EUA. Arquidiocese questiona legitimidade de retiro para ''padres, irmãos e diáconos homossexuais''

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23 Agosto 2018

Meios de comunicação católicos conservadores criticaram o retiro promovido pelo New Ways Ministry, agora em seu quarto ano.

A reportagem é de James Dearie, publicada por National Catholic Reporter, 22-08-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um retiro para padres, irmãos e diáconos gays em Wisconsin, Estados Unidos, programado para ocorrer pelo quarto ano consecutivo, está sendo criticado por meios de comunicação católicos conservadores e pelo arcebispo local.

“Living in Truth: The Call to Authenticity” [Vivendo na verdade: o chamado à autenticidade] está planejado para os dias 2 a 4 de outubro no Centro de Retiros Siena, em Racine, na Arquidiocese de Milwaukee. Ele é promovido pelo New Ways Ministry e pelas Irmãs Dominicanas de Racine. O Pe. Bryan Massingale, professor de teologia na Fordham, universidade jesuíta, será o pregador do retiro.

O retiro tornou-se uma questão controversa no início de agosto, quando artigos começaram a aparecer em meios de comunicação católicos conservadores, criticando o evento e conclamando os católicos a contatarem o arcebispo Jerome Listecki, de Milwaukee, a respeito disso.

Em uma carta de 9 de agosto às paróquias da diocese, também publicada na internet, Listecki disse que, “pelo fato de muitas pessoas perguntarem se esse retiro está diretamente ligado à arquidiocese – o que não é o caso –, me senti obrigado a esclarecer (...) Este evento não está alinhado com o magistério da Igreja Católica e não está de forma alguma conectado nem é endossado pela arquidiocese, e o New Ways Ministry não é uma organização católica”.

O diretor executivo do New Ways Ministry, Francis DeBernardo, disse ao NCR que a carta do bispo foi a primeira vez em que a diocese expressou uma objeção ao retiro, agora em seu quarto ano.

Em sua carta, Listecki recomendou um artigo sobre o retiro, escrito pelo Pe. Nathan Reesman, publicado no site da arquidiocese. No artigo, Reesman, capelão arquidiocesano de Courage e EnCourage, organizações que promovem a abstinência entre católicos LGBT, diz que, “na maioria das vezes, um homem ou uma mulher que escolhe se definir como ‘gay’ está fazendo isso porque acredita que a inclinação por pessoas do mesmo sexo é seu atributo definidor, e essa crença lhe permite viver um estilo de vida que normaliza as relações entre pessoas do mesmo sexo, seja em um nível meramente emocional, seja também no nível físico”.

Reesman também disse que realizar o retiro agora, enquanto “estamos vivendo o horror de manchetes frequentes sobre os comportamentos desviantes do clero masculino com meninos ou homens mais jovens”, era “um timing muito ruim”.

“Em um clima tão delicado, é de se perguntar por que uma atenção extra deve ser dada à realidade da atração pelo mesmo sexo no clero católico com um título tão ambíguo quanto o deste próximo retiro para padres ‘gays’”, disse.

O New Ways Ministry respondeu à carta do bispo com uma declaração no dia 17 de agosto, dizendo que um dos “principais objetivos” de tais retiros é “ajudar os homens que fizeram uma promessa ou voto de celibato a viverem esse compromisso de maneira sadia e santa. Poucos programas como esses existem na nossa Igreja. Nós encorajamos as lideranças da Igreja a oferecerem programas para ajudar esses homens a evitar vidas frustradas, a lidar com seus sentimentos sexuais de maneira saudável e a integrar a sua sexualidade com a sua espiritualidade”.

O grupo também discordou da caracterização da identidade LGBT por parte de Reesman.

“O termo ‘gay’ não significa que os indivíduos façam da sua orientação sexual o marcador dominante de si mesmos, assim como chamar alguém de italiano ou de polonês não torna esse atributo o marcador dominante do indivíduo”, disse o New Ways Ministry.

“Os participantes do retiro frequentemente relataram que seu principal marcador de identidade é como membro e ministro da Igreja Católica”, acrescentou o grupo, perguntando, a partir das informações que foram divulgadas sobre o evento, o que “levou o arcebispo a concluir que o retiro ‘não está alinhado com o magistério da Igreja Católica’”.

“A parte que não está alinhada com o magistério católico seria a parte promovida pelo New Ways Ministry, como foi claramente articulado por Sua Eminência Cardeal Francis George (que ele descanse em paz)”, disse Jerry Topczewski, chefe de gabinete de Listecki, fazendo referência a um documento do arcebispo de Chicago, quando ele era presidente da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos em 2010, que disse que “o New Ways Ministry não tem nenhuma aprovação ou reconhecimento da Igreja Católica e não pode falar em nome dos fiéis católicos nos Estados Unidos”.

Massingale, padre da Arquidiocese de Milwaukee desde sua ordenação em 1983 que contesta a caracterização do retiro como um evento em desacordo com o magistério católico, divulgou sua própria declaração sobre o assunto, publicada no NCR.

O Pe. Fred Daly, da Diocese de Siracusa, que participou de um retiro do New Ways Ministry no ano passado, disse ao NCR que achou que o retiro foi um momento de contemplação e de oração compartilhada entre padres que enfrentam muitos dos mesmos problemas. “Qual poderia ser a objeção a isso?”, questionou.

Listecki disse em sua declaração que ele não pode parar o retiro, mas ainda há um esforço para forçar o seu cancelamento. Um e-mail do grupo Men of Christ, de 21 de agosto, disse que o retiro “endossa implicitamente o pecado mortal”, enquanto “esse mesmo pecado mortal está ‘causando uma grande devastação na vinha do Senhor’”, citando uma carta do bispo Robert Morlino, divulgada na semana passada, que culpava uma “subcultura homossexual” pelo escândalo dos abusos na Igreja. O e-mail incentivou os leitores a entrarem em contato com o Centro de Retiros Siena para solicitar que o encontro fosse cancelado.

No entanto, o retiro deverá seguir em frente, e DeBernardo diz que o grupo “definitivamente” continuará promovendo eventos semelhantes no futuro.

“A cada ano que fazemos os retiros, à medida que a notícia se espalha, mais e mais padres, irmãos e diáconos se inscrevem. Portanto, é realmente necessário que os padres gays desenvolvam a sua espiritualidade e desenvolvam amizades uns com os outros, principalmente por causa de tantas mensagens negativas que eles recebem do Vaticano, dos membros da hierarquia ou mesmo dos fiéis católicos”.

“O New Ways Ministry convida o arcebispo Listecki a dialogar conosco e com os padres gays que vivem e servem em sua arquidiocese”, diz a declaração do New Ways Ministry no fim, “para que ele possa saber mais sobre as pressões que esses homens experimentam e sobre as bênçãos que eles trazem para a comunidade através do seu sacerdócio”.

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