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Manifesto de deputados pede saída de Cunha do cargo

Um grupo de deputados opositores ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), divulgou nesta quinta-feira, 27, um manifesto em que pedem a saída do peemedebista do cargo. O texto é assinado por 35 parlamentares – 7% do total de 513 da Casa. Não há na lista nenhum parlamentar do PSDB, do Solidariedade e do DEM. Do PMDB, só há o apoio do deputado Jarbas Vasconcelos (PE). Dentre os apoiadores, o maior número vem do PT (18, ou 30% da bancada). Há ainda deputados do PSB, PPS, PSOL, PROS, PSC e PR.

‘Pacto do silêncio’

Com a baixa adesão, o PSOL promete buscar o apoio de entidades civis para aumentar a pressão sobre Cunha e acabar com o que chama de “silêncio de cemitério”. “Eu chamaria o silêncio de silêncio ensurdecedor”, afirmou o deputado Ivan Valente (PSOL-SP). A acusação é a de que há um pacto velado para não tratar do afastamento de Cunha. “Criou-se um pacto espúrio de silêncio, inclusive de parte da maioria das lideranças, de omitir o assunto”, completou o líder da bancada, deputado Chico Alencar (RJ).

O PSOL acredita que Cunha cancelou a sessão de debates ontem para evitar que outros parlamentares viessem à tribuna falar sobre a denúncia e pedir seu afastamento. Por isso, cobrou uma explicação em plenário do peemedebista.

“O procurador-geral (Rodrigo Janot) apresentou uma denúncia robusta contra o presidente (da Câmara). De maneira inédita, um denunciado não se manifestou minimamente sobre isso no plenário e era obrigação elementar ir à tribuna na primeira vez após a denúncia”, disse.

Alencar reclamou que Cunha virou as costas quando foi confrontado sobre a denúncia e questionou a viagem do peemedebista para os Estados Unidos. “Parece que deviam ir para a Disney, porque lá é um parque de diversões e um mundo encantado onde a vida real não chega”, afirmou. O presidente da Câmara dos Deputados participa no dia 31 da quarta edição da Conferência Mundial de Presidentes de Parlamentos, na sede da ONU, em Nova York.

Já o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), evitou o confronto com o peemedebista ao ser questionado sobre o assunto. “O governo tem uma questão que, para ele, é fundamental, que é a Justiça, o trânsito em julgado, o direito ao contraditório.”

Conselho de Ética

Alencar declarou que o PSOL, por enquanto, não entrou com pedido de investigação no Conselho de Ética da Câmara porque o Supremo Tribunal Federal ainda não se manifestou se acata ou não a denúncia da Procuradoria contra Cunha. Segundo ele, o pedido já está sendo preparado “com muito esmero”.

O parlamentar acrescentou que o partido já pediu a abertura de sindicância sobre todos os investigados e que, até hoje, a Corregedoria não se manifestou. “É mais um episódio degradante”, criticou.

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