Bélgica e eutanásia no hospital: o “não” dos Irmãos da Caridade

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17 Agosto 2017

“Depois da carta do dicastério vaticano, eu escrevi imediatamente aos três coirmãos que fazem parte do conselho da organização que administra os nossos hospitais na Bélgica. Até o momento, recebi uma única resposta, na linha do magistério da Igreja, mas estou confiante de que a resposta geral será na linha indicada pela Santa Sé.”

A reportagem é de Enrico Lenzi, publicada por Avvenire, 14-08-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O padre René Stockman, superior-geral dos Irmãos da Caridade, espera uma solução positiva do caso em que a organização que gere os hospitais da congregação se disse favorável, “na ausência de um tratamento alternativo razoável”, ao recurso à eutanásia para os pacientes.

Uma decisão já contestada, na época, pela congregação, mas que, na semana passada, também teve a intervenção do papa através do dicastério vaticano para os Institutos de Vida Consagrada, com a qual se pede para voltar atrás sobre essa decisão.

Eis a entrevista.

Padre, você escreveu a três coirmãos que fazem parte do conselho da organização que administra os hospitais. Portanto, não escreveu ao conselho regional da congregação?

Certamente, porque se trata de duas realidades diferentes e distintas. Uma coisa é a Congregação dos Irmãos da Caridade, que se encontra na Bélgica; outra é a organização que gere as estruturas de saúde. É um órgão no qual estão presentes três coirmãos nossos, mas a maioria é composta por leigos. Entre os conselheiros, também está Herman Van Rompuy, que foi o primeiro presidente do Conselho Europeu.

A abertura à eutanásia, portanto, nasceu dentro desse órgão?

Sim. Embora haja leigos católicos, em uma realidade como a belga, vemos o avanço de uma mentalidade secularizada, na qual a doutrina da Igreja, em alguns pontos, é injustamente considerada quase como “ultrapassada”. A minha carta foi dirigida a todos eles, e espero que, na reunião que o conselho terá no dia 11 de setembro, volte-se para a linha indicada pelo Vaticano.

A Bélgica é um dos países que permitem o recurso à eutanásia. Mas uma estrutura hospitalar católica belga é obrigada a praticá-la, se necessário?

A lei não prevê isso. Podemos dizer não à prática da eutanásia nas nossas estruturas.

Então, por que essa decisão?

Reitero que estamos diante de um órgão composto, em sua grande maioria, por leigos, e que as pressões culturais, políticas e sociais ligadas à secularização são frequentemente muito fortes também em ambientes católicos. Mas, na carta que eu escrevi, eu também reiterei quatro pontos-chave sobre os quais não se pode encontrar nenhum compromisso.

Pode ilustrá-los?

Em primeiro lugar, reiterei que o respeito pela vida é um valor absoluto. Segundo, que não se pode indicar a eutanásia como “solução” para um doente que não tenha perspectiva de cura. Terceiro, a eutanásia não pode ser considerada como um ato médico. Quarto e último ponto, a eutanásia não pode ser praticada nos hospitais que se dizem ligados à nossa congregação religiosa. Falei sobre isso também com o secretário de Estado vaticano, o cardeal Pietro Parolin, e ele confirmou que, sobre esses pontos, não é possível entrar em compromissos.

Você se disse confiante em uma resposta positiva por parte da organização. Mas se isso não acontecer? O Vaticano também levantou a hipótese da excomunhão.

Quanto a esse último aspecto, é preciso notar que ele não se aplica, já que a decisão não foi tomada pela congregação. É diferente a questão da organização que gerencia esses hospitais. Se a resposta – mas eu espero e rezo que não seja assim – for negativa às nossas solicitações, temo que essas estruturas, no futuro, não poderão mais se dizer ligadas à nossa congregação. Seria a única, embora dolorosa, possibilidade.

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