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18 Junho 2018

“Com Maria e Isabel, as mulheres estavam presentes e ativas na vida e ministério, do ventre ao túmulo vazio de Jesus. Junto com Maria de Magdala, elas foram as primeiras a proclamar a boa nova da ressurreição-vitória de Jesus sobre a morte”, escreve Christine Schenk, irmã da Congregação de São José, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 15-06-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Mulher é retratada em oração num antigo mosaico cristão visto no Museu Pio Cristiano no Vaticano (Foto: Wikimedia Commons/Miguel Hermoso Cuesta)

Às vezes é realmente difícil de ser uma mulher católica.

Por um lado, eu não poderia estar mais orgulhosa da liderança criativa tomada pela Universidade de Notre Dame e pelo Papa Francisco de trabalhar juntamente com executivos do petróleo a fim de enfrentar a mudança climática.

Por outro lado, eu estou consternada por outra instrução do Vaticano — desta vez do cardeal Luis Ladaria — prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé — sobre a não-ordenação de mulheres ao sacerdócio.

Eu tenho registrado as declarações do Vaticano sobre sacerdócio feminino desde a década de 1970. Elas são invariavelmente ahistóricas e biblicamente ingênuas. É embaraçoso. Pior, elas testemunham falsamente sobre o Jesus histórico e são, em última análise, destrutivas para o corpo de Cristo.

Como contribuição para a conversa em curso sobre as funções das mulheres na nossa Igreja, apresento aqui alguns exemplos acadêmicos sobre Jesus e o exercício da autoridade feminina no cristianismo primitivo.

Considere o que diz a instrução de Ladaria: "Cristo por vontade própria conferiu este sacramento para  os 12 apóstolos — todos os homens — que, por sua vez, o comunicaram a outros homens. A Igreja sempre se vinculada a esta decisão do Senhor, que exclui que o sacerdócio ministerial possa ser conferido validamente para as mulheres."

Estudiosos da Bíblia sabem há muito tempo que Jesus não tinha a intenção de fundar uma nova igreja liderada por 12 homens, mas reformar sua própria tradição judaica. Como tal, os Doze representam as novas 12 tribos de Israel. Eles não foram chamados para oferecer o sacrifício animal no Templo de Jerusalém, como era entendido o sacerdócio na época de Jesus.

Que Jesus incluiu as mulheres em seu discipulado itinerante na Galiléia é indiscutível. Lucas 8:1-3 nos diz que Maria Madalena, Joana, Susana "e muitas outras mulheres" o acompanharam desde a Galileia. Com Maria e Isabel, as mulheres estavam presentes e ativas na vida e ministério, do ventre ao túmulo vazio de Jesus. Junto com Maria de Magdala, elas foram as primeiras a proclamar a boa nova da ressurreição-vitória de Jesus sobre a morte.

  • Desde o primeiro século, vemos um padrão de repetição de mulheres exercendo autoridade eclesial no crescimento do cristianismo primitivo:
  • Mulheres fundaram e lideraram comunidades caseiras da igreja (Lidia, Prisca, Ninfa, Maria de Jerusalém, Tabatha);
  • Profetizaram (filhas de Felipe, mulheres coríntias);
  • Ensinaram evangelistas masculinos (Prisca);
  • Funcionaram como apóstolas (Júnia, Maria Madalena), benfeitoras e enviadas (Febe);
  • Provavelmente conduziram comunidades em Filipos como episcopoi e diaconoi (Evódia e Síntique). (Deve-se notar que episcopoi e diakonoi não podem simplesmente ser traduzidos como "bispos" e "diáconos" como nós entendemos estes termo hoje. Os títulos, no entanto, indicam uma função importante de liderança)

As cartas de Paulo são os documentos históricos mais antigos que temos. Com ele, podemos aprender mais sobre o título "apóstolo". Escrevendo entre 40 e 60 d.C., Paulo usa a palavra "apóstolo" inclusive para descrever sua própria missão para com os gentios, bem como de outros missionários. Em Romanos 16:7, ele chama Andrônico e Júnias (um casal missionário) "proeminente entre os apóstolos".

Vinte anos mais tarde, após a queda de Jerusalém (80-85 d.C.), o Evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos refletem uma crescente luta sobre quem pode exercer autoridade na Igreja Primitiva. Lucas aponta três requisitos para substituir o apóstolo Judas:

"Portanto, é necessário escolher um dos homens que esteve conosco o tempo todo em que o Senhor Jesus estava vivendo entre nós, a partir do batismo de João até o momento quando Jesus nos foi tirado. Que um deles se torne conosco testemunha da sua ressurreição" (Atos 01:21-22 ).

Os novos critérios de Lucas estipulam que os apóstolos devem ser masculinos, parte do discipulado original de Jesus e testemunhas da ressurreição. Tais critérios indicam que o título individual de “apóstolo” morrerá na medida em que a testemunha ocular morrer.

Além disso, líderes proeminentes como Paulo, Maria Madalena, Tiago de Jerusalém, Júnias e Andrônico já não se qualificam como "apóstolos". Ironicamente, homens da Igreja do terceiro e quarto séculos vão reivindicar a autoridade dos Apóstolos em impor novas ordens a Igreja que excluem mulheres da liderança.

Infelizmente, a prática continua até os dias atuais. Mesmo que arqueólogos e historiadores apontem um ponto de equilíbrio entre os sexos no exercício da autoridade nas primeiras comunidades da Igreja. Por exemplo, a "ordenação" como um "presbítero" (como os padres eram chamados na época) não tinham sido criados até muito tempo depois da morte e ressurreição de Jesus. E lá estão compiladas as provas de que no quarto e quinto séculos, as mulheres tinham títulos presbiterais. Estes primeiros presbíteros foram os precursores dos padres de hoje, e a evidência sugere que, em algumas comunidades primitivas, homens e mulheres funcionavam nestes papéis.

A contenção de Ladaria de que a ordenação de homens pertence à "substância do Sacramento" e que não pode ser alterada porque Cristo instituiu o Sacramento, é outro exemplo da natureza ahistórica das atuais formulações do Vaticano.

A compreensão cristã do Sacramento não se tornou parte da doutrina da Igreja até a idade média. É o produto de uma reflexão feita mais tarde exclusivamente por membros masculinos do corpo de Cristo. Isto não quer dizer que os sacramentos não são uma parte central da doutrina católica, bem como uma bela maneira de descrever a ação de Deus em nossas vidas. É para dizer que essa construção teológica não tinha o benefício das percepções de membros femininos do corpo de Cristo.

Talvez seja por esta razão que cardeal Christoph Schönborn, numa entrevista por ocasião da Páscoa ao jornal Die Presse, pediu um novo Concílio para discutir o assunto: "Uma das questões-chave é o papel das mulheres na Igreja. No presente, organizações religiosas como um todo estão necessitadas de desenvolvimento. ... A questão da ordenação é uma pergunta que certamente só pode ser resolvida por um Concílio. Um Papa não pode decidir isso sozinho".

Se o Papa Francisco pode convocar uma reunião internacional de líderes para controlar o aquecimento global, certamente pode também convocar uma reunião internacional com equilíbrio de gênero para abordar o sexismo e a misoginia que têm atormentado nossa Igreja há milênios.

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