Ratzinger quebra o silêncio com um texto sobre a pedofilia, o Vaticano surpreso

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12 Abril 2019

O papa emérito quebra o silêncio. E faz isso de maneira inédita, imprevista e ensurdecedora, publicando uma reflexão sobre a pedofilia em uma revista alemã, Klerusblatt, e duas traduções, italiana e inglesa, no Corriere della Sera e no NCRegister.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada por Il Messaggero, 11-04-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Bento XVI se baseia no encontro de fevereiro sobre a proteção dos menores na Igreja, promovido pelo Papa Francisco, para dar "um sinal forte" e "tornar a Igreja novamente credível como luz do povo e como força que ajuda na luta contra os poderes destruidores". Ele afirma que quer oferecer a sua contribuição para essa missão "apesar de não ter mais nenhuma responsabilidade direta, como emérito" e agradece ao Papa Francisco "por tudo que ele faz para nos mostrar continuamente a luz de Deus que até mesmo hoje não diminuiu".

O texto é composto por três partes. Na primeira parte, Ratzinger fala sobre o contexto social, a revolução sexual iniciada na década de 1960. É nesse período - escreve ele - que a pedofilia foi considerada "permitida" e, inclusive, "conveniente". Nesse período registra-se "o colapso das vocações sacerdotais" e "o enorme número de renúncias do estado clerical", juntamente com o "colapso da teologia moral católica" que - afirma Bento XVI - começa a ceder a tentações relativistas. Segundo um tipo específico de teologia - observa ele - “nem mesmo poderia haver algo absolutamente bom nem algo sempre mal, mas apenas avaliações relativas. O bem não existia mais, mas apenas o que, em determinado momento e dependendo das circunstâncias, é relativamente melhor".

Na segunda parte do texto, o Papa emérito fala sobre as consequências desse processo na formação dos sacerdotes. "Em vários seminários, formaram-se clubes homossexuais que agiam mais ou menos abertamente." "A Santa Sé sabia desses problemas, sem ser informada em detalhes." "O entendimento conciliar foi de fato entendido como uma atitude crítica ou negativa em relação à tradição vigente até aquele momento, que agora deveria que ser substituída por uma nova relação, radicalmente aberta, com o mundo" até "desenvolver uma espécie de nova moderna ‘catolicidade’”.

Bento XVI destaca como a questão da pedofilia "tornou-se uma questão candente apenas na segunda metade da década de 1980" e foi inicialmente abordada de forma branda e lenta, em particular garantindo os direitos dos acusados e tornando as condenações quase impossíveis. Demasiado garantismo. Por isso, juntamente com João Paulo II, refletiu-se sobre a oportunidade de atribuir a competência dos abusos contra menores à Congregação para a Doutrina da Fé, para "legitimamente poder impor a pena máxima", através de "um verdadeiro processo penal": a demissão do estado clerical. No entanto, verificaram-se atrasos que "deviam ter sido evitados". Por isso - observou ele - "o Papa Francisco empreendeu novas reformas".

Bento XVI indica a ação do demônio que "quer provar que não há homens justos", denegrindo assim também a Deus: "Não, mesmo hoje a Igreja não consiste apenas de peixes ruins e joio. A Igreja de Deus também existe hoje, e justamente porque hoje é o instrumento com o qual Deus nos salva. É muito importante contrapor às mentiras e às meias-verdades do diabo toda a verdade: sim, o pecado e o mal na Igreja existem. Mas hoje há também a Igreja santa, que é indestrutível”. "A Igreja de hoje é, como nunca antes, uma Igreja de mártires e, assim, testemunha do Deus vivo".

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