O que vem depois do documento “Faithful Citizenship” da Conferência dos Bispos dos EUA??

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25 Novembro 2015

"Os documentos se desenvolveram com o passar dos anos. Em 1992, havia 17 edições e 8.700 palavras. A extensão cada vez maior e o desejo de enfatizar o papel da consciência [política] foram os motivos pelos quais os bispos migraram para a abordagem presente", escreve Thomas Reese, jesuíta e jornalista, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 19-11-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

Depois de muito esforço e debate, os bispos americanos aprovaram uma nova introdução e uma versão alterada do texto “Forming Consciences for Faithful Citizenship”, documento emitido a cada quatro anos antes das eleições presidenciais. Trabalho de uma comissão composta por 10 membros da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, a introdução e a revisão foram apresentadas aos bispos em sua Assembleia Geral neste mês de novembro em Baltimore, no estado de Maryland.

O texto introdutório foi aprovado em 17 de novembro com 217 votos a favor e 16 contra, com duas abstenções, enquanto que o documento em si foi aprovado com 210 votos a favor e 21 contra, com cinco abstenções. Uma votação de dois terços era necessária para a aprovação.

Esta votação esmagadora disfarça o fato de que muitos bispos não ficaram felizes com o documento. Eles perceberam, todavia, que não tinha como produzir um novo documento que pudesse aprovado antes das eleições. Acharam que o documento era melhor do que nada, e não quiseram envergonhar a Conferência ao não permitir que esta tivesse o seu documento rejeitado. 

Confirme relata Tom Roberts em um artigo publicado no National Catholic Reporter, Dom Robert McElroy (bispo de San Diego) sustentou corretamente que tentar atualizar a versão de 2007 do documento “Faithful Citizenship” não deu certo porque “não estamos vivendo em 2007”. Este texto “não leva em conta o fato de que o Papa Francisco (...) rapidamente transformou a priorização do ensino social católico e seus elementos – não a verdade deles, não a substância, mas a priorização deles. Ele radicalmente transformou estas coisas ao articular as afirmações que recaem sobre os cidadãos enquanto fiéis e discípulos de Jesus Cristo”.

O Cardeal Daniel DiNardo (de Galveston-Houston) respondeu que a sua comissão fez o que os bispos pediram a eles que fizessem, a saber: escrever uma nova introdução e revisar o documento de 2007.

Após os documentos serem aprovados, perguntei ao Cardeal DiNardo o que ele, com base em sua experiência, recomenda aos bispos na próxima vez, para a versão de 2019.

Ele observou que “tudo tem um ciclo de vida”, incluindo os documentos da Conferência. Ele está bastante feliz com o documento aprovado este ano, mas “depois deste podemos dizer: ‘Ok, precisamos tentar algo diferente após 15 anos’”.

Um primeiro documento deste tipo, sobre a responsabilidade política, foi emitido em 1976 pelo conselho administrativo da Conferência dos Bispos, que cobria oito questões em 3.400 palavras: aborto, economia, educação, política alimentar, moradia, direitos humanos e política externa americana, mass mídia, e gastos militares.

Os documentos se desenvolveram com o passar dos anos. Em 1992, havia 17 edições e 8.700 palavras. A extensão cada vez maior e o desejo de enfatizar o papel da consciência [política] foram os motivos pelos quais os bispos migraram para a abordagem presente em “Faithful Citizenship”.

Assim como “Faithful Citizenship” foi a reformulação de uma abordagem anterior, ela talvez tenha chegado ao seu fim também, disse DiNardo.

Segundo ele, “vários de nós diriam: ‘Eis uma boa possibilidade’”. Acrescentou ainda que estaria receptivo em considerar a possibilidade de produzir algo novo.

Como esta nova abordagem se pareceria é algo incerto a DiNardo.

“O que penso é”, explicou o prelado, “se isso for acontecer, alguma decisão deve ser tomada no próximo ano, depois que as eleições terminarem. Podemos precisar dois anos e meio para produzir alguma coisa”.

Ele concordou com Dom Anthony DiMarzio (do Brooklyn) quem explicou: “Se fizermos as coisas do zero, os bispos não irão querer um documento finalizado; eles vão querer rascunhos em que eles podem comentar ao longo do caminho”. Isso leva bastante tempo.

O que a USCCB deveria fazer na sua próxima Assembleia no ano que vem? Fiz esta pergunta a alguns teólogos e recebi uma variedade de opiniões.

“Que tal um documento mais indutivo, que saliente uma ampla gama de formas em que os católicos, em todo o país, estão vivendo o seu credo como cidadãos?”, perguntou Christine Hinze, da Fordham University. “Ele poderia ressaltar ainda os princípios do ensino social católico, mas assumir uma abordagem indutiva, localmente destacada”.

Este poderia acolher um “espectro de ilustrações, incluindo as pessoas no funcionalismo público, grupos comunitários de base, talvez até mesmo grupos paroquiais, além de lideranças individuais, colaboradores, incluindo também um espectro de modos de ser um católico fiel”, disse ela. Isso poderia “ser atraente e útil às pessoas enquanto elas ponderam e oram a respeito de suas participações cívicas e políticas na qualidade de católicas, incluindo – mas não se limitando em – votar”.

“Gosto do que a Chris diz”, falou David Decosse, da Santa Clara University. “Não acho que o problema seja o documento em si tanto quanto a teologia da consciência que tem perpassado o documento durante os últimos anos. A teologia da consciência de João Paulo II e Bento XVI – que é a teologia refletida no documento atual – não é a mesma que a do Papa Francisco, a qual favorece uma abordagem mais indutiva a que Chris se refere aqui”.

Angela Senander, da University of St. Thomas, concorda. “Antes de 2007, os textos que compõem o ‘Faithful Citizenship’ pareciam refletir mais a Gaudium et Spes em termos de método e ensino sobre a consciência, e seria bom voltar a este documento papal”.

Tobias Winright, da St. Louis University, também concorda e sugere mudar o título para “Faithful Disciples” [literalmente discípulos fiéis]. Daniel Finn, da College of St. Benedict e da St. Johns University, sugere “Citizens yet Disciples” [cidadãos contudo discípulos].

A professora Davila, da Andover Newton Theological School, fez o papel de advogado do diabo e argumentou que “existe um elemento significativo dentro do catolicismo americanos que quer a especificidade dos textos do ‘Faithful Citizenship’”.

“Nós (a Igreja americana em geral) estamos viciados em uma espécie de explicações 8 ou 80, moral ou imoral, dadas a nós na época das eleições”, disse. “É dolorosamente confuso a estes fiéis ser convidados a considerar as alterativas dentro de uma gama de valores, em vez de ouvirem o juízo moral específico das diferentes plataformas políticas. Eles temem que uma tal visão vai levar as massas ao engano e, portanto, serem culpados de escândalos”.

David Cloutier, da Mount St. Mary’s University, acredita que o formato fundamental do “Faithful Citizenship” – uma lista de princípios e questões – tem dois problemas.

“Um, o resultado prático é interminável, debatendo sobre as estratégicas de priorização que são demais facilmente vistas como estando pendente para uma ou outra direção partidária”, disse ele. “Dois, o formato deixa passar o problema mais fundamental da atual situação política dos católicos, que é que ambos os partidos se deslocaram num tal sentido durante as últimas décadas que acabou ficando mais difícil enquadrá-los dentro da visão geral do ensino social católico”.

“Em 1980”, continuou, “poderíamos imaginar um católico em qualquer partido cujas abordagens numa gama de questões poderiam razoavelmente recair dentro dos parâmetros gerais, enquanto que, em 2015, isso é bem difícil de acontecer. Houve um endurecimento numa variedade de problemas que, verdadeiramente, faz os democratas pró-vida ou os republicanos pró-meio-ambiente estarem excluídos dos principais círculos nestes partidos. Uma sinceridade por parte dos bispos pode, pelo menos, encorajar aqueles em ambos os partidos que desejam combater este endurecimento.

Cloutier gostaria de ver os bispos “seguindo o exemplo de Francisco em seu discurso ao Congresso dizendo que estas mudanças, em ambos os lados, refletem um libertarianismo crescente e um partidarismo que se foca em vencer, isso à custa do trabalho conjunto de busca de uma noção partilhada de bem comum”. Uma tal declaração, pensa Cloutier, “não seria muito útil para o partidarismo em geral, mas poderia realmente ser uma intervenção que abordaria os problemas existentes em 2015”.

Eli McCarthy, da Georgetown University, focou o seu comentário no tratamento da violência e da paz presente em “Faithful Citizenship”.

“Por exemplo, o parágrafo 23 diz que a dignidade é violada quando os não combatentes são alvejados”, disse. “Não obstante, tanto o Papa João Paulo II como o Papa Bento XVI afirmaram que toda a violência destrói a dignidade humana. Então, por que os bispos limitam a violação da dignidade somente quando se visa os não combatentes?”

Ele igualmente gostaria de ver concretizada a seção sobre a promoção da paz com práticas pacificadoras mais específicas, tais como a resistência não violenta. “E por que”, pergunta-se, “os soldados são homenageados pelo comprometimento e sacrifício, mas não os pacifistas, pessoas que arriscam suas vidas em zonas de combate”.

Certamente, estas respostas refletem apenas um pequeno grupo de professores acadêmicos. Porém espero que os estes comentários possam estimular outros a pensarem criativamente. David O’Brien, da Holy Cross College, espera que as instituições acadêmicas realizem debates sobre o catolicismo público e a experiência de 40 anos dos documentos episcopais sobre a responsabilidade política. Este movimento poderia dar aos bispos algumas opções para avançar.

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