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01 Outubro 2018

“Isso coloca imediatamente o problema da governabilidade de Fernando Haddad. Que parlamento terá diante dele? Governo legítimo, contará com um legislativo favorável a reformas inadiáveis e a retomar uma política nacional de defesa de nossos interesses? A fragilidade do segundo governo de Dilma Rousseff e seu final, colocam dúvidas preocupantes”, escreve Luiz Alberto Gomez de Souza, sociólogo.

Segundo ele, “até o momento, os apoios que Haddad recebe principalmente de Eunício Oliveira e de Renan Calheiros não são os mais alentadores”.

“Tenho insistido, sem descanso, - conclui - na necessidade, entre nós, de uma futura Frente Ampla nacional, popular e democrática. Possível? Voluntarismo? Apostemos nisso. Ela já poderia testar-se nos próximos embates parlamentares e nas futuras eleições municipais de daqui a dois anos”.

Eis o artigo.

Estamos indo para um segundo turno duramente polarizado. De um lado, um personagem autoritário de extrema direita, Jair Bolsonaro e de outro, Fernando Haddad, candidato democrata, para o qual deveriam convergir, em princípio, os votos de outros candidatos igualmente democratas do primeiro turno. Talvez um antipetismo e uma posição de classe, leve alguns eleitores desses últimos partidos a apoiar Bolsonaro, de maneira mais ou menos envergonhada. Mas as últimas grandes manifestações de ontem, especialmente das mulheres – a própria Globo teve de noticiar – parecem indicar um clamor popular crescente anti Bolsonaro. O que não impede que este tenha sempre novas adesões mais ou menos veladas, nem sempre explícitas. Mas a vitória de Fernando Haddad parece bastante provável. Uma atitude do candidato autoritário, anunciando desde agora o perigo de fraude pelo sistema eletrônico - que aliás se mostra tecnicamente anti-fraude-, coloca o risco de que ele não queira aceitar o resultado das urnas, numa atitude claramente antidemocrata e potencialmente golpista.

Isso coloca imediatamente o problema da governabilidade de Fernando Haddad. Que parlamento terá diante dele? Governo legítimo, contará com um legislativo favorável a reformas inadiáveis e a retomar uma política nacional de defesa de nossos interesses? A fragilidade do segundo governo de Dilma Rousseff e seu final, colocam dúvidas preocupantes. Daí que, mais importante ainda, se faça a eleição para a renovação do Senado e para uma nova Câmara dos Deputados. A atual legislatura mostrou aquela visão deprimente no momento de impeachment de Dilma Rousseff. Esta nova deveria ser melhor. Para isso será necessário um enorme e redobrado esforço. Até o momento, os apoios que Haddad recebe principalmente de Eunício Oliveira e de Renan Calheiros não são os mais alentadores.

Vejamos um panorama geral sobre o futuro Senado e sobre a próxima Câmara.

No caso de São Paulo, Eduardo Suplicy terá um lugar garantido no Senado.

Em Minas Gerais, Dilma Rousseff deverá eleger-se senadora em primeiro lugar, com pelo menos 28%.

No Rio de Janeiro, Lindbergh Farias, em terceiro lugar, que em pesquisa anterior tinha 21%, subiu para 22% agora em setembro, enquanto Flavio Bolsonaro, em segundo lugar, caiu de 26 para 25%; a diferença entre os dois diminuiu de 5% para 3%, dando chances para um crescimento de Lindbergh que poderia, nos últimos dias, superar o filho de Bolsonaro, conquistando a segunda vaga (a primeira parece ficar com Cesar Maia); Chico Alencar vem somente depois com 14%.

No Rio Grande do Sul, Paulo Paim poderá preencher uma das vagas, com 32% e se aproxima inclusive do primeiro colocado, José Fogaça (MDB), com 33%.

Em Pernambuco, Humberto Costa (PT), com 34%, está atrás de Jarbas Vasconcelos (MDB) com 38%, mas tem garantido ao menos um segundo posto.

Na Bahia é praticamente certa a vitória de Jacques Wagner.

No Acre, reduto historicamente petista, Jorge Viana, senador e antigo governador competente, estava folgadamente à frente em agosto, com 43%, mas neste mês caiu para 35 %, atrás de Sérgio Petecao (PSD) com 52% e de Márcio Bittar (MDB), com 39%, correndo o perigo de não eleger-se; Ney Amorim (PT), pelo momento em quarto lugar, com 30%, tem mais dificuldade ainda de entrar na disputa por uma segunda vaga.

No Ceará, onde Camilo Santana (PT) poderá eleger-se governador, para o Senado, o melhor indicado até o momento é Cid Gomes (PDT), com 55%, bem adiante de Eunício Oliveira com 37%.

No Pará, com Jader Barbalho à frente, Zé Geraldo (PT) luta por uma segunda vaga, em disputa com Mário Couto Filho (PP).

O mesmo em Amazonas, onde Vanessa Grazziotin (PC do B), que chegou a estar em segundo lugar em agosto, em setembro passou para terceiro, com 27%, mas ainda muito próxima a Alfredo Nascimento (PR) com 28% e disputa assim uma segunda vaga.

Em Mato Grosso do Sul, Zeca do PT poderá ter também uma segunda vaga.

Em Goiás, Lucia Vânia (PSB) vem em quarto lugar. Em Tocantins, Paulo Mourão (PT), até o momento está apenas em quinto lugar.

No Paraná, Roberto Requião (MDB), de posições claramente nacionalistas, está num confortável primeiro lugar, com 39% e deverá continuar a ser um senador progressista.

Para a Câmara de Deputados há, nos vários estados, candidatos que poderiam configurar posições de esquerda.

Assim, no Rio de Janeiro, além de Alessandro Molon (PSB), um dos mais atuantes deputados na atual legislatura, temos a valente Jandira Feghali no PC do B, Wandih Damous, Luiz Sérgio, Reimont e Benedita da Silva no PT, Jean Wyllys, Marcelo Freixo e Glauber Rocha no PSOL.

Em São Paulo, Paulo Teixeira, Marcio Pochman, Telma de Souza, Arlindo Chinaglia e Vicentinho do PT; Luiza Erundina e Ivan Valente do PSOL; Orlando Silva do PC do B. Elenco assim, como exemplos, alguns candidatos de diferentes partidos.

Isso poderia assinalar que, eleitos de várias agremiações progressistas, poderiam configurar possíveis alianças plurais, desde que superadas posições sectárias e isolacionistas. Provável? Antes de tudo necessário.

Trago dois exemplos na América Latina. No Uruguai, depois de anos de alternância entre colorados e blancos, ao lado de uma quantidade de pequenos partidos, boa parte destes se uniu numa Frente Ampla que já venceu três vezes, com Tabaré Vázquez, o extraordinário José Mujica e novamente Tabaré.

No México, o PRD da tradição nacionalista de Lázaro Cárdenas, que perdeu várias eleições, algumas por fraude, resolver renovar-se com Andrés Manuel Lopez Obrador (AMLO), que tinha sido um competente prefeito do distrito federal e, pelo Movimento Regeneração Nacional, em 1º de julho deste ano, venceu com facilidade no que foi considerado um tsunami político.

Há um problema imediato e grave de saber como se alinharão legisladores progressistas para apoiar – mesmo se criticamente – o novo presidente. Mas, num segundo momento, como se poderiam desenhar futuras alianças mais firmes, superando isolamentos mortais. Tenho insistido, sem descanso, na necessidade, entre nós, de uma futura Frente Ampla nacional, popular e democrática. Possível? Voluntarismo? Apostemos nisso. Ela já poderia testar-se nos próximos embates parlamentares e nas futuras eleições municipais de daqui a dois anos.

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