Igreja e pessoas LGBT na ponte do encontro

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22 Maio 2018

"A intenção do livro é esta: ajudar a amadurecer uma atitude de compreensão e capacidade de acompanhamento dos pastores para os irmãos e irmãs homossexuais, mas também vice-versa, porque existe igualmente a tentação de fechar-se ou assumir posições ideológicas", escrevem Matteo Zuppi, Arcebispo de Bolonha e Luciano Moia, jornalista, em artigo publicado por Avvenire, 20-05-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo. 

Respeito, compaixão e sensibilidade. Estas são as três atitudes que o padre James Martin, jesuíta norte-americano, pede à Igreja em relação às pessoas LGBT. Mas é também aquilo que, da mesma forma, convida as pessoas LGBT a fazer em relação à Igreja. Se cada um encontrar a coragem para fazer uma parte do trajeto, revendo posições fechadas ou suspeitas, como, aliás, exorta o Papa Francisco em Amoris laetitia e não só, será possível um encontro fecundo para todos, em um clima em que as pessoas LGBT poderão "compreender e realizar plenamente a vontade de Deus em suas vidas" (Al, 250). "Un ponte da costruire. Una nuova relazione tra Chiesa e persone LGBT" (Marcianum Press; 114 páginas) é o título de do livro de padre Martin, nos próximos dias nas livrarias, do qual publicamos o prefácio do arcebispo de Bolonha, Matteo Maria Zuppi. Trata-se de um ensaio ágil e imediato que analisa as boas razões pelas quais a Igreja deveria oferecer seu apoio pastoral para as pessoas que vivem uma orientação sexual marcada pelo sofrimento da complexidade. E as boas razões, como é fácil intuir, são aquelas do Evangelho. Porque, com esse abraço na misericórdia, a Igreja poderia contribuir para a unidade, resolvendo uma divisão que aflige muitos crentes. Assim, "respeito, compaixão e sensibilidade"? Respeito, explica o padre jesuíta, significa "reconhecer que os católicos LGBT existem", significa "cuidar de seu bem espiritual, uma tarefa que algumas dioceses e paróquias já desempenham muito bem." Compaixão significa "colocar-se em um estado de escuta", que é a atitude que a Igreja deve usar para todos os marginalizados. E, finalmente, a sensibilidade, pressupõe familiaridade e amizade.

Depois, considerando que a ponte deve ser "bi-direcional", os fiéis LGBT, como mencionado, deveriam usar a mesma disposição em relação à Igreja. "Um livro aguardado e muito necessário que ajudará os bispos, sacerdotes, agentes pastorais e todos os líderes da igreja a ser mais sensíveis para com os membros LGBT da comunidade eclesial católica", salientou o cardeal Kevin Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, Família e Vida em uma “declaração de apreço", apresentada junto a outras no início do livro. Ele acrescentou: "Também irá ajudar os membros LGBT a se sentir mais em casa naquela que é, afinal de contas, também a sua Igreja." De grande interesse a apresentação para a edição italiana de Damiano Migliorini e do padre Giuseppe Piva que fazem uma reflexão sobre a relação entre pastoral e doutrina na expectativa não tanto de uma revolução normativa, mas algumas ações concretas no plano da compreensão e acolhimento. Objetivos pastorais e nenhuma "virada", como temiam aqueles que nos EUA e na Itália se manifestaram contra esse livro com uma densa barricada de defesa. Preocupações desnecessárias. Ler para acreditar (L.Mo.)

Un ponte da costruire, assim foi traduzida para o italiano a obra do Padre James Martin, Building a Bridge.

A atenção só pode cair em ambas as metades do título. Primeiro 'ponte', uma as expressões preferidas pelo Papa Francisco, que conecta de forma muito respeitosa, possivelmente empática e cheia de sensibilidade, duas realidades presentes em nossa própria igreja: os pastores e todo o conjunto variegado e complexo das pessoas homossexuais, que o padre Martin - como explicado no texto - prefere indicar pela sigla LGBT. Sem qualquer intenção ideológica, mas apenas com a intenção de indicá-las com o nome que essas mesmas comunidades escolheram. É um passo necessário para iniciar uma comunicação respeitosa. É inegável a variedade de posições que as pessoas homossexuais expressam sobre a sua própria condição, entre estas, muitas não compartilháveis; e ainda maior é a complexidade da sua vivência em relação à fé em Deus, nas comunidades cristãs ou longe dela. Os ensinamentos da Igreja sobre a condição das pessoas homossexuais são claros e concisamente expressos no Catecismo da Igreja Católica. Eles são o ponto de partida para o padre Martin, que não quer de forma alguma questioná-los.

Esses ensinamentos não foram seguidos por uma prática pastoral adequada, que não se limite à fria aplicação de orientações doutrinais, mas torne estas últimas um itinerário de acompanhamento. Frequentemente, a abordagem até agora tem sido apenas em resposta rápida a solicitações oportunas e não oportunas de grupos e pessoas homossexuais, muitas vezes apenas para a sua contenção, especialmente os crentes (embora, com perspectivas às vezes muito diferentes, são indicativas as experiências de grupos católicos homossexuais, entre os quais a experiência de Courage e de outros grupos hospedados em paróquias ou dioceses do nosso País).

As palavras de Papa Francisco em Amoris Laetitia nos impelem a ampliar a perspectiva que traduza em itinerários pastorais a doutrina de sempre. "Às famílias, por sua vez, deve-se assegurar um respeitoso acompanhamento, para que quantos manifestam a tendência homossexual possam dispor dos auxílios necessários para compreender e realizar plenamente a vontade de Deus na sua vida" (n. 250). Como repetidamente nos recordou o Papa Francisco, na pastoral somos chamados para não ficarmos satisfeitos com a simples aplicação das normas morais ("Por isso, um pastor não pode sentir-se satisfeito apenas aplicando leis morais àqueles que vivem em situações «irregulares», como se fossem pedras que se atiram contra a vida das pessoas.", Amoris Laetitia, 305), optando mais por um acompanhamento paciente e verdadeiro ('Acompanhar, Discernir, Integrar ...') para a compreensão e assunção vital da mensagem do evangelho por todas as pessoas, sem reduções, com uma sábia pedagogia da graduação que, levando em conta as circunstâncias particulares de cada um, nada tire da integridade da fé e da doutrina.

Esse é o oportuno exercício do ministério da Igreja como Mãe e Mestra.

A intenção do livro é esta: ajudar a amadurecer uma atitude de compreensão e capacidade de acompanhamento dos pastores para os irmãos e irmãs homossexuais, mas também vice-versa, porque existe igualmente a tentação de fechar-se ou assumir posições ideológicas.

A aspiração do livro é ajudar o anseio por uma vida evangélica no seio da comunidade cristã e de cultivar uma relação pastoral que traga frutos para o Reino. Nenhum autêntico caminho de crescimento espiritual e moral pode prescindir da verdade do Evangelho e da doutrina; mas a caridade e verdade evangélica na pastoral exigem a disponibilidade e a capacidade de diálogo. E então sim, existe uma ponte ‘a ser construída' - para chegar até a segunda metade do título - com essa significativa parcela do povo de Deus, as pessoas LGBT, dentro de sua variegada expressão eclesial.

Não fazer nada, ao contrário, pode acarretar muito sofrimento, fazer com que a pessoas se sinta só e, muitas vezes, induz a assumir posições de contraposição e extremas.

Essa 'construção' é uma tarefa difícil, a ser concretizada, como sugere a tradução italiana. Lembra-nos disso novamente o Papa Francisco, em dois trechos muito profundos da Evangelii Gaudium: " Para quantos estão feridos por antigas divisões, resulta difícil aceitar que os exortemos ao perdão e à reconciliação, porque pensam que ignoramos a sua dor ou pretendemos fazer-lhes perder a memória e os ideais. Mas, se virem o testemunho de comunidades autenticamente fraternas e reconciliadas, isso é sempre uma luz que atrai. [...]Peçamos ao Senhor que nos faça compreender a lei do amor. Que bom é termos esta lei! Como nos faz bem, apesar de tudo amar-nos uns aos outros! Sim, apesar de tudo!"(N. 100-101). O livro do padre Martin, uma das primeiras tentativas nesse sentido, é útil para promover o diálogo, o conhecimento e a compreensão recíproca, em vista uma nova atitude pastoral a ser buscada junto com os nossos irmãos e irmãs LGBT. Como já disse o cardeal Farrell, Prefeito do Dicastério para os Leigos, Família e Vida da Santa Sé, esse livro é "muito necessário" e "ajudará bispos, sacerdotes e agentes pastorais (...) a serem mais sensíveis para com os membros LGBT da comunidade eclesial católica". Além disso, "também irá ajudar os membros LGBT a se sentir mais em casa naquela que é, afinal de contas, também a sua igreja."

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