Acabou a lua de mel dos bispos com Trump

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29 Agosto 2017

Enquanto os ministros evangélicos abraçaram calorosamente Donald Trump como o candidato presidencial pelo Partido Republicano, os bispos católicos nunca o apoiaram publicamente. Eles, sim, expressaram um grande apoio a algumas de suas posturas – por exemplo, a oposição de Trump ao aborto e o seu apoio à liberdade religiosa. Isso, junto com a resposta negativa deles às opiniões de Hillary Clinton, fez muitos analistas acreditarem que, embora não apoiassem publicamente, os bispos ficaram felizes em ver o republicano ser eleito.

O comentário é de Thomas Reese, jesuíta e jornalista, publicado por Religion News Service, 24-08-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Essa felicidade ficou clara com a reafirmação da “política da Cidade do México”, diretriz do governo americano que proíbe organizações internacionais de receberem fundos federais caso elas fomentem a prática do aborto. Da mesma forma, os bispos apoiaram os esforços de Trump em não autorizar financiamento público para a organização Planned Parenthood. Eles igualmente aprovaram a ordem executiva que instruía as agências federais a respeitar a liberdade religiosa dos fiéis e suas organizações. E, o mais importante, os bispos alegraram-se com a nomeação de Neil Gorsuch para a Suprema Corte por causa da expectativa de que este será um juiz “pró-vida”.

Porém a relação entre Trump e os bispos católicos americanos parece ser um casamento de conveniência, diferentemente do caso de amor que o político tem com muitos ministros evangélicos. No primeiro caso, já foi possível ver algumas divergências públicas.

Recentemente, em resposta aos eventos em Charlottesville, os bispos criaram uma comissão ad hoc contra o racismo. O presidente da comissão, Dom Bishop George Murry, de Youngstown, Ohio, disse: “Os eventos recentes revelam a lembrança daquilo que podemos remontar ao pecado original dos Estados Unidos: o racismo”. Outros bispos, como o Cardeal Blase Cupich, de Chicago, também se pronunciaram de uma maneira que poderíamos interpretar como uma crítica à resposta evasiva dada pelo presidente ao que se passou em Charlottesville. “Não pode haver equívocos”, Cupich escreveu no informativo arquidiocesano. “O racismo é um pecado. A supremacia branca é um pecado. O neonazismo é um pecado”.

Essa não é a primeira ruptura dos bispos com o presidente Trump.

No começo de fevereiro, os prelados consideraram “preocupante e decepcionante” o fato de o político não ter revertido a ordem executiva de Obama que proibia que prestadores de serviços possam discriminar os clientes com base na orientação sexual e na identidade de gênero. Aqui Trump foi mais progressista do que os bispos católicos. O presidente americano também não voltou a sua atenção à preocupação em torno do artigo, na “Affordable Care Act”, que garante métodos contraceptivos nos planos de saúde.

Mas o que de fato chateou os bispos são os atos do presidente com relação à imigração e aos refugiados. Durante os sete primeiros meses do atual governo, os bispos emitiram mais de 20 notas sobre o tratamento dispensado a estas pessoas; todos esses comunicados teceram críticas ao governo.

Eles também não mediram palavras.

Os bispos disseram que estavam “desanimados”, “profundamente preocupados”, “profundamente incomodados” e “decepcionados” com as ações do presidente no tocante aos imigrantes e refugiados. Eles se mostravam preocupados com o “fanatismo”, com “o medo e a intolerância”. As decisões do presidente eram “alarmantes”, “devastadoras e “injuriosas”. Trump estava pondo as pessoas “em perigo” e tornando os “migrantes, especialmente mulheres e crianças vulneráveis, mais suscetíveis aos traficantes e contrabandistas”. Os líderes católicos protestaram contra a ordem executiva presidencial que “praticamente derruba o programa de admissões de refugiados no país”, ordem que afetou programas de reassentamento coordenados pela Igreja.

As diretrizes do atual presidente, queixaram-se, “separam desnecessariamente famílias, destroem comunidades pacíficas, põem em perigo a vida e a segurança de pessoas vulneráveis, rompem a confiança que atualmente existe entre muitos departamentos policiais e comunidades de imigrantes, além de semear o medo”.

Ou seja, estas notas não são comunicados de amor. São gritos estridentes de uma esposa que sente que os filhos estão sendo negligenciados e abusados.

Da mesma forma, os bispos, que não apoiaram o Obamacare pelas preocupações que tinham quanto ao aborto e ao controle de natalidade, não conseguiram obter a ajuda de Trump para revogar o citado programa. Durante os sete primeiros meses deste ano, em 11 ocasiões eles fortemente defenderam a não revogação do Obamacare, a menos que se aprovasse algo melhor para os pobres. Os prelados particularmente se puseram contra a qualquer retrocesso na expansão do programa Medicaid ou nos subsídios dados a pessoas de baixa renda na aquisição de planos de saúde, ideias centrais entre os líderes republicanos.

“Acabar com a cobertura [em planos de saúde] aos que lutam diariamente pela vida sem uma alternativa apropriada vai ser devastador”, disseram os bispos em julho. “A legislação proposta no American Health Care Act, pela Câmara dos Representantes dos EUA, e no Better Care Reconciliation Act, atualmente no Senado, seria um retrocesso grave e prejudicaria os mais necessitados. Em face das dificuldades em aprovar tais propostas, a resposta adequada não é criar uma maior incerteza, especialmente entre os que não podem arcar com as consequências, simplesmente revogando a Affordable Care Act sem um programa substituto”.

Os bispos têm mostrado todos os sinais de uma ruptura potencial com Trump. Acabou a lua de mel. O empresariado do país já está se distanciando de Trump como se este fosse o patinho feio sem futuro. Até mesmo os membros republicanos do Congresso estão pulando fora. Dado que, na cabeça dos bispos, este casamento nunca aconteceu, talvez seja mais fácil para eles discretamente se levantarem da cama e desaparecerem durante a noite. Eles já conseguiram grande parte do que queriam com a relação; chegou a hora de seguir em frente antes que seja tarde demais.

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