''Vou usar os bens da Igreja para ajudar os últimos.'' Entrevista com Nunzio Galantino

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29 Junho 2018

“Veja, eu acabei de chegar e ainda não conheço os números. Mas estou certo de uma coisa: os bens que pertencem ao patrimônio da Santa Sé têm como fim os objetivos próprios da missão da Igreja, para permitir que as suas estruturas atuem em favor dos últimos. É claro que o papa está nos convidando cada vez mais a viver e agir de maneira sóbria.”

Dom Nunzio Galantino é o novo presidente da APSA, a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica. Francisco o escolheu pessoalmente, assim como o havia escolhido há quatro anos para ser o secretário geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI).

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada em Corriere della Sera, 28-06-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Como o senhor soube da nomeação, excelência?

O Santo Padre me telefonou enquanto eu estava no Líbano, em Anjar, para inaugurar um orfanato que acolhe crianças sírias e iraquianas que ficaram sem pais por causa da guerra. É um projeto financiado pela CEI (Conferência Episcopal Italiana) com os fundos do oito por mil [parte do imposto de renda italiano destinada às instituições religiosas], junto com o Patriarcado Armênio.

E o que ele lhe disse?

Que me confiaria esse serviço pela Igreja. E eu, como fiel, obedeci.

Diz-se que, entre terrenos e imóveis, o patrimônio da APSA gira em torno de três a quatro bilhões de euros. Para o papa que quer uma Igreja “pobre e para os pobres”, o que significa administrar tamanha riqueza?

Uma coisa deve ficar clara: é demagógico considerar que uma grande quantidade de recursos é, em si mesma, o mal. O próprio papa disse com grande clareza que não é o dinheiro que é mau, somos nós que o tornamos mau. Eu posso ter 100 euros e usá-los mal ou 10 milhões e usá-los bem. Existem inúmeros projetos como os do Líbano, realizados pela Santa Sé ou pelas Igrejas locais, embora, muitas vezes, não se fale disso. Em cada viagem, Francisco leva ajudas e pede que sejam realizados sinais concretos de presença caridosa. Como os seus antecessores: há uma continuidade na ação da Igreja em favor dos mais pobres do planeta.

Qual a primeira coisa que o senhor fará?

Seria presunçoso se me apresentasse com uma série de projetos. Essa é uma realidade que presta um serviço à Santa Sé e a toda a Igreja há muitos anos. Certamente, trago comigo a experiência que tive na CEI, não sozinho: não existe o homem sozinho no comando, eu trabalhei com pessoas extraordinárias e aqui farei o mesmo com pessoas que têm mais experiência do que eu. Na CEI, justamente por respeito àquilo que as pessoas confiam a nós na Itália através do “oito por mil”, tivemos que trabalhar e quisemos trabalhar muito pelo rigor, pela transparência, pela prestação de contas. Também às custas, às vezes, de descontentar alguns.

A transparência pode incomodar?

Vou lhe dizer: o descontentamento, em geral, não se deve à má vontade. Muitas vezes, ele nasce do fato de que se dialoga pouco. Quando nos defrontamos e nos damos linhas de comportamento, no fim, isso faz bem para todos.

Francisco disse: “Não há clareza sobre os imóveis, isso me preocupa muito”. É preciso um censo?

Existe um censo, como os documentos, as estruturas. Eu ainda não conheço bem as coisas, mas, por analogia, como acontece em todas as administrações, às vezes há disparidades que se devem a imprecisões de cadastro. Acontece que os dados cadastrais não são atualizados, e a realidade do imóvel não coincide. Não se trata de pensar que, necessariamente, alguém quer especular. Certamente, a clareza faz bem para todos.

O papa também pedia uma “mentalidade renovada”.

O papa está pedindo não só para a APSA, mas para toda a Igreja, que se ponha em jogo. Que toda ela se ponha em jogo para sustentar o processo de reforma. Ai de nós se formos fechados e autorreferenciais. Uma Igreja que sempre se sente a caminho faz bem ao mundo.

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