Em nova carta, Bento XVI põe a culpa dos abusos na revolução sexual de 1968 e na teologia do Vaticano II

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12 Abril 2019

O Papa Emérito Bento XVI publicou uma nova carta pondo a culpa da contínua crise dos abusos clericais na revolução sexual, nos desdobramentos na teologia após o Concílio Vaticano II e na aversão da sociedade moderna a falar sobre Deus.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 11-04-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A carta, uma das poucas que o ex-pontífice compartilhou publicamente desde sua renúncia em 2013, imediatamente atraiu críticas de teólogos e observadores do Vaticano. Eles afirmaram que a carta não aborda as questões estruturais que encorajaram o encobrimento dos abusos ou o próprio papel de Bento XVI durante 24 anos como chefe do poderoso escritório doutrinal do Vaticano.

O ex-papa aponta o dedo contra uma série de questões esotéricas, de um suposto “colapso mental” da sociedade provocado pelos protestos de 1968 a uma alegação de que a revolução sexual declarou que a pedofilia era “permitida e apropriada”, passando pelas “reações veementes” dos teólogos contra uma encíclica do Papa João Paulo II em 1993.

“Entre as liberdades que a revolução de 1968 tentou combater estava a total liberdade sexual, uma liberdade que não mais concedia mais norma alguma”, disse Bento XVI no início de seu texto.

“O colapso mental também estava ligado a uma propensão à violência”, continuou o ex-papa, afirmando: “É por isso que, nos aviões, não são mais permitidos filmes de sexo, porque podia explodir a violência entre a pequena comunidade dos passageiros”.

“Ao mesmo tempo, independentemente desse desenvolvimento, a teologia moral católica sofreu um colapso que tornou a Igreja indefesa contra essas mudanças na sociedade”, disse Bento XVI.

Com uma extensão 5.500 palavras, a carta do papa emérito foi publicada no dia 10 de abril por vários sites católicos de direita, incluindo os sites National Catholic Register e Catholic News Agency, de propriedade da rede EWTN.

A Sala de Imprensa do Vaticano não respondeu imediatamente aos pedidos para verificar a autenticidade da carta, mas o portal de notícias da cidade-Estado informou sobre o texto em uma longa nota, dizendo que ele havia sido escrito para uma revista alemã voltada para o clero, Klerusblatt.

A divulgação da carta ocorre menos de dois meses depois que o Papa Francisco organizou uma cúpula inédita em fevereiro sobre o abuso clerical com os chefes das conferências dos bispos católicos do mundo inteiro e superiores de ordens religiosas.

Francisco abriu a cúpula com a promessa de que a Igreja Católica adotaria novas “medidas concretas e efetivas” para enfrentar o abuso sexual do clero. Semanas depois, ele aprovou a primeira política abrangente de proteção aos menores para a cidade-Estado do Vaticano.

No fim da sua carta, Bento atribui a culpa pelo abuso do clero à falta de apreço pelo papel de Deus na sociedade moderna.

Depois de uma aparente referência à famosa manchete da revista Time de 1966 que perguntou “Is God Dead?” [Deus está morto?], o ex-pontífice diz: “A sociedade ocidental é uma sociedade na qual Deus está ausente na esfera pública e não tem mais nada a oferecer".

“É por isso que é uma sociedade em que a medida da humanidade está cada vez mais perdida”, continua Bento. “Em pontos individuais, torna-se repentinamente aparente que o que é mal e destrói o homem se tornou uma coisa óbvia.”

“Por que a pedofilia alcançou tais proporções?”, pergunta o ex-papa, respondendo: “Em última análise, a razão é a ausência de Deus.”

Vários teólogos notórios usaram o Twitter para criticar a opinião de Bento XVI sobre as causas do abuso sexual clerical.

Julie Hanlon Rubio, professora de Ética Social na Escola Jesuíta de Teologia da Universidade de Santa Clara, que escreveu extensamente sobre moral sexual, chamou a análise do ex-papa de “profundamente falha”.

“A disposição de culpar uma cultura permissiva e uma teologia progressista por um problema que é interno e estrutural é impressionante”, disse Rubio.

Brian Flanagan, professor associado da Marymount University, na Virgínia, cujo livro mais recente se concentra na necessidade da Igreja de uma contínua purificação, chamou o texto de Bento XVI de “embaraçoso”.

“A ideia de que o abuso eclesial de crianças foi um resultado dos anos 1960, um suposto colapso da teologia moral e a ‘conciliaridade’ é uma explicação embaraçosamente errada para o abuso sistêmico de crianças e para o seu encobrimento”, escreveu Flanagan.

Massimo Faggioli, um italiano que leciona na Villanova University e tem escrito extensivamente sobre o Concílio Vaticano II, observou que Bento XVI não mencionou casos controversos como os do padre mexicano Marcial Maciel Degollado, um abusador e estuprador em série que fundou os poderosos e bem relacionados Legionários de Cristo.

Bento investigou Maciel durante anos antes de sua eleição como pontífice em 2005, quando era o cardeal Joseph Ratzinger e chefe da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano.

Mas o abusador em série não foi removido do ministério até depois da morte de João Paulo II, quando Ratzinger se tornou papa. Francisco recentemente culpou a inação de João Paulo II em relação a “filtros” não identificados no Vaticano, que impediram que a ação fosse tomada contra Maciel.

Outra pessoa não mencionada na carta de Bento XVI é o infeliz ex-cardeal Theodore McCarrick, que João Paulo II nomeou como bispo de Metuchen, Nova Jersey, em 1981, arcebispo de Newark em 1986, arcebispo de Washington em 2000 e cardeal em 2001.

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