A Igreja boliviana pede a Evo uma “pausa ecológica” na Amazônia

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28 Agosto 2019

A Igreja católica da Bolívia pediu nessa segunda-feira ao governo de Evo Morales que faça uma “pausa ecológica” na área afetada pelos incêndios que arrasaram um milhão de hectares de bosques e campos na zona da Chiquitania, no leste do país. Depois de uma reunião de bispos e delegados, os religiosos emitiram um comunicado que foi lido pelo secretário-geral da Conferência Episcopal Boliviana, Aurelio Pesoa. “Exigimos ao Governo nacional declarar as áreas de bosques afetados pelo fogo como terras de imobilização com pausa ecológica e absoluta proibição de todo cultivo e extração, promovendo somente atividades de reflorestamento”, disse o comunicado.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 27-08-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Acabar com os “chaqueos” (queimadas)

Os bispos pedem para “revogar de imediato as autorizações de desmatamento e ‘chaqueos’”, uma prática agrária de queimas de vegetação para preparar terrenos de cultivo e pastoreio, ademais de fazer uma auditoria das mesmas.


Mapa das regiões bolivianas. Fonte: Miguel Sevilla-Callejo | Universidad Autónoma de Madrid

Assim mesmo, apontam, que é “irresponsável” e “imprudente” o decreto promulgado em julho desse ano que autoriza a queima controlada nas regiões orientais de Beni e Santa Cruz.

“O decreto é, ademais, temerário e evidencia o desconhecimento real dos fortes ventos e da seca prolongada dessa estação no oriente boliviano”, argumenta o comunicado.

Também demandaram que as autoridades do país destinem urgentemente os recursos necessários para combater o fogo que está latente há três semanas e que seja "gerido com transparência e a ajuda internacional adequada”.


Mapa da Gran Chiquitania. Fonte Mappery

“Como Igreja nos unimos em solidariedade à dor e ao clamor da Terra e dos habitantes desses territórios, em especial os povos indígenas, cuidadores da Casa Comum, oferecendo ajuda material e doações”.

Os religiosos apontaram que as consequências desse “desastre ecológico são múltiplos” e incluirão a contaminação da terra, do ar e da água, ademais da perda da biodiversidade.

“São efeitos nefastos que não tem precedentes históricos, repercutem mais além de nossas fronteiras, particularmente com o território irmão do Brasil”, remarca o comunicado.

A Conferência Episcopal destacou o esforço e o compromisso das pessoas e instituições qu “afrontam com responsabilidade e sacrifício” o incêndio na Amazônia.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, escreveu no Twitter que “sem importar o custo e o esforço” o objetivo em comum é preservar a Chiquitania e que nada é “mais valioso que a Mãe-Terra”.

Morales manifestou no domingo que a ajuda internacional para apaziguar o fogo “é bem-vinda” e posteriormente o chanceler boliviano, Diego Pary, informou que Peru cooperará com dois helicópteros e que está em contato com representantes de Chile, Rússia, França, entre outros.

O governo de Santa Cruz anunciou no fim de semana que trabalham em um plano de reabilitação da zona afetada com medidas drásticas, como impedir as queimadas e os assentamentos humanos no lugar.

A Chiquitania de Santa Cruz, um lugar de transição entre a Amazônia e o Chaco, é uma das principais zonas turísticas da Bolívia, onde estão assentadas as missões jesuíticas declaradas patrimônio da Unesco.

A reunião dos religiosos foi com o objetivo de se preparar para o Sínodo sobre a Amazônia, que ocorrerá em outubro no Vaticano.

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