Documento do Sínodo deve ser adaptado às necessidades da juventude asiática, diz Cardeal Gracias

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02 Novembro 2018

Ao final do sínodo dos jovens, o cardeal Oswald Gracias, arcebispo de Mumbai, falou à revista America não apenas sobre o encontro dos bispos e os assuntos discutidos, mas também a respeito dos próprios planos de adaptar o processo sinodal na Igreja da Índia, país com o maior número de jovens do mundo. São 600 milhões de pessoas abaixo dos 25 anos.

A reportagem é de Gerard O'Connell, publicada por America, revista dos jesuítas dos EUA, 31-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

O cardeal de 73 anos já participou de muitos sínodos, algo que o fez se sentir "muito feliz". Gracias disse que “foi uma experiência maravilhosa, especialmente pela presença de 36 jovens vindos de todos os continentes”.

"Eles participaram plenamente. Estavam gritando, felizes. Sua presença foi sentida. Eles não tinham inibições quanto a expor seus sentimentos. Eu acho que nos deram uma visão dos pensamentos, aspirações e de seu próprio mundo. Também podemos presenciar suas alegrias, esperanças e generosidades para com a Igreja, o que é muito mais do que esperávamos, embora, é claro, se trate de um grupo muito particular”, continuou.

O cardeal ainda relatou que “a questão da esperança para a juventude se destacou fortemente, assim como outros temas. Os jovens pediram, repetidamente, para serem ouvidos e levados a sério, e tal fato levantou a questão: 'Como os acompanhamos? Qual é sua vocação? Como podemos os ajudar a discernir essa vocação?’”

Ele ficou impressionado com “o sentimento de excitação, alegria, e o desejo pela espiritualidade, além de suas demandas por ‘boas liturgias’, pois a Eucaristia é um ponto de contato com Deus”.

“Eles sentem que não temos feito o suficiente. Para mim, isso foi uma grande surpresa”, relatou o cardeal.

O Cardeal Gracias observou que “todo sínodo expõe tremendamente a situação mundial e a universalidade da Igreja. Embora a situação geral seja a mesma em relação a assuntos como família e globalização, claramente todos os continentes apresentam seus próprios problemas".

Ele observou ainda que neste sínodo, "certas questões no Ocidente se destacaram, como a o abuso sexual, o papel da mulher e a homossexualidade, embora este último ponto tenha sido minimizado no documento final por causa da falta de concordância".

Por outro lado, a imigração foi algo que surgiu muitas vezes, embora de maneiras diferentes, de acordo com cada local e sua situação. Além da crise de Rohingya, “que todos sabiam e que foi mencionada”, o cardeal disse que os participantes asiáticos tendem a ver a migração de uma maneira “vantajosa, porque ajuda a economia local”, mas também como fuga de capital humano.

Gracias observou, no entanto, “que a imigração não se mostrou como uma crise na Ásia, tal como aconteceu em outras partes do mundo”.

Como presidente da Federação das Conferências Episcopais da Ásia, o cardeal Gracias está bem ciente de que 60% da população mundial vive na Ásia e 60% dos asiáticos têm menos de 30 anos. Ele observou que os problemas que preocupam os jovens asiáticos são, talvez, diferente de seus irmãos no Ocidente.

“Para nós, tais questões estão prevendo um futuro melhor, visando melhorar a sociedade. Acredito que os jovens da Ásia estão insatisfeitos com a liderança política, com uma sociedade em que há uma grande divisão entre ricos e pobres, onde os direitos humanos não são totalmente respeitados, e onde as oportunidades não são oferecidas a partir de um planejamento prévio”, disse ele.

“Os jovens asiáticos estão ficando impacientes. Você pode sentir que isso acontece em nosso continente, e não em outros lugares. Estas são realmente as questões que nos preocupam, que dizem respeito à nossa juventude”, acrescentou.

Novamente, o cardeal afirmou que “a religião é importante na Ásia, sendo muito mais relevante do que em outros continentes. Os asiáticos são muito espiritualizados. Deus é um fator importante em suas vidas. Não é uma cultura ateísta, nem agnóstica. Deus está presente em nossas vidas e nossas decisões”.

Mesmo, o cardeal Gracias reconhece que “há uma diferença nas demais religiões. Eu acho que no hinduísmo, por exemplo, ser religioso não significa necessariamente viver uma vida religiosa, significa ir ao templo, fazer penitência, etc. Mas isso não significa, como pensamos no cristianismo, que a fé deva influenciar todas as obras, e que a fé sem as obras não exista. Alguns pontos são totalmente diferentes, mas Deus é um fator essencial na vida das pessoas”.

Na Índia, os cristãos são uma minoria da população. Apenas 25 milhões (dos quais de 20 a 21 milhões são católicos) num país de 1,3 bilhão de pessoas.

O cardeal Gracias disse estar consciente do sínodo e das diferenças de preocupações entre os católicos, que chegam de diversas regiões e países. “Essa é sempre a dificuldade de um sínodo: estamos respondendo às perguntas de todo o mundo ou respondendo às perguntas de apenas uma parcela?”, comentou.

Ele acredita que “o documento final do sínodo não é um produto devidamente finalizado, mas deve ser incorporado nos diferentes continentes e países. Faça um documento asiático, um documento indiano. Veja o que precisamos fazer para ajudar a Índia”, disse o cardeal.

Ele vê o documento final do sínodo “como um texto preliminar”, em vez de um documento magistral. "Tem que ser adaptado pelas igrejas em diferentes partes do mundo", disse o cardeal Gracias.

“Acho que é assim que devemos proceder. Não será um documento universal. Temos que aplicá-lo às nossas próprias situações. Este é o documento de trabalho que precisa ser implementado para haver mais programas pastorais aos jovens da Índia e da Ásia”, acrescentou Gracias.

O cardeal Gracias é presidente da Conferência dos Bispos Latinos da Índia e da Conferência das Conferências Episcopais Católicas da Índia, organização guarda-chuva para os três diferentes ritos do país.

Ele disse à revista America que pretende “discutir o documento final com os líderes e padres da juventude e ver se é necessário modificar algum aspecto. Estou pensando em propor que tenhamos o mesmo processo do sínodo para a juventude, seja na Igreja na Índia, no nível da conferência dos bispos, em Mumbai, ou no nível arquidiocesano”.

Ele vê o sínodo sobre a juventude como “uma espécie de protótipo que podemos imitar”.

Ele espera “começar com um projeto de dois ou três anos que descambe numa assembleia de jovens” e pretende que o relatório final do Sínodo “sirva como um documento de trabalho a partir do qual podemos avançar, para sermos vistos como uma Igreja missionária”.

Ele vê isso como um passo para construir o que o Papa Francisco chama de “uma Igreja sinodal”.

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