James Martin, jesuíta, atacado, mantém-se firme na defesa da comunidade LGBT

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12 Setembro 2017

Building a Bridge: How the Catholic Church and the LGBT
Community Can Enter into a Relationship of Respect,
Compassion, and Sensitivity
James Martin
Publicado por HarperOne, 160 páginas, $ 19,99

Desde a publicação de seu mais recente livro “Building a Bridge”, o padre jesuíta James Martin comprometeu-se em continuar firme no diálogo proposto pela obra, uma conversa franca sobre os católicos LGBTs e a Igreja.

A reportagem é de Brian Roewe Media, publicada por National Catholic Reporter, 07-09-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O mais recente embate online em que o religioso se viu envolvido aconteceu em 4 de setembro com Austin Ruse, presidente de Centro para a Família e os Direitos Humanos (Center for Family and Human Rights), e um colunista da revista Crisis. No Twitter, Ruse acusou o popular padre jesuíta de “fazer mal às almas”, “levar pobres gays à perdição” e em vários momentos chamou Martin de “mulherzinha”, “efeminado”, “assumido”.

Os tuítes de Ruse, que também colabora para o sítio eletrônico Breitbart, começaram em resposta a uma troca de ideias em separado no Twitter três dias antes envolvendo Martin, editor-geral da revista America, e o CatholicVote.org, organização política conservadora.

No dia 1º de setembro, o CatholicVote.org afirmou em sua conta no Twitter: “E então este dominicano apareceu e começou a bater em @JamesMartinSJ como uma mula. A multidão foi à loucura”.

Martin respondeu dizendo “Basta”, e condenou qualquer incentivo à violência contra ele, mesmo que de maneira jocosa. Acrescentou que havia reportado ao Twitter a conta do CatholicVote.org.

O tuíte original do CatholicVote.org foi deletado e a sua conta no site ficou suspensa por 12 horas, contou ao National Catholic Reporter o seu diretor de comunicação Joshua Mercer. Em e-mail enviado no dia 6 de setembro, Mercer disse: “Sugerir que o nosso tuíte era uma incitação à violência é uma mentira total e que não se pode levar a sério”.

Mais tarde, Ruse soube dessa troca de mensagens e compartilhou a opinião de que o tuíte não equivalia a uma ameaça real de violência. No domingo, ele tuitou: “A resposta de @jamesmartinsj a uma figura de linguagem é tão mulherzinha. Acredito fielmente que ele saiu do armário”.

Este tuíte também foi logo deletado, confirmou Ruse ao National Catholic Reporter, acrescentando que fez isso porque achava que o tuíte iria viralizar. Disse que a resposta do jesuíta foi “demasiado sensível, comparando-o com estudantes universitários que buscam espaços seguros nos campi.

Martin não respondeu diretamente a Ruse, mas postou no Facebook um print screen (captura de imagem) do tuíte, e escreveu:

“Insultos e termos como ‘mulherzinha’ são o que as pessoas LGBTs recebem todos os dias, até mesmo de católicos. Mas ódio e desprezo, como este exemplo público postado hoje no Twitter, só fortalecem o meu desejo de advogar por esta comunidade, especialmente dentro da Igreja. Muitos católicos me perguntam se ainda existe homofobia dentro da Igreja. Então é importante ter exemplos públicos como este daqui (...) É importante que os católicos que talvez duvidam da necessidade de advogar pelas pessoas LGBTs na Igreja vejam este tipo de desprezo público”.

Palavras como “mulherzinha, efeminado” e outros, continuou Martin, “fazem as pessoas LGBTs se sentirem inferiorizadas. O que tento fazer, com a ajuda de muitos irmãos e irmãs, é fazê-los se sentirem filhos amados de Deus”.

De volta ao caso no Twitter, Ruse defendeu o seu comentário sobre “mulherzinha” e passou a proferir ataques pessoais contra o religioso.

James Martin, SJ ✔ @JamesMartinSJ
Coisas como “mulherzinha” são o que as pessoas LGBTs ouvem, inclusive de católicos (um colunista da @Crisis) O ódio só fortalece o meu desejo de advogar por elas.

Austin Ruse ✔ @austinruse
Isso é tão efeminado. Seja homem, Jim

Kevin Ahern @kevin_ahern
Em resposta a @austinruse
Eu sinceramente rezo para que o seu coração veja a Verdade de Cristo, a virtude da humildade e da caridade, especialmente para não mais difamar bons padres.

Austin Ruse ✔ @austinruse
Ele não é um bom padre. Está fazendo mal às almas. Ele é o contrário da caridade. Está levendo inocentes à condenação eterna.

MaNu @ManuOCarm
Em resposta a @austinruse @JamesMartinSJ
Só os que amam para além de suas limitações e temores... És um bom e fiel servo @JamesMartinSJ

Austin Ruse ✔ @austinruse
Ele leva pobres gays à perdição. É um padre terrível. Terá muito o que responder [diante de Deus].

A certa altura, Ryan Anderson, pesquisador da Heritage Foundation, de tendência conservadora, respondeu a Ruse dizendo: “Ninguém deve usar de insultos. E quando católicos ‘públicos’ o fazem, magoam os esforços da Igreja ainda mais”.

Ryan T. Anderson ✔ @RyanTAnd
Sobre isso, o Pe. @JamesMartinSJ está certo. Ninguém deve usar de insultos. E quando católicos “públicos” o fazem, magoam os esforços da Igreja ainda mais”.

Em uma réplica na manhã seguinte, Ruse perguntou a Anderson:

Austin Ruse ✔ @austinruse
@jamesmartinsj é um padre pérfido a levar jovens à perdição. Isso é insultar? @RyanTAnd

Mais tarde, escreveu:

Radical Catholic @RadicalCath
Em resposta a @austinruse
Você está se sujeitando aos padrões dos defensores da guerra justa, destilados a partir do livro “Regra para Radicais”, de Saul Alinsky.

Austin Ruse ✔ @austinruse
Certo. Sem pedido de desculpas de minha parte no entanto. Eu reafirmo. Jim Martin é um padre pérfido, um macho beta a levar jovens à perdição.

Ruse falou ao National Catholic Reporter que não lamentava o seu tuíte original nem a troca de mensagens subsequente sobre o assunto, reafirmando sua crença em que Martin tratou de uma forma pobre a situação toda.

“O que ouvimos infinitas vezes é que devemos confrontar os nossos interlocutores, um a um. O que ele fez, pelo contrário, foi se resguardar sob uma espécie de regra nas mídias sociais, que é o que ele fez para mim”, disse Ruse.

Ruse também notou que, entre os mais de 700 comentários na postagem de Martin no Facebook, muitos são ataques contra ele, incluindo vários que expressam o desejo de soqueá-lo na cara. Ele pediu a Martin para falar a seus seguidores que cessassem tais ataques, incluindo os pedidos para exterminá-lo, e deletar o post naquela rede social.

O episódio com Ruse é a resposta mais recente vinda de círculos católicos conservadores ao livro de Martin, intitulado “Building a Bridge: How the Catholic Church and the LGBT Community Can Enter Into a Relationship of Respect, Compassion, and Sensitivity” (em tradução livre: “Construindo pontes: como a Igreja Católica e a comunidade LGBT podem entrar em uma relação de respeito, compaixão e sensibilidade”). Grupos de extrema-direita como o Church Militant e o LifeSiteNews decidiram escrever diariamente sobre Martin.

Familiarizado com trolls na internet, o jesuíta especialista em mídias contou ao National Catholic Reporter que, desde o lançamento do livro, os ataques “realmente se intensificaram”. Como resultado, ele deixou de seguir algumas centenas de contas no Twitter. “Me chamam de coisas muito piores”, disse o padre.

Estas reações extremadas, disse ele, representam uma fração pequena da resposta “esmagadoramente positiva” que o livro tem recebido, são reações ouvidas nos bancos das igrejas e em dezenas de palestras e diálogos com bispos. Sobre alguns integrantes da extrema-direita e da extrema-esquerda que foram rápidos em criticar o livro, o religioso suspeita de que eles, na verdade, nem leram a obra

“A maioria das pessoas provavelmente não leu o livro, porque, se tivessem lido, não creio que achariam tanta coisa a se opor”, disse. Martin lembrou um padre conservador, amigo seu, que lhe veio falar sobre a obra e lhe contou que não via motivos para tanto falatório.

Ruse declarou que não leu o livro, mas que assistiu a vários vídeos de palestras proferidas por Martin sobre o tema.

Building a Bridge”, livro de 160 páginas, é uma tentativa de estabelecer um diálogo entre a hierarquia católica e os fiéis LGBTs, a fim de diminuir as tensões e desenvolver um entendimento. A obra se originou em uma palestra que Martin deu em outubro passado no encontro do New Ways Ministry e que, em parte, esteve motivado pelo ataque em junho em Orlando, na Flórida, contra uma danceteria frequentada por gays, lésbicas, bissexuais e transexuais.

Martin, que em abril foi nomeado pelo Papa Francisco para ser consultor da Secretaria para as Comunicações do Vaticano, entrou de corpo e alma no diálogo com a comunidade católica sobre a relação da Igreja com os fiéis LGBTs. Isto tem incluído apresentações, sendo as mais recentes na Fordham University e na Villanova University, além de respostas escritas a críticas de colunistas e membros do clero, entre elas algumas críticas do Cardeal Robert Sarah.

Martin falou que gosta de conversar com as pessoas, incluídos os críticos, se houver um solo fértil para o diálogo. Porém há casos onde ele traça um limite.

“Se elas estão claramente motivadas pelo ódio, desprezo e desgosto, até mesmo pela possibilidade de ouvir as inquietações dos católicos LGBTs, então provavelmente não vale a pena eu me envolver”, disse Martin. “Mas se for uma crítica inteligente e que levante pontos interessantes, fico feliz em participar”.

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