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23 Setembro 2015

"John Boehner, o líder dos republicanos na Câmara, enlouqueceu. Como pôde convidar o pontífice ao Congresso? Agora, ele corre o risco de perder o assento. O discurso do papa, nessa quinta-feira de manhã, dará lugar a um grande momento de teatro político. O que farão os parlamentares conservadores quando Francisco disser coisas que a eles não agradam sobre a acolhida aos imigrantes, a proteção do ambiente, as intervenções em favor dos pobres e dos deserdados? Permanecerão imóveis enquanto os democratas esfregam as mãos? Seria terrificante um Parlamento dividido diante de uma grande autoridade religiosa assim como diante de Obama. Mas, se aplaudirem, os Tea Party e os integralistas os atacarão, tratando-os como traidores."

A reportagem é de Massimo Gaggi, publicada no jornal Corriere della Sera, 22-09-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Parece a análise de um cientista político, mas são palavras de um jesuíta. Um jesuíta um pouco particular: Thomas Reese foi o diretor da America, a revista dessa ordem religiosa, mas, em 2011, foi forçado a renunciar pela Congregação para a Doutrina da Fé por causa das suas posições não ortodoxas sobre o celibato dos sacerdotes e as mulheres na Igreja.

Desde então, tornou-se uma das vozes mais ouvidas do reformismo católico norte-americano. Comentarista do National Catholic Reporter, a revista dos católicos progressistas, padre Reese há anos foi colocado por Obama na comissão para a proteção das liberdades religiosas.

Eis a entrevista.

É o seu momento, você está em todos os canais de TV. Francisco mudou de rumo, e deu os primeiros sinais justamente em uma entrevista à revista dos jesuítas.

É assim. Quando eu a li, comecei a rir. E a chorar. Ele dizia coisas muito mais radicais do que aquelas pelas quais eu havia sido afastado. Mas é coisa do passado. O que importa é que hoje, graças a esse pontífice, na Igreja, pode-se discutir, pode-se abrir debates: nos últimos dois pontificados, foi impossível.

Você acha que o Papa Bergoglio terá uma influência sobre a definição da agenda política dos EUA e talvez sobre as eleições presidenciais? E ainda: ele conseguirá mudar uma Igreja dos Estados Unidos até aqui muito mais sensível às questões bioéticas e da moral sexual do que aos sofrimentos dos últimos da Terra?

Eu gosto do modo em que você dividiu a pergunta. São duas coisas diferentes. Francisco fala a todos como profeta e para a comunidade católica como pastor. Os políticos certamente não são obrigados a ouvi-lo. Mas as coisas que ele disser pesam. O papa é muito popular, os parlamentares matariam para ter a sua taxa de aprovação. Quando ele falar da necessidade de acolher os imigrantes e sobre os danos do "aquecimento global", será a palavra de uma pessoa amada e respeitada até mesmo pelos conservadores. Francisco não é Hillary nem Al Gore. Um impacto, ao menos sobre as prioridades da agenda política, haverá.

E na Igreja? Veremos um "efeito Francisco"?

O papa é importante na Igreja, mas não é a Igreja. Nos EUA, um terço das pessoas criadas como católicas abandonaram depois a religião: em suma, 10% da população dos EUA é composta por ex-católicos. Podemos recuperá-los. Muitos são tocados pelas palavras de Francisco e poderiam voltar. Mas, se forem à paróquia e, em vez do papa, encontrarem um burocrata, perdemo-los para sempre. Para ter um verdadeiro "efeito Francisco", o pontífice deve conseguir convencer a hierarquia eclesiástica a mudar de rumo.

Por isso, se o discurso ao Congresso é importante para a política, o momento crucial para nós, religiosos, será nessa quarta-feira, quando o papa se encontrará com os bispos na Catedral de St Matthew. No entanto, ele nos dará uma sacudida com os seus simbolismos: não conseguiu entrar a pé a partir da fronteira mexicana, mas irá ao encontro dos "dreamers", jovens clandestinos, irá ao encontro dos presos no país com o recorde mundial de encarceramentos.

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