Mas, foi o superciclo das matérias-primas - o aumento espetacular e a queda dos preços - que desencadeou os problemas atuais na América Latina.

A reportagem é de Andy Robinson, publicada por La Vanguardia, 29-10-2019. A tradução é do Cepat.

Embora o Chile seja o país mais prudente na gestão do volátil ciclo das commodities - criou um fundo anticíclico de estabilização para amortizar os altos e baixos do preço do cobre -, sua dependência da exportação do mineral ainda é um obstáculo para ultrapassar a fronteira e ser um país de renda média. “O Chile é a democracia de maior sucesso na América Latina, mas tem três problemas: uma alta dependência do cobre, altos níveis de desigualdade e um sistema político corrupto”, resume Patricio Navia, da Universidade de Nova York.

O mesmo acontece em outros países que sofrem surtos sociais no momento, como Equador, Bolívia, Argentina e, é claro, Venezuela. Todos aproveitaram uma fase de preços disparados das matérias-primas, entre 2000 e 2014, para adotar políticas de redistribuição por meio de fortes transferências fiscais para os mais pobres.

Contudo, o colapso dos preços de matérias-primas como petróleo, cobre, ferro e soja passou uma fatura devastadora. “O boom das matérias-primas passou e o ambiente fiscal é mais difícil, e as taxas de pobreza aumentaram ligeiramente em alguns países", alerta o FMI. Embora tenha ocorrido uma ligeira recuperação no preço das matérias-primas, após o colapso em meados desta década, este ano o índice de commodities elaborado pelo FMI caiu 5,5%, e o preço do petróleo e dos minerais industriais, 10%

O Equador, assim como a Colômbia e, catastroficamente, a Venezuela, passou por uma recessão após o colapso do preço do petróleo, a partir de 2014, o que fez duplicar a sua dívida. Daí a decisão de Lenin Moreno de solicitar um resgate ao FMI. A prolongada recessão no Brasil tem suas raízes na queda nos preços de matérias-primas, principalmente ferro, soja e carne, embora o Brasil tenha uma economia muito mais diversificada do que a Venezuela.

Na Bolívia, ainda que tenha conseguido a taxa de crescimento mais elevada da região, a dependência das exportações de gás para o Brasil é um ponto frágil para o futuro. É lógico pensar que uma deterioração econômica previsível agravará ainda mais as tensões sociais causadas por suspeitas de fraude eleitoral e a percepção de que o presidente Evo Morales quer se perpetuar no poder.

Mas, não é apenas a queda nos preços que cria o caldo cultural de protesto, também a bonança anterior. No Brasil, os protestos de 2013 que desestabilizaram Dilma Rousseff ocorreram no ano de salários mais altos, em duas décadas, após anos de forte crescimento impulsionado por exportações recordes de commodities, especialmente para a China.

No Chile, os protestos ocorrem apesar da economia ter lidado melhor do que outras com o novo ciclo de matérias-primas, provavelmente porque as expectativas aumentaram ao longo das décadas do boom. O preço do cobre quadruplicou nos anos 2000, mas depois caiu em 50%, em quatro anos, e agora permanece a preços mais baixos. Este ano, de acordo com o FMI, caiu 9,4% devido à recessão manufatureira global e à desaceleração na China. Isso sim, a alta demanda por cobre na indústria de carros elétricos é um raio de luz para as exportadoras chilenas.

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