"Papa Francisco nada fez nada contra a pedofilia", afirma Peter Saunders, ex-membro do organismo Vaticano antiabuso

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25 Fevereiro 2016

Fonte: abalaweb.wordpress.com
O Papa Francisco escolheu-o para a comissão vaticana contra os padres pedófilos. Dois anos mais tarde, Peter Saunders lança contra Jorge Bergoglio uma feroz acusação: "Durante o papado de Francisco a Igreja Católica nada fez para combater o abuso de menores pelo clero", disse à BBC numa entrevista contundente. "E ele é parte do problema".

A reportagem é de Laura Eduati, publicada por O Huffington Post, 23-02-2016. A tradução é de Ramiro Mincato.

Saunders, britânico, vítima de assédio sexual da parte de um padre, foi formalmente suspenso da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, nos primeiros dias de fevereiro. O organismo, por explícita vontade do Papa Francisco, que sempre julgou publicamente "uma monstruosidade" as atenções pedófilas dos membros do clero, foi instalado em 2014.

Agora explica sua decepção: "Sempre fui uma pedra no sapato, desde o primeiro momento em que entrei na Comissão". "Pensava que nosso trabalho seria tomar medidas contra os padres abusadores, mas, ao invés disso, o objetivo era criar políticas e diretrizes em vista de determinar quais seriam as melhores práticas de prevenção para o abuso". Enquanto isso, continua Saunders, "todos os dias ouvimos histórias de abusos praticados por padres. É horrível".

Nenhuma ação concreta, muito mais um órgão político que, segundo Saunders, não levará a lugar nenhum, mesmo problemas formais, pois quatro membros da secretaria da Comissão, "muito próximos do Vaticano", sempre segundo declaração de Saunders à BBC, são pouco independentes.

Além disso, "o organismo encontra-se no Vaticano, mas ao contrário, teria que trabalhar em Roma". Saunders não poupa em nada nem mesmo o papa: a Comissão "é apenas um organismo de relações públicas", criado depois dos escândalos de pedofilia do clero que abalaram os fiéis. Um trabalho perfeito "para o melhor relações públicas que a Igreja poderia ter", ou seja, Bergoglio.

Saunders lembra o diálogo com o Papa: "Disse-lhe da necessidade de expulsar todos os abusadores Naquele momento parecia que me levava a sério. Hoje sei que nem me ouvia..."

A Comissão antiabusos, continua destemido o ex-membro, nem era uma ideia do Papa, mas do arcebispo de Boston, Sean Patrick O 'Malley, que se encontrava no olho de uma tempestade midiática, exatamente pelos numerosos casos de abuso sexual nas dioceses americanas, objeto do recente filme "Spotlight, segredos revelados".

Às acusações de Saunders, o Vaticano responde sem entrar no mérito, mas lembrando que a Comissão não foi criada para perseguir individualmente os padres culpados de pedofilia e abuso sexual, mas para encontrar soluções gerais ao problema que toca profundamente a Igreja. Em dois anos, escreve sempre o Vaticano, 880 sacerdotes foram expulsos.

Entre eles, no entanto, não figura Juan Barros, bispo da diocese de Osorno, no Chile, que segundo as vítimas, acobertou os abusos do padre Fernando Karadima Fariña, suspenso exatamente por esses crimes. Em entrevista ao Daily Beast, Saunders fala também do escândalo envolvendo um cardeal muito próximo ao Papa, Francisco Javier Erràruriz, chileno.

Erràruriz chamara de "serpente" a um dos ativistas mais famosos na luta contra a pedofilia no Chile, Juan Carlos Cruz, num e-mail para outro cardeal publicado, em seguida, pela mídia chilena. Cruz era, naquele tempo, forte candidato para a Comissão papal, mas sua nomeação não foi adiante. "O que o Papa e os cardeais disseram foi terrível", disse Saunders ao Daily Beast.

Saunders contou ao Daily Beast também porque foi literalmente expulso da Comissão: "Um dia antes de minha expulsão (5 de Fevereiro), eles falavam da necessidade dos bispos reportarem (os casos de abuso) e O'Malley dizia ser isso de dever moral", continua Saunders. "Apresentei, então, para discutir, um programa com maior abertura e transparência. Foi rejeitado. No entanto, o segredo é a maior razão para a existência desta chaga".

O escândalo da pedofilia está tocando um dos representantes mais altos do Vaticano, o cardeal Pell. O chefe das finanças deverá depor, dia 29 de fevereiro, à Royal Commission australiana que investiga a suposta cobertura dada pelo cardeal para proteger os padres da diocese de Ballarat e Melbourne, acusados e, em alguns casos, condenados por abuso sexual contínuo de menores.

Pell alegou razões de saúde para não viajar à Austrália, seu país natal. A Royal Commission, por isso, programou uma videoconferência, com a presença em Roma, na mesma sala do depoimento do Cardeal, de um grupo de vítimas de pedofilia de Ballarat.

O jornal Herald Sun, nestes dias, noticiou uma investigação da Polícia Victoria implicando o próprio Pell, indagado por abuso sexual. O cardeal respondeu com veemência: "Mentiras".

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