Vaticano dividido por batalha interna sobre como tratar relatos de pedofilia

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23 Fevereiro 2016

Uma batalha está sendo travada dentro do Vaticano a respeito de como o clero deveria lidar com os relatos de abuso sexual em meio a sinais de que uma comissão especial criada pelo Papa Francisco para tratar do assunto está sendo escanteada por a autoridades do alto escalão em Roma.

A reportagem é de Stephanie Kirchgaessner, publicada por The Guardian, 16-02-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O racha ficou exposto depois que uma reportagem no The Guardian sobre um curso de formação no ano passado, oferecido bispos recém-nomeados, em que onde um polêmico monsenhor francês instruiu-os de que “não necessariamente” era um dever deles relatarem acusações de abuso sexual às autoridades civis, esse a legislação local não o exigir.

Essa postura foi rejeitada pelo Cardeal Seán O’Malley, que preside a pontifícia comissão dedicada à proteção dos menores de idade

“Nós, o presidente e os membros da Comissão para a Tutela dos Menores, desejamos reafirmar que as nossas obrigações sob o direito civil devem ser certamente seguidas, e mesmo além dessas exigências civis, todos temos a responsabilidade moral e ética de relatar casos suspeitos de abuso às autoridades civis encarregadas de proteger a nossa sociedade”, disse ele em nota publicada segunda-feira.

O’Malley igualmente afirmou que a citada comissão esteve comprometida com “grandes iniciativas formativas” dentro das igrejas locais desde a sua fundação, dois anos atrás, reiterando a “disposição dos membros da Comissão em fornecer esse material nos cursos dados em Roma”, inclusive os cursos de formação para os novos bispos e para os departamentos da Cúria Romana.

Claro está, porém, que esse mesmo material oferecido não vem sendo aceito.

Marie Collins, irlandesa sobrevivente de abuso sexual membro da comissão papal, disse que o grupo se propôs a preparar um módulo sobre a tutela infantil já em 2014, e que a proposta fora aprovada pelo Papa Francisco.

Mas o programa não foi implementado por causa da “resistência da Cúria”, escreveu Collins, que escolheu trazer o monsenhor francês e terapeuta Tony Anatrella. As sessões do curso foram organizadas pela Congregação para os Bispos.

Na qualidade de sobrevivente, é óbvio que os novos bispos
devem ter a melhor formação disponível sobre a tutela infantil
”, disse ela.

Anatrella foi uma escolha polêmica porque ele é conhecido por suas opiniões em torno da “teoria de gênero”, crença segundo a qual o aumento da aceitação da homossexualidade nos países ocidentais está criando “graves problemas” para as crianças, que estão sendo expostas a “noções radicais de orientação sexual”.

Collins também falou da resistência que há dentro da Igreja para a criação de um novo tribunal para investigar os bispos acusados de acobertar padres pedófilos.

A criação do tribunal, anunciado em julho, foi comemorado com uma grande festa, como sendo um passo significativo do papa no sentido de tentar resolver a questão depois de décadas de acusações, de acordo com as quais a Igreja sistematicamente fazia vista grossa ao abuso sexual infantil cometido pelo clero.

Agora, meses mais tarde, depois que fora aprovada pelos cardeais e pelo papa, a proposta parece estar minguando dentro da Congregação para a Doutrina da FéCDF, órgão responsável por lidar com as acusações de abuso sexual trazidos ao Vaticano.

“O problema é a implementação”, contou Collins ao jornal Irish Times. “Quanto à comissão, o trabalho foi feito e o papa o aprovou”.

O Vaticano tem enfatizado que o envolvimento de Anatrella na formação dos novos bispos não representa uma ruptura com a política oficial, e que Roma vem dizendo, desde 2011, ser “importante” cooperar com as autoridades civis. Mas ainda assim não há um apoio irrestrito a relatar casos de abuso em países onde uma tal notificação não é prática obrigatória.

Uma fonte no Vaticano que não quis se identificar também falou à revista Newsweek que era difícil informar casos de abuso em alguns países por causa de uma relação “hostil” entre a Igreja e o Estado, e em lugares com forças policiais corruptas, que não garante a presunção da inocência.

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