Steve Bannon em Roma: "Xi Jinping está aqui para impor seu poder"

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22 Março 2019

"Eu desafio o Papa Francisco a divulgar o acordo secreto que ele assinou com Pequim". O ex-braço direito de Donald Trump alerta o Ocidente sobre o risco da China.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada por Huffington Post, 21-03-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Ele a define como uma "coincidência irônica". O fato de estar em Roma, justamente quando está chegando o líder chinês Xi Jinping "o ditador totalitário do sistema mais cruel do planeta". Steve Bannon tem uma ideia clara sobre os motivos da histórica visita do presidente chinês à Itália. "Xi não veio para a Itália por causa de um porto do Adriático, mas para impor a estratégia da Companhia das Índias de forma inversa" ... "um domínio sobre o mundo que acontecerá através da Rota da Seda, o 5G e a Huawei, o plano China 2025". Porque "o 5G é o 4G à décima potência, é uma ferramenta do exército chinês, é como o plutônio, pode se tornar uma arma" com a Huawei "cavalo de Tróia do Ocidente".

Esse o motivo que levou Bannon a disparar o alarme aos governos ocidentais. No futuro, diz ele, "todas as empresas de telecomunicações que usarão os sistemas Huawei serão controladas pelo exército chinês". Para isso, "Matteo Salvini está muito certo em ser prudente". E é uma coincidência irônica que Steve Bannon fale na primeira Biblioteca aberta ao público - já quatrocentos anos atrás - projetada por Vanvitelli, para a Ordem fundada por Sant'Agostino: 1200 volumes raros e muito raros, e a primeira edição impressa da Divina Comédia, graças a uma iniciativa promovida pela "Lettera 22" uma associação de jornalistas não mainstream, aliás, podemos dizer, soberanistas.

Na Biblioteca foram filmadas algumas cenas do filme "Anjos e Demônios" e parece o cenário ideal para o ex-estrategista da Casa Branca. Como se aqueles livros antigos pudessem exorcizar através da cultura da civilização judaico-cristã, a nova barbárie totalitária que seria, segundo ele, representada pelos chineses. "Não está em jogo a defesa étnica", afirma, "Santo Agostinho era um africano, um berbere, vivia na atual Argélia".

Mas o segundo motivo pela qual Xi está em Roma - explica Bannon - "é o Vaticano, é o papa Francisco". Aliás, "esta é a parte ainda maior ("huge") da viagem de Xi", segundo Bannon. Porque "o acordo secreto assinado por Francisco representa muito mais do que a assinatura de relações diplomáticas entre dois estados". É este acordo, até mais do que o da Rota da Seda, que preocupa Bannon, que sabe muito bem o quanto a religião pode ser um fator geopolítico. E, portanto, e uma irônica coincidência o fato de que a sua conferência seja realizada na Biblioteca da Ordem de Santo Agostinho, o santo filósofo preferido por Bento XVI.

"Você acha que Xi se encontrará com o Papa Francisco?" perguntamos a ele quando o encontramos antes da conferência. "Isso eu não sei, mas poderiam haver encontros das comitivas em Roma ou no Vaticano." Quando fala publicamente, então, Bannon lança um desafio. "Eu apelo ao Papa Francisco para divulgar o acordo secreto que assinou com a China e que propiciou aos setores mais radicais do governo chinês o poder de selecionar os bispos dentro da Igreja católica chinesa".

Bannon chega em Roma vindo do Japão, encontrou-se recentemente em Washington com o novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e em toda parte, afirma, "todo mundo está preocupado com uma única questão: a China". Em resumo, ele está convocando para uma reedição da Santa Aliança de todos os países contra o Partido Comunista de Xi (incluindo o Sudeste Asiático, a Malásia, as Maldivas e os países da África Subsaariana). Uma Santa Aliança ao redor da qual, mais cedo ou mais tarde, terá que se agregar até a Rússia. "Como ex-oficial da Marinha dos EUA, a bordo de um destroier eu caçava os submarinos russos na época de Reagan. Eu costumava ver a Rússia como um inimigo. Mas sua economia não causa preocupação, espero que os EUA tragam a Rússia de volta à esfera ocidental, mas visto que não há clima para isso em Washington, será preciso décadas".

É por isso que as próximas eleições europeias serão decisivas. Segundo Bannon, se Salvini, Le Pen e Orban vencerem, então os países europeus deixarão de estar sob a égide globalista da qual é expressão a França de Macron, que cobra dos cidadãos a taxa ecológica, provocando os protestos dos "coletes amarelos", enquanto "é a China o país mais poluidor do planeta".

A praça de Sant'Agostino, logo atrás do Senado, está bloqueada e não é possível circular por ela. Um cidadão romano que passa pergunta: "Chegou o chinês?". "Não, é o norte-americano".

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