Pence, vice-presidente americano defende Trump como promotor dos valores católicos

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08 Junho 2017

O vice-presidente americano Mike Pence, que já foi coroinha e que agora é evangélico, caracterizou o presidente Donald Trump como um promotor fiel dos valores católicos no National Catholic Prayer Breakfast, evento católico que buscou superar as divergências entre o presidente e o papa.

“Me permitam prometer isto: esse governo ouve vocês. Esse presidente está junto de vocês”, disse Pence aos 1.300 participantes presentes.

A reportagem é de Lauren Markoe, publicada por Religion News Service, 06-06-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O discurso do vice-presidente, proferido em 6 de junho, veio menos de duas semanas depois quer Francisco recebeu Trump no Vaticano e onde o líder religioso pediu, sem sucesso, que o presidente mantivesse os EUA dentro do acordo climático de Paris.

Francisco e Trump, que já se divorciou três vezes, também discordam na questão imigratória e dos refugiados; durante a campanha presidencial ano passado, Francisco até mesmo pôs em dúvida se Trump era, de fato, cristão.

Mas Pence contou ao público ouvinte que Trump é uma liderança nos assuntos que mais preocupam os católicos: a proteção dos nascituros, a liberdade religiosa e o sofrimento dos cristãos perseguidos no Oriente Médio.

“O nosso governo está 100% comprometido em trazer alívio e conforto aos fiéis dessa região e, com o presidente Donald Trump, os EUA continuarão condenando a perseguição de qualquer religião em qualquer lugar, e em qualquer tempo. Iremos enfrentar este problema com todas as nossas forças”.

Os terroristas, acrescentou, parecem ter “um ódio especial pelos seguidores de Cristo”.

Sobre o aborto, Pence disse: “Eu não poderia estar mais orgulhoso em servir como vice-presidente de uma pessoa que se coloca em defesa da santidade da vida humana. Desde o primeiro dia de governo, o presidente Donald Trump vem mantendo a promessa de defender a vida, e a vida está vencendo na América de novo”.

Entre outras mudanças propostas por Trump, Pence notou o bloqueio dos financiamentos federais a ONGs internacionais que prestam serviços abortistas, e a aprovação de uma lei que dá aos estados o direito de negar financiamento à Planned Parenthood, ONG voltada à saúde feminina e que viabiliza a prática do aborto.

A posição pública de Trump sobre o aborto mudou ao longo dos anos. Ele já apoiou os direitos abortistas, mas, na campanha presidencial, ele ficou o tempo todo no campo antiabortista.

Aos católicos conservadores desconfortáveis com Trump na presidência, Pence buscou tranquilizá-los.

Os que se opõem ao aborto destacam o histórico imaculado de votos dados por Pence no Congresso e quando foi governador de Indiana.

Aqui, ele assinou a “Religion Freedom Restoration Act”, lei que permitia que empresas e indivíduos, com base em suas crenças religiosas, se recusassem a fazer negócios com certas pessoas (como o padeiro que não queria fazer um bolo de casamento para um casal gay). Pence aprovou uma versão revisada dela, sob pressão de grandes corporações, organizações e celebridades que prometeram boicotar o estado de Indiana.

Algumas pessoas no evento disseram que a tensão entre o papa e o presidente americano foi superada.

“É claro que existem diferenças de opinião”, disse Bernadette Michael, americana nascida em Londres e que se mostrou entusiasmada com o apoio do governo aos nascituros.

“Agora nós temos voz de novo”, completou ela, comparando Trump e Pence com o ex-presidente Obama, apoiador declarado da prática abortista.

A Igreja Católica se opõe ao aborto e ao casamento homoafetivo, embora muitos fiéis não compartilham esta postura, em particular no caso dos casamentos. No evento, nem Pence nem outros palestrantes levantaram a questão matrimonial.

Na eleição de novembro, os católicos se dividiram entre os republicanos Trump e Pence e os democratas Hillary Clinton e Tim Kaine (cujas opiniões se alinham mais com as do Papa Francisco).

Os católicos mais antigos e conservadores – a julgar pelos aplausos dados quando Pence invocava Trump na 13ª edição do National Catholic Prayer Breakfast – preferiram votar nos candidatos republicanos.

Os católicos mais jovens e de origem hispânica ficaram ao lado de Clinton e Kaine.

Trump, que em fevereiro falou no National Prayer Breakfast – encontro organizado por evangélicos –, foi também convidado para o evento semelhante organizado por católicos. Neste caso, um porta-voz informou que os organizadores não fizeram o pedido com antecedência o suficiente para que o presidente o encaixasse em sua agenda.

Mas Pence, que falou sobre a sua criação católica na infância, talvez acabou sendo um convidado mais apropriado do que Trump, que cresceu num lar presbiteriano e que embaraçou alguns ao insultar Arnold Schwarzenegger recentemente.

Pence, que falou de si como “um católico evangélico nascido de novo”, brincou com os oito anos “difíceis” por que passou quando estudou em escolas católicas, e como “o nome Irmã Rachel ainda me dá calafrios”. Lembrou de sua formação católica como um “fundamento eterno” e notou que tinha ido à missa com sua mãe “na semana passada”.

“Hoje eu não só fui batizado na fé, mas confirmado e me coloco diante de vocês como Michael Richard Christopher Pence”, disse.

Pence, porém, evitou se considerar um católico. Observou que a sua jornada de fé levou ele e sua família “a uma direção diferente”.

Pence é o primeiro vice-presidente a discursar em um evento deste tipo, conquanto o ex-presidente George W. Bush fora o palestrante principal em todos os anos de seu mandato.

Também palestrando no National Catholic Prayer breakfast estiveram Dom Timothy Broglio e Mãe Olga, freira que viveu ao longo de quatro guerras em seu país de origem, o Iraque, e que hoje é cidadã americana.

A freira invocou os peregrinos do Mayflower [1] quando falou da promessa dos EUA e aconselhou os americanos a declararem sua fé no ambiente público.

Existe uma “hesitação em falar de Deus, mesmo de uma maneira simples, como dizer ‘Deus te abençoe’, quando alguém espirra, disse a religiosa. “Temos medo de colocar símbolos religiosos nos prédios públicos ou falar publicamente sobre valores religiosos em nossa vida cotidiana”.

Nota:

[1] Famoso navio que, em 1620, transportou os chamados Peregrinos, do porto de Southampton, Inglaterra, para o Novo Mundo.

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