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11 Setembro 2018

Suécia é apenas exemplo mais recente. Desde início da crise dos refugiados, partidos de extrema direita conquistaram espaço em quase todas as eleições na Europa e, em alguns países, chegaram ao governo.

A reportagem é de Christoph Hasselbach, publicada por Deutsche Welle, 10-09-2018.

Itália

O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, desejou "tudo de bom" aos Democratas Suecos antes da eleição. Na Itália, o partido de Salvini, a Liga, já avançou bem mais do que os populistas da Suécia. Mesmo tendo sido apenas a terceira agremiação mais votada na eleição de março, em junho ela finalmente conseguiu entrar numa coalizão com o partido antissistema Movimento Cinco Estrelas. O primeiro-ministro é Giuseppe Conte, que não tem partido.

Desde então, porém, Salvini ocupou tanto espaço no noticiário político, com seus sucessivos ataques à União Europeia e aos imigrantes, que às vezes parece que ele é que é o premiê. O ministro se referiu aos refugiados como "carne humana", proibiu navios de resgate de atracar em portos italianos e pressionou a UE com a questão dos refugiados.

O discurso inflamado e a política xenófoba encontraram eco entre os eleitores. Cerca de cem dias depois da posse do novo governo, a Liga se encontra no topo das pesquisas, com 30%. Nas eleições, o partido obteve apenas 17%. O Movimento Cinco Estrelas, por outro lado, está enfraquecendo. Numa entrevista à DW, Salvini disse que a chanceler federal alemã, Angela Merkel, "subestimou o risco de conflito social ao afirmar que haveria espaço para centenas de milhares de pessoas na Alemanha".

Áustria

Os populistas de direita já tem uma longa trajetória na Áustria. Em 1999, o FPÖ (Partido da Liberdade da Áustria ) se tornou o segundo maior partido na eleição do Conselho Nacional (uma das câmaras que formam o Parlamento) e formou uma coalizão com o conservador ÖVP (Partido Popular Austríaco). Essa mesma aliança governa desde dezembro de 2017, com o chanceler federal do ÖVP, Sebastian Kurz. O vice-chanceler Heinz-Christian Strache, do FPÖ, porém, nem mesmo precisa se preocupar em endurecer a política de refugiados na Áustria.

Isso porque o próprio Kurz deu uma guinada à direita, fazendo de tudo para manter os refugiados bem longe da Áustria. Mas o FPÖ sempre vai um pouco além. O ministro do Interior, Herbert Kickl, quer manter os requerentes de asilo "concentrados" num único lugar – o que lhe rendeu acusações de utilizar linguajar nazista. Alguns políticos do FPÖ se aproximam de associação estudantis com conexões com a ideologia da extrema direita. O partido também mantém laços estreitos com o presidente russo, Vladimir Putin, que algumas semanas atrás foi ao casamento de Karin Kneissl, ministra das Relações Exteriores e membro do FPÖ.

Alemanha

Nas eleições de setembro de 2017, a Alternativa para a Alemanha (AfD) alcançou 12,6% dos votos e é, desde então, o terceiro maior partido no Bundestag, com 94 assentos, e o maior partido da oposição. E a popularidade da sigla continua crescendo. Nas pesquisas atuais, ela chega a alcançar 15% e, às vezes, aparece até mesmo à frente do SPD (Partido Social-Democrata), que, assim como a CDU/CSU (União Democrata Cristã/União Social Cristã), costuma se sair pior nas recentes sondagens do que na própria eleição. Na mais recente pesquisa Deutschlandtrend, da emissora ARD, a AfD ficou até mesmo à frente de todos os partidos nos estados do leste do país. De acordo com os números, 27% dos alemães orientais votariam hoje na AfD, enquanto CDU alcançaria somente 24%.

Muitos analistas e políticos de outros partidos atestem uma proximidade crescente da AfD com o extremismo de direita e exijam que o partido seja vigiado pelo serviço secreto interno por ser uma possível ameaça ao sistema democrático, mas nada isso parece ter prejudicado a imagem dos populistas. Com as eleições estaduais na Bavieria e em Hesse, marcadas para os dias 14 e 28 de outubro, respectivamente, a AfD provavelmente conseguirá entrar nos últimos legislativos estaduais alemães em que ainda não estava representada. O partido se beneficia sobretudo da rejeição de muitos eleitores à política para refugiados liberal da chanceler federal Angela Merkel.

França

Quando Marine Le Pen, da Frente Nacional, competiu contra Emmanuel Macron no segundo turno da eleição presidencial, em maio de 2017, muitos analistas chegaram a ver, no resultado desse embate, nada menos que o destino da União Europeia. No entanto, o candidato pró-europeu venceu com claros 66% dos votos, contra 34% para Le Pen. Desde então, Le Pen – e até mesmo todo o seu partido – são vistos como ultrapassados.

A última de Le Pen foi ter mudado o nome do partido para Rassemblement National (Agrupamento Nacional ou Comício Nacional). Mas muitos correligionários estão apenas aguardando que sua sobrinha Marion Maréchal Le Pen assuma o comando e, quem sabe, faça o partido renascer.

De qualquer forma, a xenofobia e o ceticismo perante a União Europeia há muito tempo se tornaram socialmente aceitáveis na França: durante a eleição presidencial havia outros candidatos, além de Le Pen, que xingavam os imigrantes ou a Europa ou ambos. Enquanto isso, a estrela de Macron parece enfraquecer. Talvez ele tenha apenas interrompido temporariamente a onda populista.

Holanda

Os partidos tradicionais da Holanda e também governos de outras nações europeias olhavam apreensivos para o país antes da eleição parlamentar de março de 2017. A preocupação era em relação ao número de votos que o Partido para a Liberdade (PVV), do populista de direita Geert Wilders, alcançaria nas urnas. O PVV não chegou à vitória e ficou apenas em segundo lugar, com 13%, entre os partidos do fragmentado sistema partidário holandês. Já os social-democratas foram quase extintos.

Assim como agora na Suécia, com os Democratas Suecos, ninguém na Holanda queria formar coalizão nem mesmo cooperar com o PVV. Por fim, longas negociações levaram à formação de uma complicada aliança de centro-direita.

Porém, Wilders, com sua posição contrária à migração e ao islã, continuou dominando a agenda política. Além disso surgiu um segundo partido de extrema direita, o Fórum para a Democracia, de Thierry Baudet, com objetivos quase idênticos e que aparece na frente do PVV em algumas pesquisas.

Em contraste com Wilders, Baudet se apresenta como um amante das artes e da cultura – ele toca piano e fala latim – e atinge, com isso, um público de maior nível educacional. Isso indica que os dois partidos alcançam eleitorados diferentes e podem vir a unir esforços.

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