A esquerda frente aos direitos humanos na Venezuela. Artigo de Raúl Zibechi

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23 Julho 2019

“Não se pode estar com um pé de cada lado. Aqueles que escolheram o poder estatal e a ação por cima, ou bem serão relegados pelos movimentos de baixo, ou bem se converterão, como na Nicarágua e na Venezuela, em seus algozes”, escreve Raúl Zibechi, jornalista e analista político uruguaio, em artigo publicado por Rebelión, 19-07-2019. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

A ex-presidenta do Chile [Michelle Bachelet] nunca havia sido questionada pelas esquerdas e os progressismos hegemônicos por causa de suas políticas em relação ao povo mapuche ou por seu alinhamento com os empresários neoliberais. Sob seus dois mandatos presidenciais, sim, foi severamente questionada, mas pelos relatores especiais de direitos indígenas e órgãos da Organização das Nações Unidas sobre a aplicação da lei antiterrorista no conflito entre o Estado chileno e a nação mapuche.

Agora, surge uma enxurrada de críticas contra Bachelet emitidas por “intelectuais” relacionados ao progressismo, porque na qualidade de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos denuncia com dados confiáveis, e confirmados a partir da Venezuela, a violência sistemática do regime, que provoca, em média, cerca de 400 assassinatos extrajudiciais por mês por parte do aparato de segurança do Estado (e de grupos informais apoiados por eles). Denuncia tortura, detenções arbitrárias, violência sexual e o uso de força excessiva e letal contra manifestantes e opositores.

Boa parte dos críticos da ex-presidenta chilena – por quem não sinto a menor simpatia política - silenciaram quando o povo foi reprimido, mas agora correm apressadamente para defender um Estado e seu aparato repressivo. Agem assim por razões geopolíticas, porque em seus cálculos mesquinhos a Venezuela é uma peça na luta contra a hegemonia estadunidense na região e no mundo.

Em rigor, não desmentem nenhuma das afirmações do relatório apresentado por Bachelet, mas se limitam a desacreditar a pessoa que o rubrica. Se colocar o Estado à frente e acima das pessoas comuns organizadas em movimentos já é muito sério, difamar o acusador sem responder às alegações se refere a uma história bem conhecida das esquerdas do mundo. É a política que foi utilizada por Josef Stalin, até a paranoia, contra seus adversários políticos. Milhares de comunistas e milhões de soviéticos caíram em suas garras, com o silêncio cúmplice da grande maioria dos comunistas do resto do mundo.

Será dito que nós que apelamos para a ética como argamassa da política somos ingênuos incorrigíveis, destinados a cair sob as balas do realismo inimigo. Aqueles que dizem isso esquecem, no entanto, que as melhores tradições do campo rebelde, e algumas de suas maiores criações, foram devoradas por um pragmatismo desenfreado que transformou as forças de mudança em opressoras, que desacreditaram qualquer tentativa de tornar o mundo um lugar melhor.

Os desastres do stalinismo (da revolução espanhola até o Sendero Luminoso, passando pelos crimes de Roque Dalton e da comandante Ana María, em El Salvador) nunca foram analisados a fundo pelas plumas mercenárias. Contudo, há aqueles que defendem um estuprador e genocida chamado Daniel Ortega, sempre com a desculpa do imperialismo e outras asneiras.

Estamos diante de uma dupla curva na história que mudará o mundo para sempre. Uma, marcada a fogo pelo conflito entre as nações imperialistas (Estados Unidos, China, Rússia) para dominar a hegemonia mundial. Outra, transitada por feministas e povos originários que, com o seu empenho antipatriarcal e anticolonial, abrem profundas trincas na dominação.

Não se pode estar com um pé de cada lado. Aqueles que escolheram o poder estatal e a ação por cima, ou bem serão relegados pelos movimentos de baixo, ou bem se converterão, como na Nicarágua e na Venezuela, em seus algozes.

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