Papa Francisco. “Os pobres são o nosso passaporte para o paraíso”

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20 Novembro 2017

"No pobre, Jesus bate à porta do nosso coração e, sedento, pede-nos amor"; “a omissão é o maior pecado contra os pobres”, disse Francisco. Aqui adota um nome preciso: “indiferença”. E acrescentou: “Somos todos mendigos do essencial, do amor de Deus, que nos dá o sentido da vida e uma vida sem fim. É por isso que hoje também estendemos a Ele a nossa mão para receber os seus dons”, porque “para o céu não vale o que se tem, mas o que se dá, e ‘aquele que acumula tesouro para si mesmo’ não se torna ‘rico para Deus’”. E é por esta razão que "ninguém pode considerar-se inútil, ninguém pode dizer-se tão pobre que não possa dar algo aos outros".

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada por Vatican Insider, 19-11-2017. A tradução é de André Langer.

Na homilia da missa celebrada por ocasião do 1º Dia Mundial dos Pobres, o Papa refletiu sobre as Sagradas Escrituras para fazer um apelo aos fiéis que vieram de todo o mundo para a Praça de São Pedro: "Não busquemos o supérfluo para nós, mas o bem para os outros, e nada de precioso nos faltará. Amar os pobres significa lutar contra todas as pobrezas, espirituais e materiais". E ele advertiu que "não fazer nada de mal não é suficiente, porque Deus não é um controlador à procura de bilhetes não timbrados; Ele é um pai que sai em busca dos filhos para confiar-lhes seus bens e projetos". E é triste "quando o Pai do amor não recebe uma resposta de amor generosa por parte dos filhos, que se limitam a respeitar as regras, a cumprir os mandamentos, como se fossem empregados da casa do Pai".

Em sua meditação, o Papa chamou a atenção para a tentação de considerar-se alheio ao próximo em dificuldades, pensando: "Não me diz respeito, não é problema meu, é culpa da sociedade". Uma atitude que consiste em "olhar para o outro lado quando o irmão passa necessidade, é mudar de canal quando um problema sério nos incomoda", e também "indignar-se com o mal, mas sem fazer nada. Deus, no entanto, não nos perguntará se sentimos justa indignação, mas se fizemos o bem". Mas, precisou o Papa: "Deus não nos perguntará se sentimos justa indignação, mas se fizemos o bem". Por isso, ele se perguntou: "o que podemos fazer para agradar ao Senhor de forma concreta?" “Quando você quer agradar uma pessoa querida, dar-lhe um presente, por exemplo, é preciso conhecer seus gostos, para evitar que o presente agrade mais a quem o deu do que a quem o recebe – disse ele. Quando queremos oferecer algo ao Senhor, encontramos seus gostos no Evangelho”.

Então, o Pontífice invocou o Senhor, "que tem compaixão da nossa pobreza e nos reveste com seus talentos", para que "nos dê sabedoria para buscar o que conta e a coragem de amar, não com palavras, mas com ações". Depois da leitura do Evangelho, Jorge Mario Bergoglio sublinhou que "temos a alegria de partilhar o pão da Palavra, e, logo mais, de partir e receber o Pão Eucarístico, alimentos para o caminho da vida. Todos nós precisamos disso, ninguém está excluído". E é por isso que devemos "estender a mão para Ele para receber os seus dons", exortou. E, precisamente, de dons nos fala a parábola do Evangelho: nos diz que somos "destinatários dos talentos de Deus, ‘cada um de acordo com a sua capacidade’”.

E o Papa recomendou: “em primeiro lugar, devemos reconhecer que temos talentos, somos ‘talentosos’ aos olhos de Deus. Por isso, ninguém pode considerar-se inútil, ninguém pode dizer-se tão pobre que não possa dar algo aos outros. Fomos escolhidos e abençoados por Deus, que deseja cumular-nos com os seus dons, muito mais do que um pai ou uma mãe o desejam fazer aos seus filhos”. E Deus, "para quem nenhum filho pode ser descartado, confia a cada um uma missão".

De acordo com Jorge Mario Bergoglio, Deus, "como um Pai amoroso e exigente que é, torna-nos responsáveis". De fato, "na parábola vemos que cada servo recebe alguns talentos para multiplicá-los". Mas "enquanto os dois primeiros realizam a missão, o terceiro não faz frutificar os talentos; restitui somente o que tinha recebido". E diz: “‘Eu tive medo’ – disse o Papa – ‘e fui e escondi seu talento na terra; olha, aqui está o que é seu’. Este servo recebe palavras duras como resposta: ‘Servo mau e preguiçoso’”.

O Pontífice perguntou-se pelo que poderia ter desagradado ao Senhor: "Diria, numa palavra que talvez tenha caída um pouco em desuso, mas muito atual: a omissão. O seu mal foi não fazer o bem. Muitas vezes também nós estamos convencidos de não ter feito nada de errado e com isso nos contentamos, presumindo que somos bons e justos".

Mas, dessa maneira "corremos o risco de nos comportarmos como o servo mau: nem ele fez nada de mal, ele não destruiu o talento, mas o guardou bem debaixo da terra". De fato, o Papa lembrou: “O servo mau, apesar do talento recebido do Senhor, que gosta de compartilhar e multiplicar os dons, guardou-o zelosamente e contentou-se em salvaguardá-lo. Mas quem se preocupa apenas em conservar, em manter os tesouros do passado, não é fiel a Deus. Por outro lado, a parábola diz que aquele que junta novos talentos, esse é verdadeiramente ‘fiel’, porque ele tem a mesma mentalidade de Deus e não permanece imóvel: ele arrisca por amor, joga a vida pelos outros, não aceita deixar tudo como está. Abandona apenas uma coisa: seu próprio interesse. Esta é a única omissão justa”.

Francisco citou novamente a passagem do Evangelho do dia, em que Jesus diz: “Todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores dos meus irmãos, foi a mim que o fizeram”. E explicou: "esses menores dos irmãos, seus prediletos, são os famintos e os doentes, os forasteiros e os encarcerados, os pobres e os abandonados, aqueles que sofrem sem ajuda e os necessitados descartados". Nos seus rostos, podemos imaginar impresso o rosto d’Ele; nos seus lábios, mesmo se fechados pela dor, as palavras d’Ele: ‘Este é o meu corpo’”.

Portanto, "quando vencemos a indiferença e, em nome de Jesus, nos dedicamos aos menores dos seus irmãos, somos seus bons e fiéis amigos, com quem ele adora estar". E “Deus aprecia muito isso, aprecia a atitude que ouvimos na primeira leitura, a da ‘mulher forte’ que ‘abre as suas mãos aos necessitados e estende os braços para os pobres’”. Esta é "a verdadeira força: não punhos fechados e braços cruzados, mas mãos operosas e estendidas para os pobres, para a carne ferida do Senhor".

Nos pobres "manifesta-se a presença de Jesus, que, sendo rico, fez-se pobre”. Neles, pois, “na sua fraqueza, há uma ‘força de salvação’. E, se aos olhos do mundo eles têm pouco valor, são eles que nos abrem o caminho para o céu, são o ‘nosso passaporte para o paraíso’”. E "para nós, é um dever evangélico cuidar deles, que são a nossa verdadeira riqueza; e fazê-lo não só dando pão, mas também repartindo com eles o pão da Palavra, do qual são os destinatários mais naturais. Amar o pobre significa lutar contra todas as pobrezas, espirituais e materiais". Francisco insistiu nisso, porque "nos fará bem" lembrar-nos disso.

Na verdade, concluiu: "aproximar-se de quem é mais pobre do que nós, tocará as nossas vidas. Isso nos fará bem, isso nos lembrará o que conta verdadeiramente: o amor a Deus e ao próximo". E essa é a única coisa que “dura para sempre, todo o resto passa; por isso, o que investimos no amor é o que permanece, o resto desaparece”. Hoje, exortou, “podemos nos perguntar: ‘Para mim, o que conta na vida? Em que invisto? Na riqueza que passa, da qual o mundo nunca se sacia, ou na riqueza de Deus, que dá a vida eterna?’ Diante de nós está esta escolha: viver para ter na terra ou dar para ganhar o céu. Com efeito, para o céu, não vale o que se tem, mas o que se dá”.

No final da missa, o Papa recitou o Angelus e rezou também “pela tripulação do submarino militar argentino com o qual se perdeu o contato”. Além disso, o Papa insistiu: “quero lembrar hoje de modo especial as populações que vivem em dolorosa pobreza por causa da guerra e dos conflitos. Por isso, renovo à comunidade internacional um apelo urgente para envidar todos os esforços possíveis para promover a paz, particularmente no Oriente Médio. Dirijo um pensamento especial ao querido povo libanês e rezo pela estabilidade do país, para que possa continuar a ser uma ‘mensagem’ de respeito e convivência para toda a região e para todo o mundo”.

Deus, assegurou o Pontífice, gosta muito de nós, e esta consciência "nos ajuda a sermos responsáveis em cada uma das nossas ações". Isso deve “dar-nos coragem, enquanto o medo sempre imobiliza e muitas vezes nos leva a tomar decisões erradas. O medo desencoraja a tomada de decisões, induz a refugiar-se em soluções seguras e garantidas e, assim, não se acaba fazendo nada bem”. E "para seguir em frente na vida e crescer no caminho da vida, devemos ter confiança, não devemos pensar que Deus é um patrão ruim, duro e severo que quer nos punir. Se dentro de nós existe esta imagem errada de Deus, então nossa vida não pode ser fecunda, porque viveremos com medo e isso não nos levará a nada construtivo".

Deus, ressaltou Jorge Mario Bergoglio, "não é um patrão severo e intolerante, mas um pai cheio de amor e ternura, de bondade". Por isso, "podemos e devemos ter uma imensa confiança nele. Jesus nos mostra a generosidade e a prontidão do Pai de muitas maneiras: com sua palavra, com seus gestos, com a sua acolhida a todos, especialmente os pecadores, os pequenos e os pobres". De fato, "suas advertências indicam seu interesse para que não desperdicemos inutilmente as nossas vidas".

E “a parábola dos talentos nos chama a uma responsabilidade pessoal e a uma fidelidade que também se converte em capacidade para nos colocarmos constantemente a caminho por novas trilhas, sem enterrar o talento, isto é, os dons que Deus nos confiou e dos quais nos pedirá contas”. E depois pediu que Nossa Senhora “interceda por nós, para que permaneçamos fiéis à vontade de Deus, fazendo frutificar os talentos com os quais ele nos agraciou. Assim seremos iguais aos outros e, no último dia, seremos acolhidos pelo Senhor, que nos convidará para participar da sua alegria”.

Após recitar a oração mariana, o Papa recordou que “hoje é também o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trânsito, instituído pela ONU. Encorajo as instituições públicas no compromisso com a prevenção, e exorto os motoristas para serem prudentes e respeitar as regras, como primeira forma de proteção de si e dos outros”.

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