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22 Abril 2019

"Desculpe, por favor, você me dá um título? Eu não entendi nada". O jornalista de cabelos brancos está em pânico. Greta Thunberg acabou de falar do palco ecológico da Piazza del Popolo, em Roma, alimentado pelas pedaladas de uma centena de ciclistas suados, mas ninguém pensou em traduzir seu breve discurso em inglês, como aconteceu por ocasião do discurso no Senado. E não há necessidade, de fato, porque os milhares de jovens das Fridays for Future nascidos depois de 2000, que lotam essa praça - 25.000, segundo os organizadores - entendem sem problemas e pontuam as palavras de Greta com aplausos. Ela, sempre acompanhada por seu pai Svante - bigode, compridos cabelos castanhos e sorriso perene - retomou o discurso feito no Parlamento na quinta-feira. "Podemos comprar tudo, mas o que precisamos é de um futuro. Milhões de estudantes foram às ruas, mas ninguém está fazendo nada e as emissões estão aumentando. Porém nós estamos mudando o mundo e vamos continuar a lutar".

A reportagem é de Elisabetta Ambrosi, publicada por il Fatto Quotidiano,  20-04-2019. A tradução é de Luisa Rabolini

Diante do palco, uma menininha segura uma placa verde com uma mensagem cortante: "Se nós morrermos, levaremos vocês conosco". Outro cartaz ironiza sobre os poderes fortes - "Se o clima fosse um banco, o teriam salvado" - enquanto alguém, em um dos muitos panfletos pendurados num fio (uma espécie de "mural" de pensamentos sobre o clima), escreveu com marca-texto: "Ah pessoal, que calor!" Foram 14.455 euros recolhidos na praça - muitas notas de 50 euros, dizem os organizadores - para cobrir parte das despesas.

E enquanto as intervenções com tons apocalípticos se sucedem no palco, alternadas com músicas da banda dos Têtes de Bois, há aqueles que se abraçam no estande dedicados aos abraços de graça, trupes de jornalistas suados entrevistam os participantes, com apenas um cordão no pescoço e um cartão sem plástico com a palavra “imprensa”, já que até o credenciamento se tornou ecológico. Quando você pergunta para quem esteve na praça - de Grottaferrata, Civitavecchia, Bracciano, Latina - se mudou seu estilo de vida, a resposta é: diferenciada sim, nada de garrafas pet, apenas transporte público, aliás andar a pé, já que eles não funcionam em Roma.

Mas sobre a decisão de Greta de não usar o avião eles vacilam: "Ela é a líder, tem que fazer isso ... Para nós é melhor começar com as pequenas coisas, tipo usar uma bicicleta". E ainda mais sobre a escolha vegana: "Precisamos de proteínas animais para crescer!" "O problema são os frangos do supermercado, não a carne", "Vegano é difícil, somos humanos", dizem em coro.

Filippo comprou frango frito do McDonald's no dia anterior, mesmo admitindo "que se envergonha", enquanto Francesca diz: "No Mac eu não vou mais. Mas porque estou de dieta". Resumindo, como alguém grita do palco, "seguimos Greta, mas à nossa própria maneira". Ela, extremamente tímida, sorridente, talvez cansada destes três dias na Cidade Eterna e certamente inconsciente das interceptações do prefeito e dos problemas da Ama, distribui, antes de ir embora, rosas vermelhas para as crianças. E é difícil, olhando para ela, acreditar nas teorias da conspiração que acompanharam sua chegada à Itália, dos vínculos com a Maçonaria e os fortes poderes do suposto, irrefreável, marketing editorial.

De fato, os seus pares não têm dúvidas. "Greta manipulada? Mesmo que fosse, não mudaria nada, o que está fazendo é positivo", diz uma garota de 13 anos, descartando toda conspiração. Para eles, Greta Thunberg é simplesmente uma pessoa com "grande coragem" que "se baseia em fatos científicos e diz coisas verdadeiras”, como explica Marco, sucintamente, quinze anos de Latina. Um adjetivo para defini-la? "Carismática". "Inteligente". "Revolucionária". "Radical". Radical demais? "Muito pouco para o que seria necessário. O tempo de moderação acabou”, comenta Roberta. Enquanto Francisco, espinhas e muita timidez, rebate: “Apesar da idade e da complexidade da situação, conseguiu levar adiante um ideal. O que dizer? Tirei o chapéu!".

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