Ex-primeiro-ministro belga desafia Papa Francisco sobre proibição da eutanásia para hospitais religiosos

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16 Agosto 2017

Herman Van Rompuy, que anteriormente atuou como presidente do Conselho Europeu e primeiro-ministro da Bélgica, tuitou uma mensagem que dá a entender que o Papa Francisco não pode dizer a ordens religiosas belgas que parem de realizar a eutanásia em suas clínicas médicas. Van Rompuy atua no conselho do Brothers of Charity Group.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada no sítio Crux, 14-08-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Com o tempo contado para que os Irmãos da Caridade cumpram um pedido vaticano de parar de oferecer a eutanásia em seus 15 centros para pacientes psiquiátricos em toda a Bélgica, o assunto está longe de ser resolvido, já que um dos membros do conselho desafiou abertamente a ordem do Papa Francisco no Twitter.

 

“O tempo de ‘Roma locuta causa finita’  já faz tempo que passou”, foi o que Herman Van Rompuy, ex-presidente do Conselho Europeu e membro do conselho de administração do Brothers of Charity Group, disse no Twitter.

A mensagem, citando a frase latina “Roma falou; a causa está encerrada” – uma paráfrase de Santo Agostinho, que significa que o papa tem a última palavra –, veio como resposta a uma postagem do canonista Kurt Martens.

A mensagem original era em holandês, a língua oficial de Flandres, uma das regiões da Bélgica.

Van Rompuy é um político belga e europeu, que também atuou como primeiro-ministro da Bélgica, como membro do Partido Democratico Cristão Flamengo.

O Ir. Rene Stockman, superior-geral da ordem, disse ao Crux que ele “não tem ideia de qual era a intenção dele ao colocar isso no Twitter”. Por essa razão, disse, não poderia comentar mais sobre o assunto.

O Papa Francisco deu a sua aprovação pessoal a uma exigência vaticana de que os Irmãos da Caridade revertam a sua política de eutanásia até o fim de agosto. Stockman, sediado em Roma, tem se pronunciado publicamente em sua oposição a essa política desde o início.

“Veja, existem os argumentos. Não podemos aceitar que vocês estejam mudando a política sobre a eutanásia”, disse ele ao grupo na Bélgica.

Stockman também pediu que os bispos do país se pronunciem sobre o assunto, o que eles fizeram “na nossa linha, o que é lógico, é claro, porque, de outra forma, seria contra a Igreja”.

Depois que a decisão de mudar a política foi confirmada, ele contatou o Vaticano, que já havia sido informado sobre a situação.

Há três irmãos atuando no conselho do Brothers of Charity Group, organização que administra os centros psiquiátricos, mas os outros 11 membros são leigos.

Os religiosos foram convidados a assinar uma carta conjunta ao seu superior-geral declarando que eles “apoiam plenamente a visão do Magistério da Igreja Católica, que sempre confirmou que a vida humana deve ser respeitada e protegida em termos absolutos, desde o momento da concepção até o seu fim natural”.

Aqueles que se recusam a assinar enfrentam sanções de acordo com o direito canônico, enquanto o grupo pode esperar enfrentar ações legais e até mesmo ser desfiliado da Igreja se não mudar a sua política.

O pedido, emitido no início de agosto e que deve ser cumprido até o fim do mês, ainda não foi respondido, de acordo com Stockman.

“Eles receberam o meu pedido e vão refletir sobre isso juntos, os irmãos e o conselho de administração”, disse. No entanto, a reunião geral do conselho será no fim de setembro, de modo que a resposta pode ser adiada.

Stockman disse que a sua “única esperança” é que o assunto seja resolvido de acordo com o pedido do Vaticano, que colocaria os Irmãos da Caridade da Bélgica novamente na linha da doutrina da Igreja, “que também é a missão dos Irmãos: o respeito absoluto pela vida”.

De acordo com Stockman, a doutrina da Igreja sobre a vida é muito clara: “Eu acho que não podemos fazer compromissos nesse nível”.

Atualmente, encerrar a vida de um paciente é legal nos Países Baixos, na Bélgica e em Luxemburgo. Ajudar uma pessoa a se suicidar mediante o suicídio assistido é legal na Suíça, Alemanha, Japão, Canadá e em alguns Estados dos Estados Unidos.

O Catecismo da Igreja Católica é muito claro sobre essa questão, chamando um ato ou uma omissão que causa a morte para eliminar o sofrimento de um “assassinato gravemente contrário à dignidade da pessoa humana e ao respeito do Deus vivo, seu Criador”.

O parágrafo 2.277 do Catecismo também diz que não há justificativa para pôr fim às vidas de pessoas deficientes, doentes ou moribundas. “O erro de juízo, em que se pode ter caído de boa fé, não muda a natureza do ato homicida, o qual deve sempre ser condenado e posto de parte.”

Olhando para o crescente número de países que aceitam essas práticas, Stockman diz que a Igreja não pode “fazer compromissos” sobre o “respeito absoluto pela vida”.

“Eu acho que a Igreja continuará sendo uma voz clara contra uma mentalidade que está crescendo em muitos países sobre a eutanásia e sobre a autodeterminação absoluta, que está substituindo o respeito absoluto pela vida”, disse.

Essa mentalidade, continuou, está crescendo em todo o mundo, particularmente nos países ocidentais. No entanto, “nós, como Igreja, temos o dever de deixar bem claro que não podemos fazer compromissos sobre isso”.

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