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10 Janeiro 2017

Seguir em frente na renovação e, ao mesmo tempo, manter a Igreja unida. Para o Papa Francisco, 2017 abre uma espécie de “segundo tempo” do seu pontificado. No centro do qual se destacam as relações com a frente conservadora e uma série de nomeações consideradas decisivas: da cúpula da Conferência Episcopal Italiana (CEI) à substituição de Angelo Scola e Agostino Vallini em Milão e em Roma. Compromissos nos quais o papa pretende manter o ponto no plano pastoral sem dividir a comunidade episcopal. Freando tanto os excessos da frente conservadora quanto os movimentos daqueles que tentaram se aproveitar do “novo curso”.

A reportagem é de Claudio Tito, publicada no jornal La Repubblica, 09-01-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No ano passado, houve duas datas que mostraram como o “componente” eclesial custa a assimilar plenamente o estilo bergogliano: os dias 8 de outubro e 15 de novembro. No primeiro desses dois dias, o atual presidente da CEI, Angelo Bagnasco, foi eleito presidente da Conferência Episcopal Europeia. Com Bagnasco, a relação sempre foi correta, mas formal. Sobre a nomeação à cúpula do episcopado europeu, o pontífice não interveio, embora muitos estavam convencidos de que a sua apreciação se concentrava no arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, que chegou à vice-presidência da Conferência.

Um esquema semelhante se realizou no dia 15 de novembro. Os bispos estadunidenses elegeram Daniel DiNardo para a sua cúpula. O arcebispo de Houston, expoente do movimento ProLife, também é conhecido nos EUA pelas suas posições conservadoras. Ele foi um dos 13 cardeais que, em 2015, assinaram uma carta crítica por ocasião do Sínodo. Não só isso. Para a vice-presidência foi eleito José Gomez, arcebispo da poderosa e extensa diocese de Los Angeles e também ele representante da ala menos inovadora da Igreja estadunidense. E, neste ponto, o candidato com mais chances de suceder o próprio DiNardo em 2019.

Para esse cargo, em um primeiro momento, quem parecia mais credenciado era Blase Cupich, arcebispo de Chicago, nomeado justamente por Francisco. Um episódio marcado com lápis vermelho, até porque aconteceu a poucos dias de distância da vitória de Trump para a Casa Branca. O presidente eleito dos EUA nunca escondeu na campanha eleitoral as suas ideias também sobre as questões éticas. O seu vice, Mike Pence, foi escolhido justamente por pertencer ao mundo evangélico. Ideólogo do Tea Party e do conservadorismo compassivo. E talvez não seja por acaso que o próprio Trump se engajou, em alguns momentos, em um verdadeiro duelo à distância com o pontífice.

Dois casos que, se associados com as perplexidades da Igreja africana e asiática sobre os gays e o aborto, dão a entender como a tensão alta ainda está forte. Outra prova disso é o confronto interno, aparentemente menor, da Ordem de Malta, que levou à desconfiança do Grão-Chanceler (uma espécie de primeiro-ministro), desobediente à solicitação do seu Grão-Mestre (figura que se assemelha a um chefe de Estado), sobre questões que diriam respeito à assistência à África e ao uso de preservativos.

Francisco instituiu uma comissão de inquérito, mas quer evitar um confronto, considerando-se que o Patrono da Ordem é o cardeal Raymond Burke, um dos autores do famoso pedido de esclarecimento sobre a exortação apostólica Amoris laetitia.

Portanto, o papa está preparando o seu “segundo tempo”: inovar e repacificar a Igreja no seu próprio interior. Há três passagens que são consideradas cruciais nesse sentido. A primeira tomará forma com a substituição de Bagnasco na presidência da CEI. Giuseppe Betori (arcebispo de Florença e ex-secretário-geral da CEI), Franco Giulio Brambilla (bispo de Novara) e o já idoso Gualtiero Bassetti (arcebispo de Perugia) são os nomes que circularam até agora. Está crescendo também a candidatura de Nunzio Galantino, atual secretário-geral da Conferência e colaborador próximo de Francisco. Alternativamente (mas a hipótese já está provocando algum descontentamento) poderia ser levada em consideração uma presidência “fraca”, como a do bispo de Modena, Erio Castellucci, que garantiria a convivência com Galantino.

Mas há mais. O papa deverá nomear o novo arcebispo de Milão e o vigário de Roma. Scola e Vallini alcançaram a idade da aposentadoria. Ambos estão na prorrogação. A ocasião pode ser justamente a visita do pontífice em março à capital lombarda. Os nomes que são levantados para as duas posições se concentram em Pierbattista Pizzaballa (administrador apostólico do Patriarcado de Jerusalém), Francesco Beschi (bispo de Bergamo) e Mario Delpini (auxiliar da capital lombarda) para Milão; Giovanni Angelo Becciu (sostituto para os assuntos gerais da Secretaria de Estado), Domenico Pompili (bispo de Rieti) ou alguém de fora para Roma. Embora não esteja excluída uma solução de mediação “alta e inédita”, como foi Carlo Maria Martini, nomeado por João Paulo II como arcebispo de Milão.

Nos últimos dias, também tinha circulado a hipótese da clamorosa substituição do secretário de Estado, Pietro Parolin, a ser enviado a Milão. Para o seu lugar, estaria pronto o cardeal Luis Antonio Tagle (ou, alternativamente, Becciu ou Fernando Filoni) com o qual a TV dos bispos italianos, no dia 29 de dezembro passado, transmitiu em horário nobre uma longa entrevista.

O ataque contra Parolin (e Francisco) começa a partir de dentro da Cúria. Mas o papa não parece absolutamente intencionado a desistir do seu principal colaborador. E, talvez, não seja por acaso que Francisco decidiu marginalizar quem se credencia como seu assistente sem ajudar na obra de “síntese”. Porque o verdadeiro objetivo do pontífice continua sendo a renovação e a unidade interna da Igreja.

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