A mão estendida do papa, mas Pequim não está com pressa

Revista ihu on-line

Metaverso. A experiência humana sob outros horizontes

Edição: 550

Leia mais

Caetano Veloso. Arte, política e poética da diversidade

Edição: 549

Leia mais

Mulheres na pandemia. A complexa teia de desigualdades e o desafio de sobreviver ao caos

Edição: 548

Leia mais

Mais Lidos

  • Padres despedaçados. Artigo de Pietro Parolin

    LER MAIS
  • Na igreja do Papa Francisco, os movimentos estão parando

    LER MAIS
  • Abusos, sínodo e a falsa prudência

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


20 Março 2019

A disponibilidade do Papa Francisco de se encontrar com o presidente Xi Jinping continua a ser reiterada oficiosamente pelos funcionários do Vaticano: uma pressão indireta para convencer o regime de Pequim a aceitar a mão estendida. É também uma maneira de deixar claro de quem será a responsabilidade se a reunião não acontecer durante a visita à Itália, que começa na quinta-feira. O Vaticano anunciou que não há encontros previstos para o pontífice durante a estada de Xi.

E isso é uma segunda ênfase: a agenda papal permanece bem aberta para marcar o encontro. Mas essas são mensagens que também confirmam a relação assimétrica entre a Santa Sé e a China; e como para Francisco o encontro é uma prioridade, enquanto para Xi não é.

Se, pelo menos até agora, a presença do presidente chinês em Roma não fosse suficiente para facilitar o contato, para a Igreja e especialmente para o Papa seria um malogro ou uma grosseria. Normalmente, os chefes de estado estrangeiros que visitam Roma sempre costumam dar uma passada no Vaticano. Mais ainda, às vezes usam os encontros com as instituições italianas justamente para encontrar-se com os pontífices.

O comentário é de Massimo Franco, jornalista, publicado por Corriere della Sera, 19-03-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Um não de Xi promete, além disso, fortalecer as correntes vaticanas que observam com suspeita o acordo secreto e provisório com a China firmado em setembro de 2018. Também por esse motivo, como o Corriere já havia antecipado, Francisco quer muito o encontro. Ele investiu nas relações com o regime de Pequim, sob o risco de ser acusado de "vender" os católicos chineses na clandestinidade no altar de um entendimento: crítica por trás da qual vislumbra-se a irritação dos Estados Unidos pela estratégia de Francisco.

Mas Xi encontra resistências simétricas e opostas nas alas do Partido Comunista Chinês, refratárias à ideia de legitimar os acordos provisórios firmados com o Vaticano: resistências que parecem ainda estar prevalecendo.

Os emissários chineses que nos últimos dias sondaram o círculo papal sabiam que não tinham o poder de definir tempos e modos de um eventual encontro em Roma. Sua tarefa era apenas coletar informações e reportá-las a Pequim. Por isso, nas últimas horas, seus interlocutores do Vaticano repetiram que o governo chinês deveria parar de temer "desconfiança ou hostilidade" por parte da Igreja católica guiada por Francisco. Na capital italiana, florescem convenções, publicações e intervenções que tendem a descrever a China e o Vaticano como dois mundos destinados a se encontrar.

Quando o secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, "primeiro-ministro" do Papa, manifesta respeito e estima pelo povo chinês e suas "autoridades estatais legítimas", confirma a mudança de ritmo do pontificado: no sentido de que mesmo com um regime ateu e comunista como o de Pequim não deve haver conflito prejudicial. Mas o Vaticano está com pressa, a China não. E a visita à Itália poderia ressaltar isso de maneira bastante evidente.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

A mão estendida do papa, mas Pequim não está com pressa - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV