Jovens católicos debatem para onde eles - e a Igreja - vão daqui para frente

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21 Setembro 2018

A Georgetown University realiza painel de discussão sobre a crise de abuso.

A reportagem é de Julie Bourbon, publicada por National Catholic Reporter, 19-09-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

O Evangelho de Mateus refere-se ao sal da terra e à luz do mundo. É um nome adequado para uma série de palestras – the Salt and Light Gatherings (“as Reuniões do Sal e da Luz”, em tradução livre) - destinadas a jovens católicos e organizada pela Initiative on Catholic Social Thought and Public Life (“Iniciativa sobre o pensamento social católico e a vida pública”, em tradução livre) da Georgetown University.

O primeiro evento do novo ano acadêmico foi realizado em 17 de setembro, abordando diretamente as consequências das últimas revelações da atual crise dos abusos sexuais na Igreja Católica. Chamado de "Crisis of Faith? Scandal, Pope Francis, the Synod, and Young People" ("Crise de Fé? Escândalo, Papa Francisco, o Sínodo e os Jovens", em tradução livre), o painel de quatro palestrantes teve casa lotada com mais de 150 pessoas na School of Continuing Studies de Georgetown.

Falando no painel estavam: a colunista do Washington Post, Elizabeth Bruenig; Jonathan Lewis, secretário adjunto do ministério pastoral da arquidiocese de Washington e nomeado pontifício do próximo Sínodo dos Bispos sobre os jovens; o correspondente do Vaticano do NCR, Joshua J. McElwee; e Eve Tushnet, editora do livro Christ's Body, Christ's Wounds: Staying Catholic When You've Been Hurt in the Church (“Corpo de Cristo, Feridas de Cristo: permanecendo católico quando você foi ferido na Igreja”, em tradução livre).

Os presentes eram, em grande parte, do público-alvo e irromperam em aplausos em vários momentos durante a discussão de 90 minutos, todas as vezes em referências à responsabilização de bispos por seu abuso de autoridade e seu papel em perpetuar um escândalo que, para muitos na multidão, tem sido parte integrante da Igreja por quase toda a sua vida.

O comportamento dos quatro membros do painel saltou do humor mórbido para tentativas sinceras de responder às perguntas do moderador de para onde a Igreja vai daqui em diante e como deve ser a reforma. A recém-nomeada diretora associada da iniciativa, Kim Daniels, conduziu a discussão e repetidamente a trouxe de volta para essas questões centrais.

Daniels reconheceu, desde o início, a raiva e a frustração causadas por esse último golpe na Igreja Católica e manteve a conversa baseada nas maneiras pelas quais os jovens católicos podem apoiar-se mutuamente e qual pode ser o papel dos leigos daqui para frente.

"Nós dissemos nunca mais há muito tempo atrás. E então dissemos de novo. E de novo. E agora estamos tentando dizer de novo", disse ela.

Houve alguma discordância entre os painelistas sobre se os bispos e os leigos terem "corresponsabilidade", ou se os bispos possuem total responsabilidade, como afirma McElwee.

"Não somos irrelevantes na vida da Igreja, somos essenciais", disse Lewis, que observou que, historicamente, a reforma na Igreja é quase sempre o resultado das ações de leigos e mulheres religiosas. "Temos que nos comprometer com uma Igreja e reconhecer que o nosso testemunho importa."

Embora não tenha havido nenhuma disputa sobre esses pontos, foi sua declaração de que os leigos possuem tanto poder quanto a liderança da Igreja que atraiu alguma reação negativa dos outros membros do painel.

"Não concordo com a noção de corresponsabilidade. Isso não existe realmente", disse McElwee, que viajou à Irlanda no mês passado com o Papa Francisco, onde o pontífice enfrentou acusações de não fazer o suficiente para responder à crise da Igreja global e de proteger os infratores na hierarquia. "Todo o poder está localizado no bispo."

Tushnet abordou mais explicitamente a questão de como as vítimas de abuso sexual e os católicos comuns nos genuflexórios podem cuidar de suas vidas espirituais. Um ponto-chave para a recuperação individual e comunitária, disse ela, é que as vítimas devem ser ouvidas e apoiadas, tanto por seus colegas católicos quanto por padres. Havia pouco papel para a hierarquia em sua visão.

"As pessoas devem assumir que a Igreja e os líderes da Igreja não vão fazer as coisas que se espera que façam. Você está se expondo a perdas devastadoras", ao acreditar tanto, disse Tushnet. Em resumo, "assuma que eles farão o pior".

Daniels perguntou como os jovens católicos deveriam responder a esse desapontamento, em vez de simplesmente se desfiliar da Igreja ou até mesmo da religião em geral.

Depois de brincar sobre chorar na capela durante a adoração, o que causou uma grande risada da plateia, Tushnet disse que ela e outros devem perguntar o que é a Igreja e o que é o corpo de Cristo, antes de recomendar que eles estejam com Jesus "em sua forma mais desamparada. Estar com Jesus na Eucaristia pode ser excepcionalmente poderoso".

Bruenig considerou a crise menos uma questão de autoritarismo e clericalismo do que uma questão de "decadência e fraqueza da hierarquia". Bruenig, que escreveu extensamente sobre o assunto, disse que os bispos deveriam abrir seus arquivos, se demitir e ser substituídos "por pessoas capazes o suficiente de seguir Cristo".

Bruenig aludiu para piores notícias que ainda estão por vir da arquidiocese de Washington, de outras dioceses de todo o país e de seminários, permeando suas previsões com humor negro sobre ser encurralada em uma Igreja "onde as coisas estão indo muito errado", mas prometendo permanecer católica e continuar com suas denúncias.

"Não estou realizando uma festinha silenciosa para que todos possamos desfrutar da narrativa de martírio", disse Bruenig, que se converteu há quatro anos ao catolicismo. "Eu fico e continuarei a ficar furiosa e a denunciar."

O diretor da iniciativa, John Carr, que passou a responsabilidade de moderação a Daniels após uma breve introdução, começou com uma referência ao ex-cardeal Theodore McCarrick, a quem ele conhece há muitos anos e por muito tempo considerou amigo.

"Esta crise é pessoal, profissional e institucional", disse Carr, que observou que sua Igreja está implodindo enquanto seu país se transforma em caos e seu time de beisebol está fora da disputa do World Series. Carr lamentou esta última rodada de notícias de uma Igreja que vem dando errado e expressou simpatia pelos católicos que amadureceram desde os escândalos da Igreja em 2002 em Boston e em outros lugares.

"Os jovens têm um senso especial do que deu errado", disse ele, "porque não se acostumaram com esses relatos".

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