Bispos católicos não hesitam em atacar Trump, mas demoram a aconselhar seus eleitores

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21 Junho 2018

O presidente Donald Trump mal tinha voltado para casa do momento histórico com o ditador coreano Kim Jong-Un, em Singapura quando foi condenado por uma série de líderes religiosos, desde Batistas do Sul até metodistas africanos e católicos, por sua política de separar as crianças e os pais que tentam entrar nos Estados Unidos sem permissão.

O comentário é de Thomas Reese, jesuíta, jornalista, publicado por Religion News Service, 20-06-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

A reação foi liderada pelos bispos católicos americanos, que estados reunidos na Flórida. Em 13 de junho, o presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA fez a abertura da reunião claramente expressando preocupação: "o asilo é um instrumento para preservar o direito à vida".

Para que todos entendam, no dia 17 de junho, o cardeal de Nova York, Timothy Dolan, foi à CNN dizer que não havia motivo bíblico para separar as crianças dos pais e que isso era injusto e era contra os princípios dos EUA.

"Se eles querem tirar um bebê dos braços da mãe e separá-los, está errado", afirmou. "Não importa o lugar, o momento e a condição, isso é totalmente contra — não precisa ler a Bíblia para saber. Isso vai contra a decência humana. Vai contra a dignidade humana. Vai contra o que é mais sagrado na pessoa humana."

Ninguém deveria ter se surpreendido com esta reação dos bispos, que têm criticado Trump desde sua posse. É verdade que os bispos gostam das nomeações de Trump na justiça e suas ações contra o aborto e em apoio à liberdade religiosa. Mas eles sempre tiveram uma relação complicada com a política americana, porque seus pontos de vista baseiam-se na doutrina católica, e não na política partidária.

Quem não acha que os bispos dos EUA têm criticado o governo Trump não está prestando atenção aos acontecimentos. Como eu relatei em agosto do ano passado, uma avaliação dos comunicados de imprensa da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA mostra que os bispos têm atacado o governo em uma série de questões, especialmente a imigração.

Nos primeiros sete meses de Trump, os bispos emitiram mais de 20 declarações sobre o tratamento dispensado a imigrantes e refugiados, todos eles criticando o governo.

Eles também não têm usado meias palavras.

Os bispos afirmaram que estão "desolados", "profundamente incomodados", "profundamente preocupados" e "decepcionados" com as ações do presidente a respeito da imigração e dos refugiados. Estavam preocupados com o "fanatismo", o "medo e a intolerância". As ações do presidente foram "alarmantes," "devastadoras" e "prejudiciais". Ele estava colocando as pessoas "em perigo" e deixando "imigrantes, principalmente mulheres e crianças vulneráveis, mais suscetíveis a traficantes e contrabandistas". E protestaram contra o decreto do presidente que "praticamente encerra o programa de admissão de refugiados", afetando programas de reassentamento liderados pela Igreja.

As políticas do presidente, queixaram-se os bispos, "separam famílias sem necessidade, acabam com comunidades pacíficas, colocam em perigo a vida e a segurança dos mais vulneráveis entre nós, quebram a confiança que existe entre muitos departamentos de polícia e comunidades de imigrantes e semeiam um enorme medo nessas comunidades".

A imigração não é a única questão pela qual os bispos criticaram Trump. Eles também têm criticado sua posição sobre o racismo, a mudança climática, Cuba, política fiscal, comércio, controle de armas, pobreza e saúde.

Embora os bispos não tenham hesitado em orientar o presidente, eles ainda estão com dificuldades de aconselhar os eleitores católicos. Tem sido comum os bispos emitirem uma declaração de responsabilidade política de quatro em quatro anos, no mês de novembro que antecede a eleição presidencial. A última edição, "Forming Consciences for Faithful Citizenship”, foi aprovada em novembro de 2015, mas na verdade era apenas uma versão ligeiramente revista da de 2007.

Na reunião dos bispos dos EUA de junho, alguns deles, como o cardeal de Chicago, Blase Cupich, pressionaram por uma reescrita completa do documento, atualizando-o com o pensamento do Papa Francisco sobre o meio ambiente, o aquecimento global e as pessoas marginalizadas. Outros bispos, mais conservadores, querem ir na direção oposta e destacar o aborto, o casamento homossexual e a liberdade religiosa no documento, por serem as prioridades da Conferência Episcopal. Eles temem que se aproximar de Francisco, que declarou abertamente que não queria se concentrar demais no aborto, no casamento homossexual e no controle de natalidade, poderia ferir essas prioridades.

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