Quando questões LGBT são questões pró-vida. Artigo e vídeo de James Martin, padre jesuíta

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18 Junho 2018

"O Catecismo em sua discussão sobre a homossexualidade diz que “todo sinal de discriminação injusta” deve ser evitado (No. 2358). Além disso, defender e cuidar de alguém que é submetido a qualquer tipo de violência física é certamente um ato de compaixão. Isso faz parte de ser um discípulo de Jesus Cristo", escreve James Martin, padre jesuíta, autor do livro Building a Bridge, em artigo publicado por America, 12-06-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Eis o artigo.

Católicos, lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros frequentemente se sentem ignorados, marginalizados, excluídos, insultados e até mesmo perseguidos por sua própria igreja. Desde que meu livro Building a Bridge (Construindo uma Ponte, em português) foi publicado há um ano, ouvi histórias de católicos LGBTs que foram tratados como insignificantes por padres e outros agentes pastorais dentro de sua igreja.

Há alguns meses atrás, por exemplo, uma mulher que trabalhava numa casa de saúde mental no oeste dos Estados Unidos me perguntou se eu conhecia alguns "padres compassivos" em sua arquidiocese. Ela explicou que o pároco local designado para prestar cuidados pastorais à casa estava se recusando a ungir um moribundo porque ele era gay.

Uma mulher lésbica que não estava em nenhum tipo de relacionamento sexual, relatou que seu padre disse a ela que "sua espécie" não era bem-vinda naquela paróquia e que, embora não "desejasse nenhum mal", ela deveria procurar outra.

Comovido, um homem autista de 30 anos ligou para me dizer que um líder pastoral em sua paróquia lhe falou que não poderia mais receber a comunhão. O homem não era sexualmente ativo ou envolvido em qualquer relacionamento. Ele abriu sobre sua opção sexual para família e amigos recentemente. O líder pastoral, chamando-o de "escandaloso", disse que poderia receber a comunhão "privada" na casa paroquial se ele se mantivesse afastado do resto dos paroquianos.

A Igreja precisa ouvir as experiências de católicos LGBTs para tratá-los com respeito, sensibilidade e compaixão, como pede o Catecismo da Igreja Católica.

Quando ouvimos, não são apenas as experiências deles, mas também os pedidos de ajuda e oração, especialmente em tempos e lugares de perseguição. E quando nossos irmãos LGBTs são perseguidos de qualquer forma, os líderes da Igreja são convocados a ficarem ao lado deles.

Católicos costumam se surpreender ao saber que, em muitas partes do mundo hoje em dia, os LGBTs são pessoas propensas a sofrerem incidentes terríveis de preconceito, violência e homicídio.

Em alguns países, uma pessoa pode ser presa ou até mesmo executada por ser gay ou ter relações com pessoas do mesmo sexo. De fato, relações do mesmo sexo são consideradas como crime em mais de 70 anos países, sendo que a pena por ser gay ou bissexual em 13 países é a morte.

Em outras palavras, questões LGBTs em muitas partes do mundo são, portanto, "questões pró-vida".

Nestes países, a Igreja institucional tem o dever moral absoluto de defender publicamente seus irmãos e irmãs perseguidos. Infelizmente, isso não acontece com frequência e, de fato, alguns líderes da Igreja têm apoiado essas leis discriminatórias.

O Catecismo em sua discussão sobre a homossexualidade, diz que “todo sinal de discriminação injusta” deve ser evitado (No. 2358). Além disso, defender e cuidar de alguém que é submetido a qualquer tipo de violência física é certamente um ato de compaixão. Isso faz parte de ser um discípulo de Jesus Cristo.

O que significaria para a Igreja nos Estados Unidos dizer que está errado tratar pessoas LGBTs como uma comunidade? Líderes católicos publicam regularmente declarações - como deveriam - defendendo os não-nascidos, refugiados, migrantes, pobres, desabrigados e idosos. Esta é uma maneira de estar com as pessoas: expressando seu apoio a elas.

Mas onde estão as declarações especificamente em apoio aos LGBTs? Quando pergunto isso, algumas pessoas dizem: "Você não pode comparar o que os refugiados e os LGBTs enfrentam. Sendo alguém que já trabalhou com refugiados na África Oriental por dois anos, sei que este não é frequentemente o caso. Mas também é importante não ignorar as altas taxas de suicídio entre jovens LGBTs e o fato dessas pessoas serem muito mais vítimas de crimes de ódio do que qualquer outro grupo minoritário neste país.

Aqui estão algumas estatísticas do “The Trevor Project”, uma organização que ajuda a prevenir, proteger e defender adolescentes LGBTs de suicídios.

  • Jovens lésbicas, gays e bissexuais têm quase cinco vezes mais chances se suicidarem em comparação com jovens heterossexuais.
  • Jovens lésbicas, gays e bissexuais que são de famílias com “alta rejeição”, são 8.4 vezes mais suscetíveis ao suicídio do que LGBTs aceitos pela família.
  • Em um estudo nacional, 40% dos adultos transgênero afirmaram ter cometido uma tentativa de suicídio, sendo em 92% destes, antes dos 25 anos.

O assédio moral de alunos LGBTs nas escolas é outro mal que deve ser totalmente combatido, devido a longa história de ação administrativa da Igreja Católica em colégios de ensinos fundamentais e médios.

Dois anos atrás, após o assassinato de 49 pessoas na Pulse, boate gay em Orlando nos Estados Unidos, muitos ficaram desencorajados pois a maioria dos bispos não sinalizou imediatamente apoio a comunidade LGBT. Somente alguns o fizeram. Agora, imagine, - que Deus não permita -, que os ataques tivessem sido contra uma Igreja metodista. Muitos bispos teriam dito: “Estamos com nossos irmãos e irmãs metodistas."

Por que mais líderes católicos não expressaram tristeza ou demonstraram compaixão por nossos irmãos e irmãs LGBTs em Orlando? Para mim, parecia falta de compaixão.

O ocorrido em Orlando nos convida a refletir sobre as implicações dessa falta de compaixão. Como apontou o professor pe. James F. Keenan numa aula de teologia moral na Boston College, Jesus não criticou as pessoas que eram fracas mas que tentavam melhorar. Em vez disso, Jesus criticou pessoas que eram fortes, mas que não buscavam progredir. Por exemplo, o homem rico que não se preocupou em ajudar o pobre à sua porta (Lc 16: 19-31), o líder religioso que não se preocupou em considerar que alguém precisa de cura no sábado (Lc 13: 10-16) e o fariseu que não ofereceu boas-vindas a Jesus (Lc 7,36-45).

Para Jesus, o pecado era, como disse o padre Keenan, “a incapacidade de se dispor a amar”. Em Orlando, para muitos a Igreja simplesmente não se dispôs a amar.

Com que frequência deixamos de nos dispormos dessa maneira?

Quantas vezes deixamos de ver a importância das vidas LGBTs?

Quantas vezes pecamos dessa maneira?

Assista ao vídeo em inglês:

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