George Pell: vazamento de documentos enfraquecem o trabalho da Comissão Real australiana

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23 Fevereiro 2016

Uma figura do alto escalão da hierarquia católica australiana pede por uma investigação sobre os “vazamentos” feitos pela polícia do estado de Victória, após reportagens segundo as quais alguns policiais estão investigando acusações de abusos sexuais cometidos pelo Cardeal George Pell, uma semana antes de o prelado de 74 anos se apresentar diante da Comissão Real do país.

A reportagem é de Calla Wahlquist, publicada em The Guardian, 21-02-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O arcebispo de Melbourne, Denis Hart, sucessor de Pell desde 2001, afirmou que a acusação de que Pell tivesse cometido “múltiplos delitos”, seja como sacerdote em Ballarat, seja mais tarde como arcebispo de Melbourne, “não refletem o homem que eu conheço a mais de 50 anos”. 

“É bastante perturbador e preocupante ler reportagens baseadas em vazamentos à imprensa de que a polícia de Victoria está investigando acusações de abuso contra o Cardeal George Pell e que ele só ficou sabendo disso via imprensa”, disse Hart em um comunicado emitido no sábado, 19-02-2016.

“Essas acusações, vazadas vindas no final de uma semana em que o cardeal foi publicamente denegrido e a uma semana antes de ele se apresentar diante da Comissão Real, parecem pensadas no intuito de causar o máximo de dano ao próprio religioso e a enfraquecer o trabalho citada comissão. Num ambiente como este, é de responsabilidade da Comissão Real garantir um foro justo e equilibrado a todos os que se apresentam para depor”.

Hart falou ainda que o vazamento à imprensa “enfraquece o sistema judiciário” e mina a presunção da inocência, dizendo: “Eu apoio os pedidos de uma investigação independente sobre a origem desses vazamentos”.

Tal pedido por parte de Hart parece ter origem no departamento do cardeal em Roma, que emitiu um comunicado na sexta-feira, 19-02-2016, afirmando que o prelado, de 74 anos, negava as acusações, sendo elas “sem fundamento e completamente falsas”, produzidas num momento propício visando “causar o máximo de prejuízo”.

“Dada a grave natureza dessa conduta, o cardeal pediu que um inquérito público seja conduzido em relação às ações desses elementos da polícia victoriana que estão enfraquecendo o trabalho da Comissão Real”, lê-se no comunicado. “O cardeal pede que as autoridades policiais investiguem imediatamente o vazamento dessas acusações sem base”.

Segundo reportagens, detetives da Taskforce Sano, a força-tarefa criada para investigar casos de abuso sexual decorrentes do trabalho da Comissão Real, compilaram um dossiê com acusações de que Pell havia cometido “múltiplos delitos” enquanto sacerdote no município de Ballarat, em 1978, e como bispo de Melbourne, entre 1996 e 2001. Teria sido levantada a informação de que Pell abusara sexualmente de menores “via aliciamento e por oportunidade”. 

A agência noticiosa News Corp Australia informou que os detetives estavam à espera de que autoridades da polícia do estado de Victoria aprovassem uma viagem deles ao Vaticano, onde Pell é o secretário para a economia e um dos mais importantes promotores da agenda reformista do Papa Francisco.

A polícia de Victoria se recusou a comentar sobre as reportagens, limitando-se a dizer que estava “atualmente conduzindo uma grande série de investigações em torno de delitos sexuais históricos”. “A polícia não irá comentar sobre tais investigações, já que seria inadequado fazê-lo”, declarou uma porta-voz.

O comunicado divulgado pelo departamento em que Pell trabalha no Vaticano disse que ele não fora contatado pela polícia, mas que cooperaria com as investigações. Ele também pediu por um inquérito público sobre as acusações, dizendo que essas foram feitas “de um modo claramente pensado para constranger o cardeal”.
“O Relatório Southwell, que liberou de qualquer acusação o Cardeal Pell, está em domínio público desde 2002”, lê-se no texto divulgado.

“A polícia do estado de Victoria não deu nenhum passo no sentido de ir atrás das falsas acusações feitas. No entanto o cardeal certamente não tem objeção alguma a que eles revisem os materiais que levaram o juiz Southwell a não indiciá-lo. O cardeal está certo de que a polícia vai rapidamente chegar à conclusão de que as acusações são falsas”.

O juiz aposentado do supremo tribunal de Victoria Alec Southwell foi contratado pela Igreja para investigar as acusações de que Pell teria sexualmente abusado de um menino de 12 anos de idade num acampamento em 1961 em Phillip Island. A sua conclusão dizia que ele não havia ficado satisfeito a ponto de se estabelecer uma queixa fundamentada.

Pell deve depor diante da Comissão real em 29 de fevereiro. Ele o fará via videoconferência direto de Roma, depois que um advogado argumentou que ele não estava muito bem de saúde para viajar. Um grupo de sobreviventes abusados pelo padre pedófilo Gerald Francis Ridsdale planeja ir a Roma para assistir a seu depoimento. Estes estão sendo financiado por uma campanha de angariação de verbas que, até agora, conseguiu mais de 200 mil dólares.

Pell disse que vai se encontrar com o grupo.

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